Lição 8- Nossa Luta não é contra Carne e Sangue


 

TEXTO ÁUREO

"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas." (2 Co 10.4)

VERDADE PRÁTICA

Por trás das aparências, há uma batalha espiritual invisível contra a Igreja.                            

LEITURA DIÁRIA

SEG. Mt 12.25-28: Uma luta na esfera espiritual

TER. Lc 10.19: A nossa autoridade sobre a força do mal vem de Jesus

QUA. 1Co 15.24: O Senhor Jesus reduzirá a cinzas o poder das trevas antes de entregar o Reino ao Pai

QUIGl 5.16-18: Existe um conflito interno na vida do crente entre a carne e o espírito

SEX. Ef 2.2: O poder invisível das trevas opera no mundo

SÁB. Cl 2.15: Foi no Calvário que o Senhor Jesus venceu o reino das trevas

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Efésios 6.10-12

10- No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.

11- Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo;

12-  porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

HINOS SUGERIDOS: 7, 56, 527 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Explicitar que a nossa luta é espiritual, e não física ou material.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Destacar a inclusão do tema, "Nossa Luta não é Contra Carne e Sangue", no final da epístola;

II- Salientar que o crente depende exclusivamente de Deus;

III- Mostrar que a nossa luta é contra os poderes das trevas.

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Uma das coisas que o Inimigo tem feito nestes últimos dias, por meio de uma perspectiva materialista de vida, é tirar de alguns crentes a perspectiva espiritual. Não podemos perder o senso espiritual esposado pelo apóstolo Paulo em uma de suas cartas em que ele afirma que a nossa luta não é contra o ser humano, mas contra principados e potestades. Há sim um mundo espiritual por trás do material. Isso não é uma concepção platônica; mas bíblica, ensinada pelo nosso Senhor, proclamada pelos apóstolos e confirmada pelo Espirito Santo. Aproveite essa oportunidade para, por meio da presente lição, deixar claro à classe sobre a importância de conhecermos as astutas ciladas do nosso Inimigo. Este ainda continua afazer estragos na vida de pessoas.

INTRODUÇÃO

O tema da presente lição trata dos poderes ocultos das trevas e de como se proteger deles pela força do poder de Deus. Embora o apóstolo Paulo não apresente a origem nem a biografia do príncipe das trevas, ele nos ensina a importância de conhecer as astutas ciladas do nosso Inimigo. 0 Diabo já perdeu a peleja, mas continua fazendo estrago nesse período entre o início e o final da jornada da Igreja.

PONTO CENTRAL

Há uma batalha espiritual invisível contra a igreja.

 

I - A INCLUSÃO DO TEMA NO FINAL DA EPÍSTOLA

Os três capítulos iniciais de Efésios são teológicos, e os outros três são práticos. Uma perfeita combinação de doutrina cristã e dever cristão, de fé cristã e vida cristã. Mas, de repente, o apóstolo Paulo nos surpreende com um "No demais", encerrando a epístola com um assunto de vital importância: a luta contra o reino das trevas.

  1. "No demais... (v.10a)".

O apóstolo Paulo parece usar essa expressão para introduzir a conclusão. Isso não é nenhuma anomalia, visto que Paulo emprega essa estrutura em outro lugar (2 Co 13.11; 1 Ts 4.1; 2 Ts 3.1). Essa expressão aparece traduzida como: "Quanto ao mais", na Nova Almeida Atualizada; e "Finalmente", na TB (Tradução Brasileira). Mas não devemos perder de vista que o termo paulino significa, literalmente, "desde agora" (Gl 6.17). Que diferença isso faz? Muita. No caso do verso 10, a ideia é de que daqui para frente o conflito contra o reino das trevas será contínuo até o retorno de Cristo. Desse modo, o tema é atual, e a luta da Igreja continua contra as hostes infernais.

  1. "Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder" (v.10b).

Jesus disse certa vez: "sem mim nada podereis fazer" (Jo 15.5). Paulo empregou a voz passiva para "fortalecei-vos". Isso mostra que não se trata meramente de esforço humano, mas da completa dependência do Senhor Jesus. A expressão "força do seu poder" é um enérgico pleonasmo (figura de sintaxe pela qual se repete uma ideia com outras palavras para proporcionar elegância ou reforço à expressão), usado aqui para reforçar a magnitude do poder de Jesus. Esse poder provém do Espírito Santo (Ef 3.16); é a atuação da Trindade na vida da Igreja.

  1. O emprego da figura de linguagem.

As figuras são recursos linguísticos que merecem atenção especial pela sua beleza e pelo seu papel na Hermenêutica. A anáfora é uma figura de linguagem que consiste na repetição de uma mesma palavra no começo de frases sucessivas com o propósito de enfatizar a afirmação. Aqui encontramos: "porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (v.12). Nessa anáfora, a preposição grega, pros, "contra", é usada cinco vezes para reforçar a ideia de que a esfera principal de atuação do príncipe das trevas não é apenas como muitos pensam: a prostituição e o crime, mas principalmente no reino das religiões; trata-se, pois, de uma batalha espiritual.

 

SÍNTESE DO TÓPICO I

Ao final da epístola aos Efésios, Paulo exorta aos crentes "fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder".

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir a aula desta semana, faça um resumo panorâmico da Carta aos Efésios com o auxílio do esquema abaixo:

Autor

• Paulo

Tema

• Cristo e Sua Igreja

Propósito

• O crescimento dos leitores na fé em Cristo, no amor e na sabedoria de Cristo.

Características

principais

(1) Revelação de grandes verdades nos três primeiros capítulos;

(2) Algumas expressões paulinas de peso; "Em Cristo", "Toda bênção espiritual";

(3) Destaque do propósito e alvo eterno de Deus para a Igreja;

(4) Re­alce multifacetado do papel do Espírito Santo na vida cristã;

(5) Há correlação de Efésios com Colossenses.

II - A DEPENDÊNCIA DE DEUS

O apóstolo emprega uma metáfora militar para explicar o que subjaz no mundo espiritual que não é possível perceber na superfície. A presença de todas as mazelas na humanidade é real e indiscutível, mas a fonte de toda essa maldade Paulo esclarece nessa seção. Não pode haver vitória sem ajuda divina, e é esse o apelo apostólico.

  1. Somente pelo poder de Deus.

Nenhum ser humano tem condições de, sozinho, enfrentar os demônios e sair vitorioso. Os demônios existem de fato, mas não passam de um inconveniente diante do poder de Jesus; são entidades destituídas de poder na presença do Senhor Jesus (Mc 1.23-26; 3.11). No entanto, os humanos não podem desafiá-los com suas próprias forças.

  1. O revestimento da completa armadura de Deus (v.11a).

O verbo "revestir" é o mesmo que a Septuaginta usa para descrever o revestimento de Gideão pelo Espírito Santo (Jz 6.34). A metáfora "toda a armadura de Deus" significa que devemos usar todos os recursos espirituais que Deus nos dá. A armadura completa indica armas de defesa e armas de ataque, uma figura bem conhecida na época, visto que os soldados romanos estavam por toda parte.

  1. Os métodos do Diabo (v.11b).

Paulo começa aqui a explicar a razão de o crente se fortalecer em Jesus e no seu poder e revestir-se de toda a armadura espiritual de Deus. A expressão "astutas ciladas" é methodeia em grego, que só aparece uma vez no Novo Testamento (Ef 4.14) e cuja ideia é de "esperteza, artimanha, armadilha". O Senhor Jesus dá, pelo seu Espírito Santo, todos os recursos para o crente entender todas essas astúcias do Inimigo (2 Co 2.11). O conhecimento da força do Maligno é uma poderosa arma tanto para o ataque como para a defesa.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Somos dependentes do poder de Deus e de sua armadura espiritual para debelar a estratégia do Diabo.

SUBSÍDIO BÍBLICO

"No Verso 6.13, Paulo repete a exortação previamente enunciada em 6.11 ('Portanto, tomai toda a armadura de Deus')-desta vez,em vista de 6,1.2, isto é, das hostes de Satanás que estão envolvidas na guerra espiritual. Uma palavra diferente para 'vestir' (analabete) foi usada aqui, embora em 6.11 tenha sido utilizado o termo endysasthe (significando 'estar vestido com'). Analabete significa 'tomar' de modo resoluto para que, mesmo debaixo do ataque mais rigoroso, o crente posso resistir ao inimigo e 'estar firme' em sua posição.

Paulo, por três vezes, exorta os crentes a 'estarem firmes' (6.11,13,14). Com isso, quer dizer que os crentes e a Igreja devem permanecer constantes e inabaláveis, 'estando firmes' quando a batalha espiritual for intensa, sustentando sua posição quando o conflito estiver se aproximando de seu final, sem serem 'deslocados ou abatidos, porém mantendo-se firmes e vitoriosos em seus postos' (Salmond, 3.385). Observe que diferentes aspectos de 'estar firmes' são enfatizados durante a passagem (6.10-20). Devemos 'estar firmes' (6.14a), na força do poder de Cristo (6.10), contra as ciladas do Diabo (6.11), com nossa armadura firmemente colocada (6.11a, 13a) e em oração (6.18-20) (STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.1266).

III - CONTRA OS PODERES DAS TREVAS

  1. Carne e sangue.

O apóstolo começa apresentando a luta interna do cristão: "porque não temos que lutar contra carne e sangue" (v.12a). O termo "carne" tem vários significados na Bíblia, mas a combinação "carne e sangue", que só aparece três vezes no Novo Testamento (v.12; Mt 16.17; 1 Co 15.50), parece indicar um significado físico. Nesse caso, essa combinação diz respeito à pessoa, ser humano, que pode ser o outro ou nós mesmos em conflito interno, no sentido de: "a carne cobiça contra o Espirito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis" (Gl 5.17).

  1. Os principados e potestades.

Os dois termos aqui, "contra os principados, contra as potestades" (v,12b), aparecem juntos pelo menos dez vezes no Novo Testamento. Os "principados", archai, em grego, cuja ideia é primazia no poder; as "potestades", exousíai, denotam liberdade para agir. O apóstolo Paulo emprega o termo tanto para os anjos (Rm 8.38; Cl 1.16) como para os demônios (1 Co 15.24; Cl 2.15) investidos de poder. Desse modo, a expressão refere-se a governos ou autoridades tanto na esfera terrestre como na espiritual.

  1. "Os dominadores deste mundo tenebroso" (v.12b, ARA).

A ARC emprega "os príncipes das trevas deste século"; a TB cita "governadores do mundo destas trevas"; e a Nova Almeida Atualizada mantém as mesmas palavras da ARA. O termo grego mais usado para "príncipe" é archon, que aparece 37 vezes no Novo Testamento, traduzido também como "governador". É usado para se referir a Belzebu, "príncipe dos demônios" (Mt 12.24).

O apóstolo começa apresentando a luta interna do cristão: "porque não temos que lutar contra carne e sangue" (v.12a). para Satanás, como "príncipe deste mundo" (Jo 12.31; 14.30; 16.11); e, ainda, ao "príncipe das potestades do ar" (Ef 2.2). Mas, aqui, o apóstolo Paulo emprega um termo diferente, kosmokrátor, "senhor do mundo", dekosmos, "mundo", e krateo, "dominar". O uso plural mostra que Paulo não está se referindo ao próprio Satanás, mas às hostes dominantes do mundo das trevas.

  1. Os lugares celestiais.

O apóstolo acrescenta ainda "contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais". Parece que aqui Paulo coloca todos esses anjos decaídos num mesmo bojo. A expressão "lugares celestiais" indicada aqui é intrigante. Essas palavras, ou "regiões celestiais", aparecem em Efésios para designar o céu, onde Cristo está sentado à destra de Deus, onde os salvos estão com Cristo (1.3,20) e onde habitam os anjos eleitos (3.10). Como podem essas hostes infernais estar nas regiões celestiais? Uma explicação convincente é que se trata da esfera espiritual invisível em oposição ao mundo material (Ef 1.3).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Não pelejamos contra "Carne e Sangue", mas contra os principados e potestades, os dominadores deste mundo tenebroso.

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ

"Jesus disse que era odiado sem motivo. Os verdadeiros filhos de Deus são revestidos de luz, de poder e do Espírito Santo, enviado lá dor trono eterno de Deus. O mundo não nos conhece porque não conheceu a Ele, de modo que o Diabo reúne todas as suas forças para batalhar contra Jesus e os seus santos. Porém é maior aquEle que está em nós que tudo o que está contra nós, O Senhor batalhará por nós, ainda que para isso Ele precise enviar todos os exércitos do céu. Quando o profeta Eliseu estava cercado pelos inimigos do Senhor, o servo dele foi tomado de pavor, porque tinha certeza de que eles seriam aniquilados. Ele levantou os olhos a Deus e disse: 'Peço-te que lhe abras os olhos, para que veja'. Os olhos dele foram abertos, e ele olhou em volta e viu os exércitos do Senhor com cavalos e carros de fogo. Deus enviara toda a artilharia do céu para proteger apenas um profeta e o servo deste. Deus fará o mesmo por nós, se clamarmos a Ele" (ETTER, Maria Woodworth. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.142-43).


CONCLUSÃO

Com base nas palavras do apóstolo Paulo, ficamos sabendo de que existem diferentes classes de espíritos maus que são enumerados aqui como "principados, potestades, príncipes das trevas, hostes espirituais da maldade". O universo é um campo de batalha e nisso não precisamos enfrentar apenas o ataque de outras pessoas, mas também as forças espirituais que se opõem a Deus e ao seu Povo.

PARA REFLETIR

A respeito de "Nossa Luta não É contra Carne e Sangue" responda:

  • O que as palavras "força do seu poder" reforçam?

A expressão "força do seu poder" é um enérgico pleonasmo usado para reforçar a magnitude do poder de Jesus.

  • Qual o significado da metáfora "toda a armadura de Deus"?

Significa que devemos usar todos os recursos espirituais que Deus nos dá.

  • A que se refere a combinação "carne e sangue"?

Parece indicar um significado físico.

  • A que se refere a expressão "principados e potestades"?

A expressão refere-se a governos e autoridades tanto na esfera terrestre como na espiritual.

  • Qual o significado de kosmocrátor (Ef 6.12)?

Significa "Senhor do mundo".

 

1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 24/02/2019

Lição 7 - Tentação - A Batalha por nossas Escolhas e Atitudes


TEXTO ÁUREO

Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. (1 Jo 2.16)

VERDADE PRÁTICA

A tentação no sentido religioso é a atração ou sedução para praticar o mal tendo por recompensa prazeres ou lucros ilícitos.

LEITURA DIÁRIA

SEG. Gn 22.1: A tentação, às vezes, significa teste, provação

TER. Lc 22.28: A tentação de Jesus foi contínua e não se restringiu à tentação no deserto

QUA. 1 Co 7.5: Satanás procura o ponto fraco do crente para tentá-lo nessa área

QUI1 Ts 3.5: Satanás é a principal fonte externa da tentação

SEX. Hb 4.15: Não é pecado ser tentado, mas, sim, ceder ao pecado

SÁB. Tg 1.14: A tentação tem também a sua fonte interna

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 4.1-11

1- Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

2- E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;

3- E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.

4- Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

5- Então o diabo o transportou à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,

6- e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

7- Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.

8- Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-Ihe todos os reinos do mundo e a glória deles.

9- E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

10- Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás.

11- Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram.

HINOS SUGERIDOS: 75, 76, 77 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Jesus venceu a tentação.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Conceituar a tentação;

II- Explicar o processo da tentação de Jesus;

III- Elencar as tentações de Jesus.

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta oportunidade trataremos sobre as escolhas e atitudes na jornada da vida espiritual. Neste contexto, aparece o tema da tentação. Em todo tempo somos instados pelo Maligno a negar nossa vida de santidade e ceder para as obras da carne afim de que manchemos as vestes espirituais. Não podemos nos dobrar às falsas promessas do Maligno. Precisamos perseverar na fé em Cristo, buscar a sua preciosa vontade para a nossa vida e honrá-lo até o fim na caminhada cristã. Uma boa aula!

PONTO CENTRAL

Ainda que sejamos tentados, em Jesus, somos vitoriosos.

INTRODUÇÃO

Há certo paralelismo entre os quarenta anos da peregrinação de Israel no deserto e os quarenta dias e as quarenta noites em que o Senhor Jesus jejuou no lugar ermo. A diferença é que Israel não passou no teste, e Jesus foi o vitorioso sobre Satanás. Esses dois cenários têm a ver com nossas escolhas e atitudes na jornada de nossa vida espiritual.

I - A TENTAÇÃO

Os termos "tentação" e "tentar" na Bíblia aplicam-se tanto no campo secular como no campo religioso. Vamos analisar o assunto partindo dos significados e sentidos dessas palavras, levando em consideração o contexto das várias passagens bíblicas.

  1. A provocação de Refidim.

O substantivo "tentação" significa literalmente "teste, provação, instigação". Na contenda paradigmática de Refidim, no deserto, temos o significado dessa palavra: "E chamou o nome daquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao SENHOR, dizendo: Está o SENHOR no meio de nós, ou não?" (Êx 17.7). O vocábulo hebraico massá significa "tentação", e meribá quer dizer "contenda". Os israelitas estavam testando o próprio Deus. A Septuaginta traduz massá por peirasmós, "tentação", a mesma palavra usada no Novo Testamento grego. O enfoque do termo aqui é sobre a ideia de instigação ou sedução para o pecado (Mt 6.13; 26.41).

  1. A experiência de Massá e Meribá.

Ninguém deve testar a Javé, o Deus de Israel, pois o nosso dever é obedecê-lo (Dt 6.16). O que aconteceu nessa contenda teve a reprovação divina, de modo que serviu como um paradigma daquilo que não se deve fazer (Sl 95.8,9). Testar Deus é questionar sua fidelidade no pacto e duvidar de sua autoridade (Sl 78.41,56). Entendemos que tentar o Criador reflete a nossa descrença nEle, e a Bíblia é contra essa prática (Is 7.12; At 15.10).

  1. Como um teste.

Isso é muito comum no Antigo Testamento (1 Rs 10.1). O exemplo clássico é a passagem do sacrifício de Isaque: "E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão" (Gn 22.1). A finalidade disso é revelar ou desenvolver o nosso caráter (Êx 20.20; Jo 6.6). O hebraico aqui para "tentou" é nissá, que tem o sentido de testar, experimentar, usado para pesquisas científicas hoje em Israel. A Septuaginta traduziu por peirazo, de onde vem o substantivo peirasmós, que aparece no Novo Testamento com a mesma ideia de teste: "e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são" (Ap 2.2). O Novo Testamento emprega o termo também com ideia de tentativa (At 16.7; 24.6).

SÍNTESE DO TÓPICO I

A provocação de Refidim e a experiência de Massá e Meribá, embora esta fosse uma ofensa a Deus, mostram que a tentação é um período de teste em nossa vida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Estude bem as passagens bíblicas que narram a história da provocação de Refidim a fim de contar aos alunos com riquezas de detalhes. Essa história servirá de base para você trabalhar o conceito de "tentação”. É preciso, desde o início da aula, deixar claro que o propósito do encontro desta semana é prevenir as consequências das tentações. Nesse caso, a tentação conforme a provocação de Refidim é de caráter contencioso. Onde a contenda e a confusão são o objeto da tentação. Por certo essa é uma excelente oportunidade de você trabalhar com a classe os princípios de "moderação", "mansidão" e "domínio próprio". Uma excelente aula!


II - A TENTAÇÃO DE JESUS

A tentação de Jesus no deserto é o primeiro acontecimento registrado de sua história depois do batismo por João Batista no rio Jordão. Era de se esperar que aquele que veio "para desfazer as obras do diabo" (1 Jo 3.8) enfrentasse a reação de Satanás. O Inimigo de nossa alma decide lutar por sua causa. É que a chegada do Salvador alvoroçou todo o reino das trevas.

  1. Levado ao deserto (v.1).

O deserto é um lugar onde os seres humanos percebem a grandeza de Deus e a fragilidade humana; é um lugar de profundo silêncio para meditação e oração, onde há vastidão de espaço para ouvir a voz de Deus. Foi no deserto que grandes homens de Deus foram preparados para o serviço sagrado, como Moisés (At 7.30-33) e Elias (1 Rs 19.4-10). O termo "deserto" nessa passagem não é suficiente para determinar o lugar exato em que Jesus suportou os quarenta dias de jejum e tentações. Mas há concordância entre muitos estudiosos de que se trata de uma parte despovoada da Judeia, onde João Batista iniciou o seu ministério. A tradição posterior indica o monte da Quarentena a oeste de Jerico, onde foi construída na encosta da montanha uma igreja no século VI.

  1. Sobre o jejum de Jesus (v.1).

Segundo a narrativa de Mateus, Jesus jejuou "quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome". Só mais dois personagens bíblicos praticaram um jejum tão prolongado de quarenta dias, Moisés e Elias, mas isso aconteceu em situações específicas (Êx 34.28; Dt 9.9,11; 1 Rs 19.8). Isso mostra que esse tipo de jejum (quarenta dias e quarenta noites) não é doutrina da Igreja. Lucas afirma que Jesus, "naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome" (Lc 4.2). O verbo grego, nesteuou,"jejuar", significa literalmente "abster-se de alimento".

  1. Como a tentação aconteceu (v.3a).

Está claro que Satanás se apresentou a Jesus de forma visível, mas os detalhes são desconhecidos. Essa tentação foi literal, e isso se evidencia pelos detalhes da própria narrativa. Rejeitamos, pois, a ideia de uma tentação subjetiva, simbólica ou visionária. Com certeza, Jesus mesmo contou essa experiência aos seus discípulos.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Levado ao deserto pelo Espírito Santo, Jesus foi tentado pelo Diabo.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

É importante termos uma ideia bem clara acerca da depravação total, pois a doutrina nos ajuda a compreender a luta interna no processo da tentação. Por isso, leia o seguinte texto, objetivando ter tal consciência: "A atual condição espiritual da humanidade, considerada à parte da graça de Deus, é adequadamente descrita como tenebrosa e desanimadora. Com certeza, Wesley, em sua doutrina do pecado original, emprega o que só pode ser descrito como 'superlativos negativos' para demonstrar o total abismo moral e espiritual em que a humanidade decaiu. Ele comenta: '0 homem, por natureza, é repleto de todo tipo de maldade? É vazio de todo bem? É totalmente caído? Sua alma está totalmente corrompida? Ou, para fazer o teste ao contrário, 'toda imaginação dos pensamentos de seu coração [é] só má continuamente’? Admita isso, e até aqui você é um cristão. Negue isso, e você ainda é um pagão" (COLLIN5, Kenneth. Teologia de John Wesley: 0 Amor Santo e a Forma da Graça. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.97).

III - A TRÍPLICE TENTAÇÃO

Mateus e Lucas registraram as três últimas investidas de Satanás contra Jesus, e elas foram o ápice dessas tentações. Na verdade, Jesus foi tentado em todos os quarenta dias: "quarenta dias foi tentado pelo diabo" (Lc 4.2). E continuou sendo tentado durante todo o tempo de seu ministério (Lc 22.28; Hb 4.15).

  1. A primeira das três últimas tentações (v.3b).

O objetivo dessa investida diabólica era incitar Jesus a usar seus poderes em benefício próprio. A declaração pública do próprio Deus a respeito de Jesus, "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17), indica que isso era do conhecimento de Satanás. Mas, mesmo assim, ele desafiou Jesus quanto à sua identidade: "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães". À semelhança de Eva, esse pecado consistia em satisfazer o apetite físico com algo lhe fora proibido.

  1. A segunda tentação (v.5).

Aqui, o objetivo de Satanás é induzir o Senhor Jesus a tentar o Pai e persuadi-lo a um ato de vaidade. A "Cidade Santa", para onde Jesus foi transportado, é Jerusalém (Ne 11.1; Is 52.1). Satanás incita Jesus a jogar-se do pináculo do templo abaixo usando o texto de Salmos 91.11,12. Essa passagem refere-se a alguém que confia em Deus e, por isso mesmo, ao próprio Senhor Jesus. Ter a proteção divina, conforme as promessas desse salmo, é muito diferente de tentar a Deus. A proposta de Satanás era para Jesus testar Deus, algo que as Escrituras proíbem (Êx 17.2-7).

  1. A terceira tentação (v.8).

Esse último ataque consistia em induzir Jesus a se apoderar do domínio do mundo por meios ilícitos. Como disse um grande comentarista dos Evangelhos: "A concessão era pequena; a oferta, grande". Teria Satanás o controle do mundo a ponto de oferecê-lo a quem desejasse? Jesus não discutiu sobre essa reivindicação do Diabo. O Novo Testamento mostra que Satanás é "o deus deste século" (2 Co 4.4); "o príncipe das potestades do ar" (Ef 2.2); "os príncipes das trevas deste século,... as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.12) e "todo o mundo está no Maligno" (1 Jo 5.19). Mas Satanás não tem nada para ninguém; tudo não passa de mera aparência e engano.

  1. Respostas de Jesus.

O ataque diabólico foi nas áreas mais sensíveis do ser humano: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (1 Jo 2.16). Mesmo com toda a sua habilidade maligna, foi grande e devastadora a derrota de Satanás (v.11). Ele foi vencido pelo poder da Palavra de Deus: "está escrito, está escrito e está escrito". Jesus citou três passagens do Pentateuco (Dt 6.13,16; 8.3). Assim, o grande conquistador, o Senhor Jesus Cristo, pode simpatizar com os que são tentados, pois Ele mesmo foi tentado de maneira real. Podemos nos consolar porque temos um Protetor no céu que é capaz de se compadecer de nossas fraquezas (Hb 4.15).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Três tentações de Jesus: transformar pedras em pães; jogar-se do pináculo do templo e ser amparado por um anjo e dominar o mundo se adorasse o Diabo.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

[...] A presença de Cristo conosco não é apenas como a de um companheiro externo, mas é uma força real e divina, revolucionando nossa natureza e tornando-nos como Ele é. De fato, o propósito final e último de Cristo é que o crente seja reproduzido segundo a sua própria semelhança, por dentro e por fora.

Paulo expressa a mesma coisa no primeiro capítulo de Colossenses, quando diz: 'Para, perante ele, vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis’ (Cl 1.22). Esta transformação deve ser uma transformação interior. É uma transformação de nossa vida, de nossa natureza segundo a natureza dEle, segundo a semelhança dEle.

Como é maravilhosa a paciência, como é maravilhoso o poder que toma posse da alma e realiza a vontade de Deus - uma transformação absoluta segundo a maravilhosa santidade do caráter de Jesus! Nosso coração fica desconcertado quando pensamos em tal natureza, quando contemplamos tal caráter. Este é o propósito de Deus para você e para mim" (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.31-32).


CONCLUSÃO

Diante dos fatos aqui expostos, aprendemos a não subestimar a força e os ardis de Satanás e seus demônios, pois ele ousou tentar o próprio Filho de Deus. Adão foi testado e não passou no teste (Gn 3.11,12). Da mesma forma, Israel foi reprovado logo no limiar de sua história como nação (Dt 9.12). Mas Jesus foi aprovado, glória a Deus! (At 2.22).

PARA REFLETIR

A respeito de "Tentação - a Batalha por nossas Escolhas e Atitudes", responda:

  • Qual o sentido da palavra "tentação" em Massá e Meribá?

O vocábulo hebraico massá significa “tentação", e meribá quer dizer "contenda".

  • Qual a finalidade da tentação como teste?

A finalidade é revelar ou desenvolver o nosso caráter (Êx 20.20; Jo 6.6).

  • O que evidenciam os detalhes da narrativa da tentação de Jesus no deserto?

A tentação de Jesus no deserto é o primeiro acontecimento registrado de sua história depois do batismo por João Batista no rio Jordão.

  • Quais os objetivos de Satanás em cada uma das três últimas tentações?

(1) O objetivo dessa investida diabólica era incitar Jesus a usar seus poderes em benefício próprio;

(2) O objetivo de Satanás é induzir o Senhor Jesus a tentar o Pai e persuadi-lo a um ato de vaidade;

(3) Esse último ataque consistia em induzir Jesus a se apoderar do domínio do mundo por meios ilícitos.

  • Como o Senhor Jesus derrotou o Diabo?

Ele foi vencido pelo poder da Palavra de Deus: “está escrito, está escrito e está escrito". Jesus citou três passagens dó Pentateuco (Dt 6.13,16; 8.3).

 

 

 

 

1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 17/02/2019

Lição 6 – Que domina a sua Mente


 

TEXTO ÁUREO

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." (Fp 2.5)    

VERDADE PRÁTICA

Os substantivos "mente", "sentimento" e "entendimento" pertencem à esfera do intelecto, que permite à pessoa aprender, desejar, pensar e agir.                                                                                                     

LEITURA DIÁRIA

SEG. Mc 12.30: A fé cristã é racional, assim, amamos a Deus com todo o nosso entendimento

TER. Rm 7.25: Servimos a Deus com entendimento, pois a fé cristã não é irracional

QUA. Rm 8.6,7: A mente carnal é a predisposição mental da carne

QUIRm 12.2: Transformados pela renovação de nossa mente

SEX. 1Co 2.16: Ter a mente de Cristo significa pensar como Ele

SÁB. Cl 2.18: A mente ou o entendimento carnal pode envolver erro doutrinário

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 4.4-9

4- Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos.

5- Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.

6- Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.

7- E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

8- Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo,  tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

9- O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.

HINOS SUGERIDOS: 185,187,599 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o seguidor de Jesus tem a mente de Cristo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Explicar a epístola aos Filipenses;

II- Conceituar a palavra "mente" no contexto bíblico;

III- Expor o conceito da expressão "a mente de Cristo".

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Quem viveu o milagre do novo nascimento recebeu o processo de metanoia, isto é, transformação plena da mente e do pensamento. Algo que só o Espírito Santo pode fazer.

A lição desta semana tem como propósito a reflexão introspectiva acerca das atitudes, das decisões e da maneira de viver dos que se acham discípulos do Mestre. A pergunta cabível ao final da presente lição é: "Jesus realmente é o Senhor do seu pensamento?"

Como o nosso tema está fundamento na epístola aos Filipenses, estude-a disciplinadamente para expor o conteúdo desta semana. Boa aula!

INTRODUÇÃO

Quem nasceu de novo é nova criatura, e assim a vida cristã é norteada pelo Espírito Santo. Isso significa que nós, como cristãos, não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. A presente lição é uma reflexão introspectiva sobre a nossa maneira de viver, as nossas atitudes e as nossas decisões, e se realmente Jesus é o Senhor de nosso pensamento.

I - SOBRE A EPÍSTOLA AOS FILIPENSES

Filipos era uma colônia romana e uma das principais cidades da Macedônia. Paulo esteve na cidade por ocasião de sua segunda viagem missionária e ali fundou a primeira igreja europeia. Isso aconteceu na casa de uma empresária chamada Lídia, vendedora de púrpura. O apóstolo deixou a cidade por causa das pressões locais, mas o relacionamento entre ele e os filipenses continuou. Cerca de dez anos depois, Paulo escreveu de Roma a esses irmãos, por volta do ano 62 ou 63 d.C.

 

  1. A doutrina.

O objetivo da carta não era solucionar problemas doutrinários nem de relacionamentos entre os filipenses, pois eles haviam amadurecido rapidamente. Um dos propósitos estava vinculado à amizade e ao amor recíproco do apóstolo (Fp 1.7-9; 4.1). Os problemas referentes às heresias eram periféricos. O apóstolo trata desse assunto mais como precaução. Paulo menciona os legalistas no capítulo 3, mas não era algo agudo na Igreja, visto que em Filipos nem sequer havia sinagoga (At 16.13). Isso mostra que a população judaica não era significativa na cidade. Note que seus habitantes consideravam-se romanos (At 16.21). Não havia nada de muito grave na igreja que o apóstolo precisasse corrigir.

  1. O relacionamento.

Havia entre os filipenses alguns problemas que são próprios da natureza humana e comuns nas igrejas ainda hoje (Fp 1.27; 2.3,14). É possível que o pedido do apóstolo para ajudar as irmãs Evódia e Síntique indique algum problema de desentendimento entre elas (Fp 4.2). O apóstolo pede que haja unidade e harmonia entre os crentes, tendo or base a humildade e o exemplo de Cristo. 0 apelo paulino é para que haja entre os filipenses "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2.5).

  1. O ensino.

Filipenses é uma epístola prática, e os pensamentos teológicos aparecem casualmente, como no parágrafo teológico por excelência, no capítulo 2.5-11, e no lar celestial prometido aos cristãos, no final do capítulo 3. O sentimento de gozo e regozijo dominava os crentes de Filipos, e este é um dos temas da carta: a alegria. A Igreja de Filipos é um exemplo a ser seguido por todos; isso porque havia nela o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

SÍNTESE DO TÓPICO I

O objetivo da carta não é doutrinário, mas de ensino prático sobre o relacionamento cristão.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir a lição desta semana, sugerimos reproduzir para a classe o esquema proposto conforme a sua possibilidade e fazer uma exposição geral sobre a epístola.

Epístola aos Filipenses

Autor

Apóstolo Paulo

Propósito

O apóstolo Paulo escreveu a carta para agradecer pela oferta generosa e levar aos membros da igreja a conservar a unidade, a humildade, a comunhão e a paz.

Principais

características

(1) Uma carta pessoal e afetuosa;

(2) um texto altamente cristocêntrico;

(3) contém algumas declarações profunda­mente cristológicas (2.5-11);

(4) é denominada de a "epísto­la da alegria";

(5) apresenta uma vida cristã equilibrada.

II - SOBRE A "MENTE" NO CONTEXTO BÍBLICO

Há diversos termos nas línguas originais da Bíblia para "mente" e seus derivados. Vamos estudar alguns deles aqui. Cada termo apresenta diferenças sutis, mas significativas.

  1. A mente como faculdade psicológica.

O Novo Testamento grego emprega o termo nous, de amplo significado, como “mente, entendimento, intelecto, pensamento, sentido" (Rm 11.34; 1 Co 2.16; 14.14; 2 Co 11.3). Na presente lição, o sentido dessas palavras é de uma faculdade psicológica que envolve compreensão, raciocínio, pensamento e decisão: "De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, sou escravo da lei do pecado" (Rm 7.25, Nova Almeida Atualizada). O apóstolo Paulo está se referindo ao "eu" regenerado em contraste com a carne, sem o controle do Espírito Santo. É com essa mente cristã que desejamos a lei de Deus, ou seja, “a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus" (Rm 8.2).

  1. A mente como forma de pensar.

A mente aparece também no Novo Testamento como uma maneira ou forma especial de pensar. A ideia nesse caso é de disposição e de atitude, tanto no sentido negativo: "estando cheio de orgulho, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Cl 2.18, Nova Almeida Atualizada); como positivo; "armai-vos também vós com este pensamento" (1 Pe 4.1). Assim, ter "a mente de Cristo" (1 Co 2.16) significa pensar como Ele.

  1. Espírito.

O substantivo grego pneuma, traduzido geralmente por "espírito", é usado ainda de forma metafórica como modo de ser, atitude, forma de pensar: "se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão" (Gl 6.1). É uma atitude ou modo de ser que reflete a forma como uma pessoa encara ou pensa sobre um assunto. Essa expressão é usada em contraste entre o divino e o meramente humano (Mc 2.8; At 17.16; 1 Co 2.11; 5.5; Cl 2.5).

  1. Coração.

O coração aparece em toda a Bíblia como o centro da vida física, espiritual e mental; emotiva e volitiva. É a fonte de vários sentimentos e afeições, como alegria e tristeza (Pv 25.20; Is 65.14). 0 coração é a sede do pensamento e da compreensão (Dt 29.4; Pv 14.10). Seu uso metafórico aparece como a fonte causativa da vida psicológica de uma pessoa em seus vários aspectos, mas a ênfase especial nos pensamentos significa o "homem interior" (Mt 22.37; 2       Co 9.7; Rm 2.5). Esse sentido aparece também no Antigo Testamento: "guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" (Pv 4.23).

SÍNTESE DO TÓPICO II

O termo "mente" na Bíblia pode significar faculdade psicológica, forma de pensar, espírito ou coração.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

A palavra grega metanoia sugere, fortemente, que o pecador mergulhe para além da mera consciência intelectual quanto à pecaminosidade. Mas que o faça com tal ímpeto e repulsa, que o leve a rejeitar o mal e a seguir a Cristo, desejando aprender cada vez mais do Salvador (Mt 3.8; At 5.31; 20.21; Rm 2.4; 2 Co 7.9,10; 2 Pe 3.9).

Vejamos, agora, o lado positivo da conversão. O pecador deve não somente 'voltar-se de’ mas 'voltar-se para*. Assim, voltamo-nos do pecado para voltarmo-nos para Deus. O voltar-se para Deus é um ato de fé. Consiste em se entrar numa relação positiva com Deus. É algo central na experiência cristã; enfatiza a importância da fé. 'Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam' (Hb 11.6). Todas a nossas relações com Deus acham-se ancoradas na fé" (MENZIES, William W; HORTON, Stanley M, Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé, Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.86).

III - SOBRE A MENTE DE CRISTO

O sentimento que norteava a vida dos irmãos filipenses era de alegria e de comunhão. É isso que deve prevalecer na vida cristã em todos os lugares e em todas as épocas.

 

  1. O sentimento de alegria.

"Regozijai-vos" é uma saudação grega, mas aqui Paulo exorta os filipenses e todos os cristãos à alegria. O apóstolo acrescenta: "sempre, no Senhor". O Senhor Jesus é a fonte inesgotável de gozo e alegria, e isso dá à saudação um sentido complemente novo. Como resultado desse estado de graça está o bom relacionamento do cristão com as demais pessoas. O termo "equidade" (v.5) é a tradução do adjetivo gregoepieikés, "compreensivo, bondoso, benigno". A Almeida Revista e Atualizada traduz por "moderação". Essa deve ser a atitude de quem tem a mente de Cristo em relação às pessoas que nos rodeiam. É o que Deus espera de todos nós. A expressão "perto está o Senhor" (v.5) diz respeito à vinda de Jesus que se aproxima (Ap 1.3; 22.10) e nos inspira a essa moderação.

  1. Nossa gratidão a Deus.

Os filipenses viviam num clima de perseguição religiosa. Paulo estava na prisão. Mas nada disso era problema suficiente para roubar a alegria dos crentes: "a alegria do SENHOR é a vossa força" (Ne 8.10). Mesmo nas dificuldades, quem tem uma mente guiada por Cristo não se desespera; antes, as suas petições são levadas à presença de Deus "pela oração e súplicas, com ação de graças" (v.6).

  1. A paz de Deus.

O termo noema, "pensamento, mente", diz respeito à faculdade geral de julgamento para tomar decisões, no sentido de bem ou mal, certo ou errado. A ideia dessa palavra é de entendimento da vontade divina concernente à salvação (2 Co 10.5). Esse noemapode se corromper (2 Co 11.3) e se tornar endurecido (2 Co 3.14), a ponto de impedir a iluminação do evangelho de Cristo (2 Co 4.4). Mas a paz de Deus na vida cristã está acima de todos os bens que uma pessoa pode adquirir e sobrepuja a todo entendimento, pois vai além da razão humana. Ela excede "os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (v.7).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Quem tem a mente de Cristo desfruta do sentimento de alegria, gratidão e paz em Deus.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

Rios de Água Viva

[...] No Evangelho de João, lemos as palavras: 'Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva' (Jo 4.10). Louvado seja Deus pelas águas vivas que hoje fluem livremente, pois elas vêm de Deus a todo coração faminto e sedento.

No poderoso nome de Jesus, podemos ir aos confins da terra e aos lugares secos e ermos, pois até os corações ressequidos, tristes e solitários foram feitos para se alegrar no Deus da sua salvação. Clamemos hoje pelos rios.

Em Jesus Cristo, recebemos o perdão dos pecados e a santificação de nosso espírito, alma e corpo e, em santificação, recebemos o dom do Espírito Santo prometido por Jesus aos discípulos - a promessa do Pai. Recebemos tudo isso pela reconciliação. Aleluia!

O profeta declarou que Jesus tomou sobre si as nossas aflições e carregou as nossas tristezas. 'Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados' (Is 53-5). Cura, saúde, salvação, alegria, vida: temos tudo isso em Jesus. Glória a Deus!" (SEYMOUR. Devocional: O Aviva-mento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.148-49).

CONCLUSÃO

O nosso comportamento na vida diária, no lar, na Igreja, no trabalho e na sociedade reflete o que há em nosso coração, e isso mostra por si só quem domina a nossa mente. Há pontos na fé cristã que são inegociáveis, e quem é dominado pelo Espírito não abre mão de sua fé nem cede um milímetro sequer de sua fidelidade a Deus. É esse espírito que domina a mente dos crentes fiéis em Cristo Jesus.

PARA REFLETIR

A respeito de "Quem Domina a Sua Mente" responda:

  • Qual o apelo paulino aos filipenses?

O apelo paulino é para que haja entre os filipenses "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2.5).

  • O que significa ter a "mente de Cristo"?

Ter "a mente de Cristo" (1 Co 2.16) significa pensar como Ele.

  • O que dá um sentido novo à saudação grega usada por Paulo (Fp 4.4)?

O Senhor Jesus é a fonte inesgotável de gozo e alegria, e isso dá à saudação um sentido complemente novo.

  • Qual deve ser a atitude de quem tem a mente de Cristo em relação às pessoas à sua volta?

Moderação.

  • O que excede o nosso coração e os nossos sentimentos em Cristo Jesus?

A paz de Deus.

 

 

1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 10/02/2019 

Lição 1- Batalha Espiritual - A Realidade não Pode Ser Subestimada





Texto Áureo
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26.41)
Verdade Prática
Batalha Espiritual é uma realidade bíblica que consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.
LEITURA DIÁRIA
Seg. Lc 10.17-19: Jesus deu poder à sua Igreja para subjugar os demônios
Ter. At 13.9-11: A pregação do Evangelho é a declaração de guerra contra o reino das trevas
Qua. At 16.16-18: Devemos nos precaver contra as manifestações malignas
Qui. 2 Co 10.4: As armas da nossa milícia são espirituais e poderosas em Deus
Sex. Ef 6.13: Podemos, com ajuda do Senhor, resistir ao mal e continuar firme
Sáb. Tg 4.7: Duas coisas importantes: submissão a Deus e resistência ao Diabo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Pedro 5.5-9
5- Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
6- Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte,
7- lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
8- Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;
9- ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.


HINOS SUGERIDOS: 28, 270, 305 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Expor a realidade bíblica da Batalha Espiritual, identificando as crenças errôneas de uma pseudobatalha espiritual.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
I- Apresentar o conceito de Batalha Espiritual, ressaltando sua realidade bíblica e distorções;
II- Pontuar as principais "crenças" da pseudobatalha espiritual;
III- Desconstruir por meio da análise bíblica as "crenças" da pseudobatalha espiritual.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Vamos iniciar mais um trimestre. Estudaremos a respeito da "Batalha Espiritual". Por meio das Escrituras, veremos que o assunto não pode ser ignorado, pois há uma Batalha Espiritual real, mas também devemos ser cuidadosos quanto à superstição religiosa muito viva em nosso país. Precisamos de uma visão bíblica e equilibrada!

Ao introduzir a lição, apresente o comentarista deste trimestre. Trata-se do pastor Esequias Soares, líder da igreja evangélica Assembleia de Deus em Jundiaí. Presidente da Comissão de Apologética da CGADB. É graduado em Hebraico pela Universidade de São Paulo. Mestre em Ciências da Religião. É também autor de diversos livros, dentre eles: Manual de Apologética Cristã, Heresias e Modismos e A Razão da Nossa Fé, todos publicados pela CPAD.

INTRODUÇÃO

A Batalha Espiritual é o tema do trimestre que estamos iniciando. Basta uma olhada na leitura diária para confirmar a menção do assunto nas Escrituras. Mas existe uma onda extravagante que surgiu na década de 1960 e que tenta se passar por batalha espiritual.

A presente lição apresenta o equilíbrio doutrinário que servirá como ajuda para ninguém subestimar o assunto.

PONTO CENTRAL
A Batalha Espiritual consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.
I - A BATALHA ESPIRITUAL

A autêntica batalha espiritual tem fundamentos bíblicos, mas nem tudo o que se diz ser batalha espiritual tem sustentação nas Escrituras.

1. Conceito de Batalha Espiritual.
A Bíblia afirma "que todo o mundo está no maligno" (1 Jo 5.19). Assim, existem seres malignos e espirituais que desde o princípio conspiram contra Deus e contra a humanidade para a destruição e o caos no mundo. Primordialmente, os demônios existem; eles são reais e manifestam-se de várias maneiras, em princípio, nas pessoas possessas, e tais espíritos precisam ser expulsos. Por conseguinte, os cristãos se opõem a essas forças malignas pela pregação do evangelho, a oração e o poder da Palavra de Deus. A essa oposição dos crentes denominamos "batalha espiritual".

2. Uma realidade bíblica.
O tema principal da Primeira Epístola do apóstolo Pedro é o sofrimento do crente por causa do nome de Jesus. Esse sofrimento resulta da nossa contínua luta espiritual contra o pecado e contra o indiferentismo religioso. Mas, ao encerrar a sua epístola, o apóstolo esclarece que tudo isso parte de Satanás e seus agentes: "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (v.8).

3. O que não é Batalha Espiritual.
O que geralmente se chama de "batalha espiritual" por alguns é um modelo não bíblico e nocivo à fé cristã. Os mentores dessa doutrina pinçam a Bíblia aqui e ali e adaptam as passagens selecionadas para ajustá-las às suas próprias experiências. Trata-se de uma cosmovisão abrangente de culturas antigas como a da Mesopotâmia e do Egito, influenciada pela magia e pelo ocultismo.* Era na época um mundo cheio de forças ocultas em que os homens viviam procurando se proteger de deuses e demônios malévolos. É uma estrutura muito próxima do ocultismo contemporâneo com a doutrina dos espíritos territoriais, maldição hereditária ou de família com os rituais de libertação.

SÍNTESE DO TÓPICO I
Há fundamento bíblico para a verdadeira Batalha Espiritual, mas é preciso ter cautela com as superstições religiosas.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Após introduzir a lição e "apresentar" o pastor Esequias Soares, mostre aos alunos os objetivos da presente lição. Diga a eles que, como introdução ao estudo deste trimestre, o objetivo da presente aula é conceituar a expressão "Batalha Espiritual", pontuar as falsas crenças da "pseudobatalha espiritual'' e desconstruí-las por meio das Escrituras Sagradas. A lição desta semana está estruturada nesse tripé.
II - PRINCIPAIS CRENÇAS DA PSEUDOBATALHA ESPIRITUAL

As inovações mais chocantes que se pregam por aí são o mapeamento espiritual, a maldição hereditária e a ideia de que um salvo pode ser possuído pelos demônios.

1. Mapeamento espiritual.
A doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade. O evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno. Em decorrência, surgiu a necessidade de uma geografia espiritual, o mapeamento espiritual. Os espíritos territoriais são identificados por nomes que eles mesmos teriam revelado, com as respectivas regiões que eles supostamente comandam. Essas pessoas acreditam que tudo isso se baseia na Bíblia (Dn 10.13,20; Mc 5.10).

2. A maldição hereditária.
A doutrina resume-se nisso: se uma pessoa tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque, no passado, alguém de sua família, não importa se avós, bisavós ou tataravós, teve esse problema. Desse modo, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao Diabo. Uma vez descoberta a tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família será desfeita. É uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos praticado pelos mórmons. Os que defendem essa doutrina pinçam as Escrituras em busca de sustentação bíblica (Êx 20.5; Dt 5.9; Is 8.19).

3. "Crentes endemoninhados".
Esses pregadores ensinam que "o homem é um espírito que tem alma e habita num corpo" (Kenneth Hagin). Partindo desse falso conceito teológico, afirmam que o Espírito Santo habita no espírito humano no processo de salvação; e que os espíritos imundos "estão relegados à alma e ao corpo do cristão". Os promotores dessa doutrina costumam apelar para o estado psicológico de Saul depois que ele se afastou de Deus (1 Sm 16.14; 18.10; 19.9), o caso de Judas Iscariotes (Lc 22.3), além de Ananias e Safira (At 5.3).
SÍNTESE DO TÓPICO II
As principais “crenças" da pseudo-batalha espiritual são o Mapeamento Espiritual, a Maldição Hereditária e Possessão Demoníaca de Cristãos.


SUBSÍDIO APOLOGÉTICO
"[Sobre o Mapeamento Espiritual]"É verdade, 'o príncipe do reino da Pérsia' impediu, por três semanas, que o anjo (presumivelmente, Gabriel) viesse até Daniel (Dn 10.12,13). No entanto, Daniel estava aspirando à visão profética, e jamais pensou em 'amarrar' o 'espírito territorial' da Pérsia. Nem o anjo o instruiu para empreender tal 'batalha'. Na verdade, em lugar algum da Bíblia sugere-se a ideia de que certos demônios tenham autoridade específica sobre certas cidades ou territórios e que devam ser 'amarrados'. [...] Paulo nunca tentou 'amarrar espíritos territoriais' para ensinar o evangelho ao mundo de sua época, portanto, por que deveríamos fazê-lo?” (HUNT, Dave. Em Defesa da Fé Cristã: Respostas a perguntas difíceis. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.223-24)

III - VAMOS À BÍBLIA
Ninguém tem o direito de fazer o que quiser com a Bíblia. Vejamos, portanto, o que Bíblia ensina nas passagens reivindicadas pelos líderes defensores dessa inovação:

1. Sobre o mapeamento espiritual.
As duas passagens de Daniel falam sobre o "príncipe do reino da Pérsia" (Dn 10.13) e o "príncipe da Grécia" (v.20). São citações fora de contexto, pois se trata de guerra angelical, e não há indícios da presença humana. O gadareno "rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província" (Mc 5.10) porque Jesus havia mandado os tais espíritos para o abismo: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo" (Lc 8.31). Essa é a razão de pedirem para ficar na região; não se refere, portanto, a espíritos territoriais. Assim, fica claro que se trata de uma doutrina baseada numa interpretação equivocada.

CONHEÇA MAIS
Sobre o Ocultismo
“Ocultismo é a crença nas forças ocultas e práticas adivinhatórias da magia, astrologia, alquimia, clarividência, tarô, búzios, quiromancia, necromancia, numerologia, reencarnação, ufologia, ioga, meditação transcendental, hipnose e outras ciências ocultas. Todas essas coisas são a marca registrada da Nova Era. A palavra vem do latim occultus, que significa ‘secreto, misterioso’. Foi Eliphas Lévi, na França, em 1856, que usou pela primeira vez a palavra ‘ocultismo’ e seus derivados com o sentido de esoterismo.” Leia mais em Manual de Apolo-gética Cristã, CPAD, pp.364-65.

2. Sobre a maldição hereditária.
No segundo mandamento do Decálogo, Deus afirma visitar "a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" (Êx 20.5; Dt 5.9). Essas palavras não podem se aplicar à doutrina da maldição hereditária porque, quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus; logo, essa passagem bíblica não pode se aplicar aos crentes (Rm 5.8-10), pois estes se tornam nova criatura, "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). 0 que eles fazem com a expressão "espíritos familiares" é uma fraude. O termo usado na Bíblia hebraica é ov, ou ovoth, plural, "médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico" (Lv 19.31; 20.6). Isso está muito longe de serem espíritos que passam de pai para filhos.

3.Sobre a possibilidade de o cristão ser possesso.
É bom lembrar que Saul já estava desviado nessa época (1 Sm 15.23); além disso, a Bíblia não fala de demônio, mas que "o assombrava um espírito mau da parte do SENHOR" (1 Sm 16.14). Quem foi que disse que Judas Iscariotes era crente? Foi Jesus quem disse: "Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo. E isso dizia ele de Judas Iscariotes" (Jo 6.70,71). E, quanto a Ananias e Safira, a Bíblia declara que eles mentiram ao Espírito Santo, e não que ficaram possessos. 0 crente em Jesus tem a promessa de Deus de que "o maligno não lhe toca" (1 Jo 5.18).
4. O homem segundo a Bíblia.
Jesus disse que "um espírito não tem carne nem ossos" (Lc 24.39). Se o espírito não tem carne nem ossos, logo se conclui que não é verdade que o homem seja um espírito. A Bíblia declara que Deus formou "o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gn 2.7). Isso mostra que o ser humano é uma combinação do pó da terra com o sopro de Deus. 0 Senhor Jesus se fez homem, pois "o verbo se fez carne" (Jo 1.14).

SÍNTESE DO TÓPICO III
Não há base bíblica para sustentar o Mapeamento Espiritual, a Maldição Hereditária e a Possessão Demoníaca do Cristão.

SUBSÍDIO BÍBLICO
"Entre estes dois momentos na narrativa está a estranha conversa entre Jesus e o endemoninhado, nos versículos 6 a 12. [...] No versículo 10 ('E rogava-lha muito que os não enviasse para fora daquela província'), então, de novo no versículo 12 (' E todos aqueles demônios lhe rogaram dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles'). A imagem está densamente acondicionada, com referências repetidas à submissão e humilhação.

Entrosado com a imagem de mesura está o fato de quem o demônio tenta ameaçar e dominar Jesus, deixando escapar o nome e o título do Senhor (v.7) e afirmando ser chamado por 'Legião', [...] porque somos muitos' (v.9). Talvez mais distintivo seja o uso que o demônio faz da linguagem de libertação ao se dirigir a Jesus: 'Conjuro-te por Deus que não me atormente' (v.7). Esta expressão é frase técnica usada por exorcistas no desempenho do exorcismo (e.g., At 19.13). Que estranho que tal linguagem fosse usada por um demônio'. E que esquisito que Jesus concedesse o pedido do demônio, no versículo 13. Estas imagens são fundidas num tipo de quebra-cabeça narrativo: Há algo mais do que os olhos percebem, mas o quê?

Esse 'algo mais' é a batalha pela alma humana. Na luta entre o povo da cidade, o homem e o demônio, está claro quem até agora tem vencido. O poder selvagem do endemoninhado é compendiado nas correntes quebradas e neste animal humano que se esquiva da sociedade, dilacera a própria carne e à noite uiva de agonia num cemitério.

O ponto é que Jesus não vê um animal humano, mas um ser humano, que foi saqueado por este espírito maligno e violento" (STRONSTAD, Roger; ARRTNGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.214-15).

CONCLUSÃO
Há necessidade de equilíbrio para que os exageros dessas aberrações doutrinárias não levem o crente ao ceticismo, porque a batalha espiritual existe e ninguém deve subestimá-la. Os fatos estão registrados na Bíblia, e nenhum cristão ousa negar essa realidade. Por outro lado, os crentes devem ter maturidade suficiente para não entrar no fanatismo, mas discernir entre o que é verdadeiramente espiritual e o que é manipulação esotérica.


PARA REFLETIR
A respeito de "Batalha Espiritual-A Realidade não Pode Ser Subestimada", responda:
              Os cristãos se opõem às forças malignas; como denominamos essa oposição dos crentes?
essa oposição dos crentes denominamos "Batalha Espiritual".

              Em que se baseia a doutrina do mapeamento espiritual?
A doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade.

              Por que as palavras do segundo mandamento do Decálogo não se aplicam à doutrina da maldição hereditária?
Essas palavras não podem se aplicar à doutrina da maldição hereditária porque, quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecera Deus.

              Qual a promessa do crente em Jesus que ele tem em Deus?
O crente em Jesus tem a promessa de Deus de que "o maligno não lhe toca" (1 Jo 5.18).
              O que se conclui do fato de o espírito não ter carne nem ossos?
Se o espírito não tem carne nem ossos, logo se conclui que não é verdade que o homem seja um espírito.