Lição 3 - SANTIDADE — REQUISITO PARA A CONQUISTA


 

TEXTO DO DIA

“E não profanareis o meu santo nome, para que eu seja santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o SENHOR que vos santifico.” (Lv 22.32)

SÍNTESE

A busca pela santidade é o requisito primordial para a preservação da salvação.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Hb 12.14 Santidade, um alvo a ser perseguido

TERÇA - 1 Pe 1.2 Santidade, um alvo do Espírito Santo em nós QUARTA - Gl 5.16-21Santidade para não dar lugar às obras da carne QUINTA - 2 Co 7.1 Santidade, uma virtude a ser aperfeiçoada

SEXTA - 1 Ts 4.3 Santidade, a vontade de Deus

SÁBADO- 1 Pe 1.16 Santidade, a essência de Deus

OBJETIVOS

  • DISCORRERa respeito da natureza das leis repetidas pelo Senhor no deserto do Sinai;

  • EXPLICARo teor da bênção sacerdotal, o valor espiritual das ofertas e a grandeza da consagração levítica;

  • DEMONSTRARa importância da comunhão com Deus no deserto.

INTERAÇÃO

Considerando que os encontros com seus alunos acontecem somente nos domingos, busque uma maior interação com eles durante toda a semana, por intermédio das redes sociais. A comunicação virtual pode ser bastante útil para estimular o estudo prévio da lição, como por exemplo-convidar os alunos faltosos para as aulas, parabenizar os aniversariantes, etc. Use sua criatividade, conquiste seus alunos, pois muitos deles estão ávidos pelo estudo da Palavra de Deus.

Ore e peça ao Senhor que lhe conceda estratégias para fortalecer o elo de amizade e comunhão com os alunos. Peça também sabedoria para cuidar daqueles que por ventura desfaleceram pelo caminho e estão sem forças para prosseguirem.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor (a), para desenvolver o primeiro tópico da lição, escreva no quadro a palavra “pureza”. Em seguida pergunte aos alunos o que vem a mente deles quando ouvem essa palavra. À medida que forem falando vá relacionando as palavras no quadro. Em seguida procure relacionar as palavras citadas pelos alunos e o significado delas.

Depois faça a seguinte indagação: “Qual é o antônimo de pureza?” Após reproduza o esquema abaixo no quadro e explique o significado real da palavra e o seu antônimo. Em seguida peça que leiam o Texto do Dia. Diga que Deus é santo e exige santidade dos seus filhos (as). Mostre que a falta de santidade impede a nossa comunhão, o nosso relacionamento com Deus.

PUREZA

SIGNIFICADO

ANTÔNIMO

Condição, estado ou qualidade do que é puro, límpido, não tem mistura ou impurezas.

Impureza, que não é ou não está limpo; coberto de sujeira.

TEXTO DO DIA

Números 7.1-7

1 E esta é a lei da expiação da culpa; coisa santíssima é.

2 No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor.

3 E dela se oferecerá toda a sua gordura, a cauda e a gordura que cobre a fressura;

4 também ambos os rins e a gordura que neles há, que está sobre as tripas; e o redenho sobre o fígado, com os rins, se tirará.

5 E o sacerdote o queimará sobre o altar em oferta queimada ao SENHOR; expiação da culpa é.

6 Todo varão entre os sacerdotes a comerá; no lugar santo se comerá; coisa santíssima é.

7 Como a oferta pela expiação do pecado, assim será a oferta pela expiação da culpa; uma mesma lei haverá para elas: será do sacerdote que houver feito propiciação com ela.

INTRODUÇÃO

Paulo disse que não se aborrecia em fazer as mesmas advertências, porque era segurança para os crentes (Fp 3.1). O Senhor, igualmente, no deserto do Sinai, depois de algumas providências administrativas, também repetiu várias leis (Nm 1 e 2). Deus estava advertindo os filhos de Israel que, para chegarem à Canaã, era preciso obedecerem à sua Palavra, o que propiciaria àquele povo o padrão de plenitude moral exigido pelo Senhor, conduzindo-os a um estado doutrinário e cultural marcado pela pureza — viveriam em santidade. Deus, naquele momento, estava apontando fortemente para a santidade dos hebreus, virtude sobre a qual não havia nenhum referencial no Egito; porém, agora, o Senhor expedira muitas determinações comportamentais. Os filhos de Israel, assim, tinham um grande desafio pela frente — o maior — serem santos. Se eles vencessem esta guerra interior contra o pecado, a Terra Prometida seria conquistada gloriosamente.

I - A REPETIÇÃO DE ADVERTÊNCIAS

  1. Pureza social.

O processo, ou caminho, para se chegar à santidade chama-se santificação. É uma estrada interminável. Somente quando se chegar ao Céu é que se alcançará a estatura de varão perfeito. Nesse sentido, os descendentes de Abraão tinham muito o que aprender.

Em Número 5.1-10 o Senhor tratou a respeito da pureza social. Deus, portanto, para proteger o seu povo, determinou que os contaminados pela lepra, ou por fluxo corporal ou por terem tocado num morto, fossem lançados fora do arraial; bem como tratou acerca da restituição de quem causasse prejuízo a outrem. O povo de Deus tinha de ter pureza em todos os aspectos. Assim, os hebreus deveriam se livrar de “toda a aparência do mal”, de tudo o que fosse prejudicial ao espírito, à alma ou ao corpo.

O cuidado de Deus era para que houvesse uma normatização justa das relações sociais. Dessa forma, os que aparentavam algum tipo de “contaminação” biológica deveriam ser apartados do povo até que ficassem purificados; e os que tivessem comportamento inadequado, restituíssem devidamente aos prejudicados. Não é demais lembrar de que, como diz 1 Coríntios 10.6: “E essas coisas foram-nos feitas em figura [...]”.

  1. Pureza nos relacionamentos.

Em Números 5.11-31 o Espírito do Senhor tratou a respeito da pureza no casamento. Essa lei era muito valiosa para as famílias, pois evitava que as esposas sofressem injúrias ou difamações levianas.

Na família de uma nação santa, os cônjuges precisavam viver em paz, sem acusações infundadas. Ainda que o procedimento prescrito por Deus pareça rudimentar, era o único compatível em face da dureza de coração dos hebreus, conforme Jesus mencionou (Mt 19.8).

  1. Pureza espiritual.

Em Números 6.1-21, Deus estabeleceu o padrão da pureza espiritual, para quem quisesse consagrar-se a Ele — o nazireado. Impressiona como, nos dias atuais, as pessoas querem servir a Deus de qualquer maneira. A mulher, de acordo com o texto sagrado, também podia fazer voto de nazireado (Nm 6.1,2).

Pense!

Na Igreja de Cristo, a mulher tem importantes tarefas na expansão do Reino de Deus.

Ponto Importante

Homens e mulheres são iguais perante Deus.

II - O CAMINHO DA CONSAGRAÇÃO

  1. A bênção de Deus.

O acampamento estava em ordem e os israelitas encontravam-se preparados para marchar. Nesse cenário, Deus relembrou algumas leis que versavam sobre a santidade do seu povo no aspecto social, relacional e espiritual (havia inúmeras outras leis, mas o Espírito Santo fez questão de repetir essas). Deus mostrara o caminho da consagração.

Num primeiro instante, “o SENHOR, que ama a prosperidade do seu servo” (Sl 35.27), ensinou que os sacerdotes deveriam abençoar os filhos de Israel da maneira mais ampla possível, de modo que o seu nome trouxesse proteção, presença e paz através das palavras proferidas pelos sacerdotes (Nm 6.24-26). Observa-se que, com a bênção sacerdotal, o Senhor vinculava seu nome, ou seja, seu caráter, ao povo de Israel.

Na oração do “Pai Nosso”, Jesus fez o mesmo quando ensinou seus discípulos a orarem dizendo: “[...] santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).

Quando, tempos depois, Balaão, o falso profeta, tentou amaldiçoar o povo de Israel, teve de pronunciar as seguintes palavras: “Não viu iniquidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó; o SENHOR, seu Deus, é com ele e nele, e entre eles se ouve o alarido de um rei. Deus os tirou do Egito; as suas forças são como as do unicórnio. Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!” (Nm 23.21-23). Somente uma coisa poderia trazer desgraça ao povo: o pecado. Enquanto o Senhor não contemplasse iniquidade em Israel, o seu meu nome estaria sobre os filhos de Israel, e Ele os abençoaria (Nm 6.27).

  1. A bem-aventurança do doar.

Os 88 primeiros versículos de Números 7 informam uma longa lista de ofertas trazidas em doze cultos, mencionando o dia em que cada um dos príncipes das tribos as deveria apresentar. Elas eram iguais, mas Deus — que não esquece do trabalho das mãos dos seus servos — fez questão de especificar as contribuições individualmente. O Senhor estava satisfeito com a voluntariedade do povo e, por isso, registrou tudo. Em consequência, no versículo seguinte está escrito a respeito da aprovação de Deus, ao se mencionar que “quando Moisés entrava na tenda da congregação para falar com o SENHOR, então, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do Testemunho entre os dois querubins; assim com ele falava” (Nm 7.89). Ele é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6). A questão relevante a respeito das ofertas dos israelitas não era a quantidade somente, mas também a voluntariedade e alegria com que eram trazidas.

  1. Obediência no chamado.

Em Números 8 o Altíssimo demonstra que o caminho da consagração do povo passa pela obediência ao chamado e, consequentemente, a purificação dos levitas. Interessante que, em primeiro lugar, o Senhor determina que Arão acenda as lâmpadas; uma vez o santuário iluminado, o ritual de purificação dos levitas, por Moisés, começaria. Tudo no santuário deveria ser feito às claras, sob a orientação de Deus.

Concluída a ordem divina, “[...] vieram os levitas, para exercerem o seu ministério na tenda da congregação, perante Arão e perante os seus filhos; como o SENHOR ordenara a Moisés acerca dos levitas, assim lhes fizeram” (Nm 8.22). Os levitas não podiam estar diante do povo pelas suas próprias justiças, mas somente após terem os pecados “cobertos” pelo sangue da expiação de um animal, que apontava para o sacrifício perfeito de Cristo. Com isso, eles foram aceitos diante de Deus, e o povo foi abençoado.

Pense!

Por que Deus estabeleceu tantas regras para receber a adoração do seu povo? Não poderia ser mais simples?

Ponto Importante

A Queda deixou tudo complicado para o homem. A única forma de resolver o problema do pecado era Deus assumi-lo em nosso lugar através de Jesus Cristo.

III - COMUNHÃO NO DESERTO

  1. Tempo de comunhão.

Os filhos de Israel estavam no deserto do Sinai; o censo já havia sido feito, e o lugar de cada tribo no acampamento já havia sido determinado. Então eles foram lembrados a respeito de algumas leis e Arão e os levitas foram consagrados. Agora, o Todo-Poderoso deseja abençoá-los e cultivar a comunhão com eles.

O capítulo 9 do livro de Números mostra uma nova etapa do relacionamento do povo com Deus. Para marcar esse tempo, Deus ordena: “No dia catorze deste mês, pela tarde, a seu tempo determinado a celebrareis; segundo todos os seus estatutos e segundo todos os seus ritos, a celebrareis” (Nm 9.3). Serão momentos de festa e alegria, mas as regras, os estatutos, também não poderiam ser esquecidos. Por que, então, há pessoas que querem servir a Deus sem se submeterem à normas ou regras?

  1. Exigência divina.

Em Números 9.6-13, vemos que Deus ordenou a celebração da Páscoa, porém alguns homens reconheceram que não estavam preparados para tal celebração. O que fazer? Deus respondeu que não dispensaria a adoração deles, providenciando, por isso, um dia alternativo para a comunhão, pois todos são importantes diante do Pai.

Impressionante como, por vezes, alguns cristãos deixam de participar da Ceia do Senhor por qualquer outro compromisso. Deus levava a festa da Páscoa (que Jesus celebrou como a ordenança da Ceia) tão a sério que, caso alguém faltasse sem justificativa plausível, deveria ser eliminado do povo.

  1. Igualdade dos adoradores.

Quando os hebreus saíram do Egito veio também uma multidão de pessoas gentias com eles. Deus, nesse momento de comunhão no deserto, lembrou-se delas: “E, quando um estrangeiro peregrinar entre vós e também celebrar a Páscoa ao Senhor, segundo o estatuto da Páscoa e segundo o seu rito, assim a celebrará; um mesmo estatuto haverá para vós, para o estrangeiro como para o natural da terra” (Nm 9.14). Há igualdade entre os adoradores, pois Deus não têm filhos prediletos. Aqueles que se achegam a Ele, independente de suas etnias, são recebidos alegremente pelo Pai amoroso.

Pense!

Por que o Senhor escolheu o deserto para ter comunhão com seu povo? Não teria sido melhor um lugar mais confortável?

Ponto Importante

Deus, às vezes, deseja que seus servos “reduzam a marcha” e sentem-se à mesa com Ele; neste caso, o deserto é o lugar ideal, porque lá tem poucas distrações.

SUBSÍDIO 1

As ofertas dos príncipes (Nm 7.1-9).

Aqui está a oferta dos príncipes das tribos para o serviço do Tabernáculo. Quando isto ocorreu: Não antes que o Tabernáculo tivesse sido completamente erigido. Quando todas as coisas já estavam concluídas, no Tabernáculo, e o arraial de Israel, que o rodeava, estava de acordo com as instruções recebidas, então eles, trouxeram seus presentes, aproximadamente no oitavo dia do segundo mês. Observe que as cerimônias necessárias sempre devem tomar o lugar das ofertas voluntárias: primeiramente, aquelas, e então, estas.

Quem os oferecia: Os príncipes de Israel, os cabeças da casa de seus pais, v. 2. Observe que aqueles que estão acima de outros, em poder e dignidade, devem ir à frente deles, e esforçar-se para ir além deles, em tudo o que é bom. Quanto mais alguém é promovido, mais se espera dele, por causa da maior oportunidade que tem de servir a Deus e à sua geração. Para que servem a riqueza e a autoridade, se não para capacitar um homem a fazer o bem ao mundo, em muito maior quantidade?

O que foi oferecido: Seis carros cobertos, cada um deles com um jugo de bois que o puxava, v. 3. Sem dúvida, estes carros estavam em conformidade com os demais utensílios do Tabernáculo, e seus acessórios, os melhores do seu gênero, como as carruagens que os grandes príncipes usam quando saem em seus desfiles” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico: Antigo Testamento, Gênesis a Deuteronômio. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp. 459,460).

SUBSÍDIO 2

Através de Abraão e sua semente, Deus formaria uma nação sagrada, pela qual sua glória seria manifestada em toda a terra. Ele deu a essa nação um conjunto de leis e normas únicas e gloriosas para viver; princípios maravilhosos de santidade e divindade que seus filhos deveriam obedecer com todo coração, alma, mente, força, pois eles amavam o autor. A glória de Deus seria revelada através das bênçãos que Ele conferiu ao seu povo obediente. Porém, a desobediência levaria à disciplina e o castigo [...].

Sabemos o que aconteceu. Israel preferiu desobedecer [...]. A falta de santidade conduz à inutilidade do Reino de Deus. Sempre foi assim, e sempre será. A santidade é para um cristão o que a segurança contra a água é para um navio. Mas o objetivo de um navio de guerra não é simplesmente manter a água fora do seu casco. Seu propósito é entrar na guerra, lutar e trabalhar para conseguir a vitória. Não entrar na batalha torna o navio inútil à nação que o construiu, e o cristão que não entra na guerra pelas almas dos homens torna a crença inútil. Ele deve se envolver na batalha para a qual o Pai o chamou (DANIELS, Robert. Pureza Sexual. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD: 2011, pp. 41,42,47,50).


CONCLUSÃO

Deus criou mecanismos para que os hebreus entrassem pelo caminho da perfeição moral e da pureza, mas eles, ao contrário, amaram os deleites do Egito. Se a busca pela santidade tivesse se tornado a coisa mais importante para eles, o fim da história dos que atravessaram o mar Vermelho seria diferente. Com isso, é pertinente inquirir: “O que é mais vantajoso: viver em santidade ou em constante anelo pelos desejos carnais?”

HORA DA REVISÃO

  1. Segundo a lição, qual era o maior desafio dos hebreus?

O maior desafio dos hebreus era ser um povo santo.

  1. Segundo a lição, quais os três tipos de pureza que Deus exigia com urgência do povo?

Pureza social, relacional e espiritual.

  1. Onde está escrito que “contra Jacó não vale encantamento”?

Números 23.23.

  1. Qual foi a primeira festa celebrada no deserto do Sinai?

A Páscoa.

  1. Qual o castigo para quem faltasse à celebração da Páscoa sem existir uma justa causa?

Seria eliminado do povo.

 

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula: 20/01/2019 

Lição 2 – OS PREPARATIVOS PARA A CONQUISTA

TEXTO DO DIA

“Os filhos de Israel assentarão as suas tendas, cada um debaixo da sua

bandeira, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, defronte

da tenda da congregação, assentarão as suas tendas.” (Nm 2.2)

SÍNTESE

O povo de Deus deve viver em unidade, santidade, e também deve conhecer sua força e preparar-se para os embates da vida; sabendo, especialmente, que a vitória vem do Senhor.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Pv 21.31: O cristão deve se preparar para a batalha

TERÇA - At 17.30: Deus não leva em conta os tempos da ignorância

QUARTA - 1 Co 14.40: O cristão deve fazer tudo com decência e ordem

QUINTA - Hb 11.24: O cristão precisar reconhecer a quem pertence

SEXTA - At 20.24: O cristão deve ter uma vida de serviço

SÁBADO - 1 Pe 1.16: O cristão deve ter uma vida de santidade

OBJETIVOS

  • APRESENTARo modelo social criado por Deus para os hebreus;

  • EXPLICARcomo se deu o processo da formação da identidade nacional;

  • MOSTRARo cuidado de Deus para com a vida espiritual dos hebreus ainda no deserto.

INTERAÇÃO

Professo (a), é imprescindível que haja um bom relacionamento entre os docentes de uma mesma classe, pois isso influencia diretamente no trabalho a ser realizado, como veremos nesta lição. Assim, a interação com seu (s) colega (s) docentes, logo no início do trimestre, será importantíssimo, a fim de ouvir e sugerir novas ideias, discutir o tema da revista, desenvolver estratégias e atividades para a classe. Invista tempo na construção de laços de amizades “em volta da Arca da Aliança”, pois trará um senso de propósito, unidade e pertencimento ainda mais forte. Com isso, será possível realizarem muito mais pela classe, uma vez que, ao planejar as atividades do trimestre e dividir as tarefas entre todos, ninguém ficará sobrecarregado e o trabalho será bem mais produtivo e dinâmico.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Caro (a) professor(a), é importante que você utilize recursos didáticos em suas aulas, pois eles facilitam a aprendizagem. Por isso, procure apresentar gravuras a respeito dos costumes daquele tempo, tanto em Israel como no Egito, local da formação cultural daqueles mais de dois milhões de ex-escravos. Também é interessante a exibição de pequenos vídeos extraídos da internet, tudo isso para contextualizar, ainda mais, os alunos. Certamente será muito estimulante, para eles, compreenderem as circunstâncias históricas da lição. Faça, com criatividade que Deus lhes concedeu, com que seus alunos passem entre as tendas do acampamento hebreu. Ore, peça a Deus estratégias para que cada lição alcance a mente e o coração dos seus alunos.

TEXTO BÍBLICO

Números 1.1-4, 18,19, 52,53

1 Falou mais o SENHOR a Moisés, no deserto do Sinai, na tenda da congregação, no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito, dizendo:

2 Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas gerações, segundo a casa de seus pais, conforme o número dos nomes de todo varão, cabeça por cabeça;

3 da idade de vinte anos para cima, todos os que saem à guerra em Israel, a estes contareis segundo os seus exércitos, tu e Arão.

4 Estará convosco de cada tribo um homem que seja cabeça da casa de seus pais.

18 e ajuntaram toda a congregação no primeiro dia do segundo mês, e declararam a sua descendência segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais, pelo número dos nomes dos de vinte anos para cima, cabeça por cabeça;

19 como o SENHOR ordenara a Moisés, assim os contou no deserto do Sinai.

52 E os filhos de Israel assentarão as suas tendas, cada um no seu esquadrão e cada um junto à sua bandeira, segundo os seus exércitos.

53 Mas os levitas assentarão as suas tendas ao redor do tabernáculo do Testemunho, para que não haja indignação sobre a congregação dos filhos de Israel; pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do Testemunho.

INTRODUÇÃO

Os israelitas permaneceram no deserto do Sinai (após a história narrada em Êxodo), mas o lugar da manifestação de Deus tinha migrado do monte para a planície do deserto (Nm 3.14), onde estava o tabernáculo (erguido um mês antes - Êx 40.17; Nm 1.1). Nesse cenário, Deus levantou líderes para guiar o seu povo: Moisés, Arão (Nm 1.1,3) e um líder de cada tribo de Israel (Nm 1.4).  O Senhor mencionou-os nominalmente (Nm 1.5-15), declarando, que eles seriam “príncipes das tribos de seus pais” (Nm 1.16).

Os hebreus tinham potencial para conquistar o território de Canaã, mas lhes faltou humildade, obediência e fé, para seguirem até o fim. Todos aqueles líderes, nomeados por Deus, e seus companheiros, morreram no deserto. Começaram bem, mas terminaram mal. Por isso, os fatos narrados em Números devem ser cuidadosamente observados, pois trazem graves advertências para todos.

I - CRIANDO A ORDEM SOCIAL

  1. Censo para a guerra.

O livro de Números começa com o Senhor determinando a contagem dos israelitas aptos para a guerra, expressão repetida várias vezes em Números 1. O Senhor estava revelando, assim, que haveria guerras, pois os inimigos continuariam colocando obstáculos ao projeto de Deus, aliás, os israelitas já tinham lutado e vencido uma batalha contra os amalequitas (Êx 17.8-16).

Interessante que, mesmo com a promessa de Deus “[…] a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos” (Gn 22.17), Israel precisava conhecer sua força militar e preparar-se para os embates futuros; crendo que o Senhor daria força, estratégia, e desenvoltura belicosa para guerrear e vencer os inimigos. Eles só não poderiam ficar inertes, pois a Terra Prometida seria conquistada com muito esforço. Definitivamente, a vida dos servos de Deus nunca foi, nem nunca será fácil.

  1. Censo sem discriminação.

Observa-se que a iniciativa do censo foi de Deus e não de Moisés (Nm 1.1,2). O Senhor anelava que eles se credenciassem, que assumissem a posição de guerreiros, afinal não eram mais escravos. Os que se sentissem aptos para o alistamento seriam agregados ao exército de Israel. Deus usaria a todos que se dispusessem a lutar.

O censo não seria feito levando em consideração a posição econômica, a intelectualidade, a força física ou outros requisitos; o objetivo era conhecer o número de jovens, “da idade de vinte anos para cima, capazes de sair à guerra em Israel” (Nm 1.2,3). Ninguém apto seria desprezado, demonstrando o princípio segundo o qual toda pessoa “nascida de novo” é um instrumento de Deus, pois certamente recebeu algum talento do Senhor (Mt 25.14-30).

  1. Senso organizacional.

Depois de fazer o censo, o Senhor ordenou como as tribos deveriam ser distribuídas no acampamento: a Norte, Sul, Leste e Oeste do tabernáculo, quer quando estivessem acampados, quer quando estivessem em marcha (Nm 2.1- 32). É impressionante como, ao longo das Escrituras Sagradas, Deus demonstrou ser extremamente detalhista e organizado. O improviso não faz parte do Reino de Deus. A descendência e o nome das famílias era importante para Deus, por isso foram contados nominalmente (Nm 1.18). A posição geográfica das tribos também foi determinada por Deus, certamente observando o número de pessoas em cada família. Isso nos mostra que o Senhor tem cuidado pelo seu povo e por sua obra, nada acontecendo por acaso ou coincidência. Deus sempre tem o controle de tudo e nenhum dos seus propósitos pode ser impedido (Jó 42.2).

Pense!

Se Deus não é afeito a improvisos, por que, às vezes, Ele age surpreendentemente, quebrando a ordem e frustrando expectativas?

Ponto Importante

Deus sempre tem um plano, e Ele nunca erra. As surpresas são apenas

para os homens que não conhecem a mente do Senhor. Ele, porém, já conhece o fim desde o começo.

II – CONSTRUINDO A IDENTIDADE NACIONAL

  1. Senso de pertencimento.

Ao analisar as determinações divinas, nos primeiros capítulos de Números, observa-se que Deus mostrou interesse com o senso de pertencimento social dos hebreus. Devido ao longo período em que viveram no Egito, esse censo foi eventualmente fragmentado. Assim, Deus determinou que as pessoas acampassem “junto ao seu estandarte, segundo as insígnias da casa de seus pais” (Nm 2.2). O senso de pertencimento deveria nortear todos.

A vida no acampamento deveria ser notoriamente comunitária, sem espaço para egocentrismos ou egoísmo, pois o Senhor já havia ordenado: “[…] amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19.18). Cada clã deveria funcionar no afã de fazer o bem aos seus integrantes, mas também aos vizinhos, tudo em santidade e constante adoração a Deus, tendo o tabernáculo ao centro. Nas festas, nos descansos, nas viagens, nas guerras, as tribos sempre deveriam estar juntas. Afinal, onde existe amor, existe milagre! Quando Deus preside um ajuntamento, essa regra é imutável.

  1. Senso de serviço.

O livro de Gênesis mostra o homem perdendo a comunhão com Deus; no livro do Êxodo, a humanidade reencontra o caminho da comunhão; em Levítico, o homem é ensinado a respeito da verdadeira adoração e em Números, é ensinado a servir. Um novo comportamento começava a surgir, representado na expressão: “Assim fizeram os filhos de Israel; conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim o fizeram” (Nm 1.54).

Os filhos de Israel estavam acostumados a servir por obrigação, debaixo do jugo egípcio, mas agora eles deveriam aprender a servir uns aos outros em amor. Especialmente os levitas, que não trabalhavam secularmente e deveriam ser mantidos pelas demais tribos, bem como, e sobretudo, em relação ao santuário do Senhor. Isso seria uma bênção, já que, por intermédio do serviço ao próximo, e a Deus, as pessoas são aperfeiçoadas, pois, à proporção que elas se doam, em amor, vão morrendo um pouco mais para seus egoísmos e vaidades, e são vivificadas para com Deus. Os hebreus precisavam aprender a servir a Deus e ao próximo.

  1. Senso de reverência sacerdotal.

Deus escolheu a tribo de Levi como a sua propriedade particular, fazendo com que seus membros não trabalhassem, nem fossem à guerra, mas que cuidassem exclusivamente da manutenção e das celebrações do santuário. Isso, possivelmente, foi um choque cultural para aquela nação de ex-escravos. Entretanto, em nenhum momento do Pentateuco, registra-se qualquer tipo de incômodo contra esse “privilégio” levítico. A distinção estabelecida por Deus foi plenamente admitida, conforme está escrito: “[…] conforme tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés acerca dos levitas, assim os filhos de Israel lhes fizeram” (Nm 8.20).

Dessa forma, em regra, as demais tribos reverenciavam a função sacerdotal da tribo levítica, não obstante tenham se rebelado especificamente contra Moisés e Arão em algumas oportunidades.

Pense!

A construção da identidade nacional dos filhos de Israel aconteceu por contingências sociais ou por intervenção divina?

Ponto Importante

Todos os detalhes que levaram à construção da identidade dos filhos de

Israel como nação foram estabelecidos diretamente por Deus; concluindo, assim, que foi um grande milagre.

III – CUIDANDO DA VIDA ESPIRITUAL

  1. A importância dos levitas.

Antes de conquistar a Terra Prometida, Deus determinou um levantamento numérico dos guerreiros, organizou o acampamento e mostrou como seriam os deslocamentos. Ele incutiu na mente do povo o senso de pertencimento social e a necessidade do serviço no tabernáculo e ao próximo, além de criar um serviço de assistência aos levitas. Assim, em linhas gerais, a vida social e político-administrativa dos filhos de Israel estava bem encaminhada formalmente, mas ainda precisavam ser estabelecidos alguns princípios religiosos. Para o ensino e a função sacerdotal, o Senhor escolheu a tribo de Levi (Nm 3.11,12). Isso era de vital importância, pois os hebreus precisavam ser ensinados a respeito da Lei do Senhor, recentemente dada no Sinai, para que vivessem em serviço e santidade, pois só assim teriam uma jornada vitoriosa.

  1. Vida espiritual no centro.

Em Números 2.2 Deus determinou que a “tenda da congregação” ficasse localizada no meio do acampamento, quer o arraial estivesse em deslocamento, quer não, obviamente por ser aquele o lugar mais protegido e importante. O Senhor estava mostrando ao povo que a vida espiritual (representada pelo santuário móvel) constituía-se no bem mais precioso daquela jornada, por isso deveria estar no centro.

Eles deveriam ter levado aquela verdade a sério, pois nela residia toda a esperança de sucesso, enquanto nação, daqueles ex-escravos. Deus estava ensinando que a vitória acha-se em permitir que o Senhor ocupe o lugar mais nobre — o centro de tudo. Estratégia, planejamento operacional, coragem, força e capacidade intelectual são importantes, mas o segredo da prosperidade — para o crente — está em entregar a Deus o primeiro lugar na vida (Mt 6.33).

  1. Vivendo para servir.

Quando os filhos de Israel saíram do Egito não tinham regras a seguir, mas agora o Senhor ensinava um novo padrão doutrinário e cultural que eles deveriam adotar. Era o início, o nascedouro da cosmovisão judaico-cristã.

O Senhor estabeleceu muitas (e detalhadas) regras para que, por elas, o povo desenvolvesse uma vida plena de santidade e serviço. Não é por acaso que entre os capítulos 3 e 9 de Números, o Espírito Santo ensinou inúmeras condutas que envolviam tanto a celebração cultual como o dia a dia do povo, — Deus estava deixando muito claro sobre a necessidade de os hebreus viverem no centro da sua vontade.

Pense!

Os israelitas estavam preparados para seguir um novo padrão de comportamento como o ditado no Monte Sinai?

Ponto Importante

As leis dadas por Deus, no Sinai, não eram duras, mas justas e visavam evitar que os hebreus morressem no deserto.

SUBSÍDIO

“Você já percebeu que tudo depende da visão? O saudoso reverendo Myles Munroe ensinava que ‘o maior dom que Deus deu ao homem não foi o dom da vista, mas o dom da visão. A vista é uma função dos olhos, mas a visão é uma função do coração. Com a vista vemos o que é, mas com a visão vemos o que poderia ser. Com a vista enxergamos apenas o que está diante dos nossos olhos. Com a visão enxergamos além do que nossos olhos físicos podem ver’. O apóstolo Paulo nos orienta a não viver por vista, mas sim por fé, ou seja, pela visão que nos é dada por Deus.

Um líder sem visão é fadado ao fracasso. Onde não há visão o povo perece. É fantástico aprender do próprio Cristo a importância de se tornar um líder com visão. O primeiro passo de um líder cristão que deseja ser um visionário, é uma entrega total ao Senhor. Somente uma vida de intimidade e total dependência de Deus podem consolidar os direcionamentos certos para uma liderança eficaz. Se o líder busca em Deus a sabedoria para construir seus projetos não há como as coisas saírem erradas” (LINS, Luaran. Chamados para Liderar: Um Guia Prático para Líderes de Adolescentes e Jovens. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.17).


CONCLUSÃO

Como visto, os preparativos da viagem no deserto incluíam organização, estratégia, sentimento de unidade entre as tribos, mas, principalmente, o desenvolvimento de um profundo senso de compromisso do povo com Deus e a sua Palavra. O Senhor tinha chamado o seu filho do Egito e, por isso, estava ensinando-o a andar e dando-lhe mantimento, mas quanto mais o atraía, mas se ia de sua face (Os 11.1-4).

HORA DA REVISÃO

  1. Os fatos estudados nesta lição aconteceram em qual lugar?

No deserto do Sinai.

  1. O censo mencionado em Números 1.1 foi determinado por Deus quanto tempo após o término da construção do tabernáculo?

Um mês.

  1. Segundo a lição, a concordância do povo em relação ao sacerdócio levítico ficou demonstrada em qual texto bíblico?

Números 8.20.

  1. Segundo a lição, qual a importância dos levitas?

Os hebreus precisavam ser ensinados sobre a Lei do Senhor, por meio dos sacerdotes e levitas, para que o povo não morresse no deserto e pudesse entrar em Canaã.

  1. Por que razão há leis ao longo do livro de Números?

O Senhor estabeleceu muitas (e detalhadas) regras para que, por elas, o povo desenvolvesse uma vida plena de santidade e serviço.

 

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula: 13/01/2019

Lição 1 - O LIVRO DE NÚMEROS — CAMINHANDO COM DEUS NO DESERTO



TEXTO DO DIA

“Ora, tudo isso Lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10.11).

SÍNTESE

A peregrinação dos hebreus pelo deserto, rumo à Canaã, por aproximadamente 40 anos, revela Lições importantes para a igreja da atualidade.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA- Sl 29.8: A voz do Senhor faz tremer o deserto

TERÇA - Sl 68.7: Deus caminha com o povo no deserto

QUARTA - Sl 78.15,16: Deus, no deserto, faz brotar água da rocha

QUINTA - Sl 78.19: O povo duvida de Deus no deserto

SEXTA – Sl 136.16: Deus guia seu povo pelo deserto

SÁBADO - Jo 6.49,51: Cristo, o pão vivo que desceu no deserto

OBJETIVOS

  • APRESENTARum panorama geral do livro de Números;

  • EXPLICARa natureza das experiências vivenciadas pelo povo Israel na sua peregrinação peto deserto;

  • MOSTRARcomo Cristo aparece tipologicamente no livro de Números.

INTERAÇÃO

O livro de Números nos mostra a caminhada do povo de Deus pelo deserto rumo à Terra Prometida. Seus alunos terão a oportunidade de compreenderem a vontade do Senhor para o seu povo, enquanto analisam os percalços dos hebreus pelo deserto. As vitórias, derrotas e Lutas dos hebreus servem como exemplo para os cristãos da atualidade, pois estamos também caminhando rumo à Canaã Celestial.

O comentarista do trimestre é o pastor Reynaldo Odilo Martins Soares. Ele é natural e reside no Rio Grande do Norte - Natal. O pastor Reynaldo é juiz de direito, bacharel em Teologia e em Direito, especialista em Direito Processual Civil e Penal, mestre e doutorando em Direito pela Universidade do País Vasco, Espanha. Tem diversas obras editadas pela CPAD.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Estimado (a) professor (a), é um privilégio ser vocacionado e selecionado por Deus para ensinar as Sagradas Escrituras. Por isso, esforce-se, inspire-se, ore, jejue, estude (utilizando todas as ferramentas disponíveis, inclusive o Livro da lição) - seja um instrumento de Deus para esta geração. Apesar do imenso desafio inerente a essa tarefa, somado às muitas atividades do dia a dia, o Senhor não tem lhe deixado só, antes, tem levantado você como professor (a) da juventude. Dedique-se ao seu ministério e invista nele. O Mestre dos mestres é o maior interessado no êxito desta obra e Ele lhe ajudará. Caminhar com Deus pelo deserto desta vida é a experiência mais gratificante de todas. Boa viagem!

TEXTO BÍBLICO

1 Coríntios 10.1-11

1 Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem; e todos passaram pelo mar,

2 e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar,

3 e todos comeram de um mesmo manjar espiritual,

4 e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.

5 Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto.

6 E essas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.

7 Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber e levantou-se para folgar.

8 E não nos prostituamos, como alguns deles fizeram e caíram num dia vinte e três mil.

9 E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram e pereceram pelas serpentes.

10 E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor,

11 Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.

INTRODUÇÃO

Com a ida da família de Jacó para o país mais rico da época, a fim de escapar da fome, os hebreus prosperaram grandemente. A prosperidade do povo de Deus, no Egito, fez com que ele passasse a ser considerado uma ameaça social e política. Os hebreus tornaram-se escravos e sofreram muito debaixo do jugo de Faraó. Mas Deus, por intermédio de Moisés, Libertou os israelitas da escravidão e, após a travessia do mar, guiou-os pelo deserto, rumo à Terra Prometida. Entretanto, primeiro, era necessário passarem pelo Sinai, para que recebessem a Lei, pois precisavam de parâmetros civis, morais e espirituais para se estabelecerem como uma nação. Depois de caminharem pelo deserto por cerca de 40 anos, quando toda aquela geração adulta que houvera sido escravizada morreu, eles chegaram ao seu destino final. Diferentemente de outros povos, os hebreus não sucumbiram diante de Faraó e das muitas aflições do deserto. Deus queria preservá-Los para si, pois havia prometido que, deles, descenderia o Salvador do mundo.

I - O LIVRO DE NÚMEROS

  1. Números ou “no deserto".

Ao traduzir o Antigo Testamento para o grego (tradução chamada Septuaginta), um grupo de setenta sábios denominou o terceiro livro do Pentateuco de “Números", por conta dos dois recenseamentos mencionados na obra. Na Bíblia hebraica, entretanto, o livro tem como titulo “no deserto”, expressão extraída do texto de Números 1.1 ("Falou mais o SENHOR a Moisés, no deserto”). A maioria dos fatos, nele narrados, se desenvolveram "no deserto”. As duas titulações possuem justificativas plausíveis e, sob o prisma da didática, têm grande importância; por isso, ao Longo das lições, ambas serão utilizadas.

  1. Considerações preliminares.

Alguns eruditos defendem que o livro de Números poderia ser chamado de “peregrinação no deserto”, “livro das caminhadas”, “livro das murmurações", “o livro do deserto", dentre outros, por narrara caminhada que Israel fez, sob a liderança de Moisés (que o escreveu), por volta do ano 1440 a 1400 a.C., segundo a maioria dos estudiosos. A palavra "deserto” aparece em Números quase 50 vezes, — a maior frequência nos escritos bíblicos.

A Bíblia declara expressamente que a narrativa de Números traz lições objetivas para nós que vivemos “nos fins dos séculos”, conforme 1 Coríntios 10.11. Assim, o jovem cristão, no dia a dia, quando se deparar com um convite à prostituição, idolatria, murmuração, rebelião, deve rapidamente se lembrar — como recomenda a Palavra profética — de uma geração que morreu “no deserto”, porque cedeu às inclinações carnais e aos apelos mundanos.

O Senhor Deus, séculos depois, de maneira poética, usou Oseias para descrever, com precisão, o que aconteceu: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face [...]. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento" (Os 11.1-4).

  1. Relevância contemporânea. 

O livro de Números traz, de um lado, a dureza de coração de um povo composto por ex-escravos escolhidos para se tornarem príncipes — os quais morreram no deserto — e, de outro, a longanimidade e o amor de um Deus santo e justo que, diariamente, alimentava, cuidava, instruía, protegia e guiava pessoas que, mesmo assim, dia após dia, se tornavam ainda mais obstinadas, desobedientes, rebeldes, incrédulas e ingratas. O livro narra também o surgimento de uma nova geração, a partir do segundo censo, que seria introduzida em Canaã, sob o comando de Josué.

O livro de Números não é um dos mais comentados da cristandade, porém possui inestimável valor histórico e espiritual ao trazer a narrativa das minúcias da caminhada pelo deserto e, por isso, constitui-se em um verdadeiro tratado a respeito do relacionamento entre Deus e o seu povo, de onde se pode extrair um riquíssimo tesouro teológico para a atualidade!

Pense!

Como explicar que o povo hebreu conseguiu sua liberdade, do opressor jugo egípcio, sem precisar guerrear? Contingências políticas, sorte ou milagre?

Ponto Importante

Deus, “com mão forte e braço estendido", libertou os israelitas da escravidão. Um verdadeiro milagre em todos os sentidos!

II - AS EXPERIÊNCIAS NO DESERTO

  1. Deserto, lugar de caminhada.

Um dos significados de deserto é “terra inabitada"; mas a Bíblia diz que Deus estabeleceu a Terra para que fosse habitada (Is 45.18). Portanto, o deserto não é um lugar de moradia, mas de caminhada, lugar de passagem, de transição.

Deus mostrou aos hebreus que, ao conduzi-los até Canaã, guiou-os por um grande e terrível deserto de serpentes ardentes, escorpiões e terra seca, em que não havia água (Dt 8.15). O objetivo do Senhor era humilhar e prová-los, para saber o que estava nos seus corações, e se guardariam os mandamentos ou não (Dt 8.2), Deus queria, dessa forma, que a caminhada do deserto nunca fosse esquecida pelos hebreus, pelo aprofundamento do relacionamento com o Senhor.

  1. Deserto, lugar de treinamento.

A caminhada pelo deserto sacudiu as estruturas morais e psicológicas dos hebreus, sendo que ali foi revelado o caráter deles, desnudadas as intolerâncias, exposta a espiritualidade. Jesus, também, antes de começar seu ministério, foi. pelo Espírito Santo, conduzido ao deserto para ser experimentado. Ninguém está livre desse período de caminhada, no qual, à proporção que a escassez se manifesta, Deus treina seu povo.

Atribui-se a William Shakespeare a seguinte frase: “Quando o mar está calmo, qualquer barco navega bem". Parafraseando: “Sem problemas e pressões, qualquer pessoa reage com tranquilidade", mas isso não traz nenhum mérito! As pessoas (como os barcos) foram feitas para abrirem caminhos nos mares tempestuosos da existência! Assim, se os indivíduos (como os barcos) nunca forem testados em condições de estresse, nunca serão confiáveis, pois, em regra, as longas travessias apresentam muitos perigos.

  1. Deserto, lugar de milagres.

Está escrito que Deus fez “prodígios e sinais na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por quarenta anos" (At 7.36). No período de maior provação da descendência de Abraão, o amigo de Deus, existiram abundantes milagres. Quando ia faltar água, ou comida, sempre havia uma provisão extraordinária. As roupas e os sapatos dos israelitas, milagrosamente, não se desgastavam, mesmo debaixo de um sol causticante (Dt 8,4).

O fato é que, ao longo de quase 40 anos de caminhada no deserto, nenhum deles morreu de sede ou fome, ou ficou sem roupa ou calçado. Disse Jesus: “Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?” (Mt 6.30,31).

Pense!

Como entender o propósito de Deus em fazer com que um povo, que Ele diz amar, passar pelo deserto, para ser humilhado?

Não seria isso um contrassenso?

Ponto Importante

Quem ama de verdade não se contenta em ter o objeto do seu amor de qualquer forma, mas da melhor forma! Para isso, a experiência do deserto é indispensável.

III - CRISTO NO DESERTO

  1. A pedra que os seguia.

A constatação mais confortante de toda a travessia de décadas pelo deserto é a de que Cristo estava ali, com o hebreus, em todo o tempo. Jesus Cristo era a “pedra espiritual que os seguia” (1 Co 10.4).

A expressão bíblica demonstra todo cuidado e carinho de Deus por seu povo, A vida neste mundo, portanto, só prossegue pela abundante graça e misericórdia divina, Pois. Deus conhece a desobediência do seu povo, mas mesmo assim, continua a nos suportar, e nos acompanhar, pacientemente, todos os dias. É por causa dEle — Cristo Jesus — que não sucumbimos! “Glória, pois, a ELe, eternamente” (Rm 11.36).

  1. O maná.

Em João 6.48-51, Jesus se identificou como o maná que alimentou os israelitas no deserto pelo tempo da peregrinação. Interessante que, a princípio, eles aceitaram aquela provisão diária de comida, entretanto, posteriormente, o povo não teve mais vontade de comê-la. Então, começaram a chamar o maná de “pão tão vil” (Nm 21.5)   . Mesmo com todo esse desprezo, todas as manhãs, por quase 40 anos, continuou “chovendo" comida da parte de Deus. Quanta humildade e bondade da parte do Senhor!

Não é, porventura, o que acontece cotidianamente nos dias atuais? Muitas pessoas, inclusive cristãs, desprezam e ridicularizam a bendita Palavra de Deus, preferindo os “pratos da culinária do velho Egito, cheios de temperos que fazem mal"? Ainda assim, o Senhor, cheio de compaixão, continua batendo à porta e dizendo: Eu quero cear com vocês (Ap 3.20).

  1. A serpente de bronze (Jo 3.14).

Em João 3.14, Jesus declara que a serpente de bronze que foi Levantada, por Moisés, no deserto, era um tipo dEle. Esse objeto de metaL era a alternativa de cura para todos aqueles que fossem mordidos pelas serpentes venenosas. A desobediência do povo suscitou aquele juízo divino. Isso revela que o deserto é um lugar perigoso, mas se o caminhante estiver sempre olhando para Cristo, não sofrerá dano irreversível, mortal, ainda que, ocasionalmente, sofra algum revés.

Pense!

Será que se pode acreditar, de fato, que o Deus que conduziu seu povo ao deserto para o humilhar está, realmente, com ele todos os dias?

Ponto Importante

Os tipos de Cristo, durante a travessia pelo deserto, demonstram claramente o cumprimento da promessa: “Não te deixarei, nem te desampararei" (Hb 13.5).

SUBSÍDIO 1

“[...] todo material em Números — ritualístico, legal, narrativo e até mesmo as informações estatísticas — giram em tomo do tema universal da santidade, Childs observa: 'Apesar da diversidade de assuntos e da complexa estrutura literária, o livro de Números mantém uma interpretação sacerdotal unificada da vontade de Deus para o seu povo, a qual é exposta em um nítido contraste entre o santo e o profano’. Sinto-me mais inclinado a aceitar a avaliação de Childs que a defendida por aqueles que veem Números como uma coletânea aleatória de materiais

A primeira parte cobre a geração de israelitas que saiu do Egito, dos quais ninguém conseguiu chegar a Canaã (com exceção de Josué e Calebe). Pereceram no deserto por causa de sua incessante desobediência e pecaminosidade. A outra parte cobre a geração que nasceu no deserto, segunda geração, os quais entrariam em Canaã sob a liderança de Josué e para quem Deuteronômio foi escrito. Assim, para Olson, Números fala sobre a morte do que é velho (1 - 25) e o nascimento do que é novo (26-36), com Deus tendo de começar novamente" (HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp, 350,351).

SUBSÍDIO 2

Números 1

Moisés, tendo assim provido o que se referia ao culto a Deus e ao governo do povo, voltou a sua atenção para o que concernia à guerra, pois estava prevendo que a nação teria grandes lutas a sustentar, e começou por ordenar aos príncipes e aos chefes de tribos, exceto à de Levi, que fizessem um recenseamento exato de todos os que estavam em condições de pegar em armas [...]. Feito o recenseamento, constataram que 603.650 eram aptos. No lugar da tribo de Levi, Moisés pôs Manassés, filho de José, no número dos príncipes das tribos e Efraim no lugar de seu pai, José, segundo o que vimos, pois Jacó pedira a José que ele desse os dois filhos em adoção. O tabernáculo foi colocado no meio do acampamento, e três tribos postaram-se de cada lado, com grandes espaços entre elas. Escolheram um grande lugar para instalar o mercado, onde seria vendida toda espécie de mercadoria. Os negociantes e os artífices foram estabelecidos em suas tendas e oficinas com tal ordem que parecia uma cidade. Os sacerdotes e depois deles os levitas ocupavam os lugares mais próximos do tabernáculo. (JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: De Abraão à Queda de Jerusalém, 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 188).


CONCLUSÃO

O livro de Números retrata, de forma diversificada, os altos e baixos do relacionamento entre o povo de Israel e o Criador, durante a caminhada pelo deserto. Revela também as constantes advertências do Senhor a respeito da necessidade de santidade! Podemos perceber que é perigoso viver fora do padrão do Senhor, e que é uma bênção ter um coração alinhado ao dEle, como aconteceu com os crentes Josué e Calebe.

HORA DA REVISÃO

  1. O quarto livro do Pentateuco é denominado, na Bíblia hebraica, por qual nome? De qual capítulo e versículo retiraram o título?

“No deserto.” Números 1.4,

  1. Cite outros três nomes que poderiam ter sido dados ao Livro de Números.

“Peregrinação no Deserto", “Livro das Caminhadas" e “Livro das Murmurações".

  1. Conforme a Lição, por que o deserto pode ser considerado um lugar de treinamento?

Porque a caminhada no deserto sacode as estruturas morais e psicológicas do indivíduo, sendo que ali é revelado o seu caráter, desnudadas as intolerâncias, e exposta a sua espiritualidade.

  1. Cite três tipos de Cristo que são apresentados escrituristicamente durante os 40 anos de viagem de Israel pelo deserto, rumo à Canaã.

A pedra “que os seguia”, o maná e a serpente de bronze.

  1. Segundo a lição, como sintetizar a importância do livro de Números para a contemporaneidade?

Constitui-se em um verdadeiro tratado sobre o relacionamento entre Deus e o seu povo, de onde se pode extrair um riquíssimo tesouro teológico para a atualidade.

 

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula: 06/01/2019

Lição 13 - Orando sem Cessar



 

TEXTO ÁUREO

"Orai sem cessar." (1 Ts 5.17)

VERDADE PRÁTICA

O Novo Testamento nos ensina que a oração deve ser uma prática contínua dos cristãos, desde a primeira até a segunda vinda de Cristo.

LEITURA DIÁRIA

SEG. Sl 55.17: Era prática no período do Antigo Testamento orar três vezes ao dia

TER.  Ef 6.18: O Novo Testamento nos ensina a orar continuamente

QUA. Lc 5.16: Jesus vivia em constante oração, um exemplo a ser imitado

QUILc 18.1: A parábola de juiz iníquo é um exemplo para nunca desistirmos da oração

SEX. Lc 21.36: Jesus espera nos encontrar em oração na sua vinda

SÁB. Ap 5.8: A oração dos crentes é como o incenso aromático que sobe às narinas de Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 6.5-13

5- E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

6- Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.

7- E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.

8- Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós Iho pedirdes.

9- Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.

10- Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.

11- O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

12- Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

13- E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!

HINOS SUGERIDOS: 77, 296, 577 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que a oração deve ser uma prática contínua dos cristãos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Apresentar o conceito de oração;

II- Refletir a respeito da oração no Sermão do Monte;

III- Compreender o significado da oração modelo do Pai-Nosso.

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado (a) professor (a), chegamos ao final de mais um trimestre com os nossos corações gratos ao Senhor pelo aprendizado de cada lição e com a certeza de que precisamos estar fortalecidos no Senhor para resistirmos às astutas ciladas do Diabo. E uma das maneiras de nos fortalecermos é mediante a oração. Por isso, na última lição estudaremos a respeito da oração, uma das nossas "armas espirituais" contra os ataques e ciladas do Inimigo. A oração não é somente uma fermenta na batalha contra o mal; ela é indispensável para uma vida cristã saudável e revela a nossa dependência de Deus, fortalecendo a nossa comunhão com Ele.

Veremos no estudo dessa lição que Jesus, o Filho de Deus, não somente nos deixou uma oração modelo, a oração do Pai-Nosso, mas Ele orou nos momentos mais marcantes do seu ministério terreno. Jesus orou antes da escolha dos discípulos, nos momentos que antecederam sua crucificação e orou até mesmo na cruz. Ele se dedicou à oração secreta e particular a fim de nos deixar o exemplo.

PONTO CENTRAL

Necessitamos orar sem cessar.

INTRODUÇÃO

A oração do Pai Nosso, conhecida também como a Oração Dominical, do latim Dominus, "Senhor", portanto a oração do Senhor, é um dos textos mais conhecidos da Bíblia. Pessoas de dotas as idades e dos diversos ramos do cristianismo conhecem pelo menos as primeiras palavras dessa oração. Muitos livros, poesias e hinos sobre tema já foram produzidos ao longo da história. Lutero escreveu um comentário sobre o "Pai Nosso", juntamente com os Dez Mandamentos e o Credo do Apóstolo, no seu Catecismo Menor em 1529. Isso, por si só, mostra a importância dessa oração no cristianismo.

I - A ORAÇÃO

A oração é a alma do cristianismo e expressa a nossa total dependência de Deus. Ela é tão antiga quanto à humanidade, e o próprio Jesus se dedicava à oração particular e secreta. Sendo Ele Deus, vivia em oração contínua. Que exemplo! O que não diremos nós, com respeito à oração?

  1. Definição.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define oração como "o ato consciente, pelo qual a pessoa dirige-se a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por meio de palavra ou pensamento". A oração é central para a vida cristã. A fé cristã não prescreve local, dia da semana, horário ou postura de pé, sentado ou ajoelhado para fazer orações. O ensino cristão é: “Orai sem cessar" (1 Ts 5.17). Não há problema para quem deseja orar em pé (1 Sm 1.9,10), prostrado em terra (Ne 8.6), de joelhos (1 Rs 8.54). A postura física não importa; o importante é a posição espiritual diante de Deus, é orar com sinceridade e estar em comunhão com o Senhor Jesus.

  1. Exemplos bíblicos.

A Bíblia mostra a oração desde que Sete, filho de Adão e Eva, nasceu: "Então, se começou a invocar o nome do SENHOR" (Gn 4.26). Essa prática continuou na vida dos patriarcas do Gênesis, Abraão, Isaque e Jacó (Gn 20.17; 25.21; 32.9-12). A oração estava presente na vida de Moisés, dos profetas Samuel e Elias, entre outros, e dos reis piedosos como Ezequias (Êx 8.30; 1 Sm 8.6; 1 Rs 17.19-22; 2 Rs 19.15).

  1. Jesus e a prática da oração.

Os Evangelhos relatam que Jesus orava em secreto continuamente e chegam a registrar algumas orações, como aquela feita no jardim de Getsêmani e também aquela em favor dos discípulos em João 17. Todos os Evangelhos mostram a oração individual do Senhor (Mt 14.23; Mc 1.35; Lc 6.12). Mesmo sendo Deus, Jesus estava também na condição humana e, como tal, buscava a dependência do Pai. Jesus é o maior exemplo de oração para os cristãos.

SÍNTESE DO TÓPICO I

A oração é indispensável para uma vida de comunhão com Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"A oração é a expressão mais íntima da vida cristã, o ponto alto de toda experiência religiosa genuinamente espiritual. Por que, então, permanece tão negligenciada?

Vivemos numa época em que os indivíduos evitam a intimidade e os relacionamentos pessoais. O receio de expor seus sentimentos e desenvolver amizades profundas afeta tanto as relações espirituais como as sociais, erguendo barreiras dentro da própria família e dividindo comunidades. Inconscientes de que esse modismo entrou na igreja e por ele influenciados, alguns cristãos sentem-se nada confortáveis quando se chegam próximos demais a Deus. 0 resultado imediato é a falta de oração —- não querem intimidade. Além disso, também estamos muito ocupados. Vivemos para realizar, e não para ser. Admiramos a vida ativa mais do que o caráter e os relacionamentos. O sucesso é medido por nossas realizações; portanto, corremos, corremos — tentando fazer tudo quanto podemos em nossas horas ativas. Mais preocupados em fazer do que em ser, recusamo-nos a aceitar a realidade bíblica de que as realizações humanas são temporárias e fugazes. Somente a obra do Espírito Santo é permanente e eterna. A falta de oração nos impede de alcançar aquilo que tão desesperadamente ansiamos. A falta de oração, na verdade, é impiedade" (BRANDI, Robert L. Teologia Bíblica da Oração: 0 Espírito nos Ajuda a Orar. 6.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 17).


II - A ORAÇÃO NO SERMÃO DO MONTE

O Senhor Jesus falou sobre o assunto no Sermão do Monte para corrigir as distorções existentes na época sobre a oração. É necessário reconhecer, nas palavras dos vv. 5-8, o que Jesus estava ensinando, qual prática tinha a aprovação de Deus e o que era reprovado.

  1. Oração nas praças e nas sinagogas (v.5).

Jesus não estava proibindo orar nas ruas, praças ou nas sinagogas. É que líderes religiosos da época procuravam as esquinas e os locais movimentados, onde levantavam as mãos para cima na presença das pessoas, para mostrar a elas uma imagem de alguém piedoso e temente a Deus. Eram exibições para serem elogiadas pelo público; por isso, Jesus disse: "Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão" (v.5b). São essas práticas exibicionistas que Jesus proibiu aos seus discípulos, e não as orações em público ou nas igrejas. Ele mesmo ensinava, pregava e curava nas sinagogas (Mt 4.23). Estava orando quando o Espírito Santo desceu sobre Ele no batismo: "Sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu" (Lc 3.21). Ele também orou em público por ocasião da ressurreição de Lázaro (Jo 11.41-44).

  1. Oração em secreto (v.6).

Jesus proíbe a ostentação e a hipocrisia. Não há como alguém se mostrar estando no próprio aposento, sozinho em oração, onde ninguém está vendo. Isso, no entanto, não significa que a oração só pode ser aceita se for secreta. Mas significa que Deus, que é onisciente e onipresente e conhece o nosso coração, nos recompensa. Ou seja, as nossas petições e súplicas são atendidas (Fp 4 .6). A oração num lugar secreto em uma das dependências da residência,  sem a comunhão com Deus, tampouco lema aprovação do Senhor.

  1. As vãs repetições (v.7).

Jesus nus instrui com essas palavras: "Orando, mio useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos". Isso dá a entender que havia judeus que oravam como os gentios, ou seja, os pagãos (1 Rs 18.26; At 19.34).

Há religiosos que levam horas orando e repetindo palavras sagradas, pois acreditam que isso aumenta o seu crédito no céu. O termo grego usado para "vãs repetições" ébattalogéo, "repetir palavras sem sentido". A eficácia da oração não está na sua extensão nem nas repetições das palavras, pois oração é também comunhão com Deus.

A oração do Pai Nosso é usada na adoração coletiva desde muito cedo na história e continua ainda hoje em muitas igrejas [...].

  1. Entendendo o ensino de Jesus.

O Mestre não está condenando a oração longa ou repetitiva, mas as "vãs repetições". 0 próprio Jesus, no Getsêmani, repetiu as mesmas palavras três vezes na oração (Mt 26.39,44). Jesus passou a noite orando no monte para escolher os doze apóstolos; com certeza, essa oração não foi curta (Lc 6.12). Além disso, Ele nos ensina a orar sem nunca desanimar (Lc 18.1). A oração do Pai Nosso é usada na adoração coletiva desde muito cedo na história e continua ainda hoje em muitas igrejas nos diversos ramos do cristianismo.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Jesus não somente orou, mas falou a respeito da oração no Sermão do Monte.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Embora seja Deus, enquanto esteve aqui na Terra Jesus não era somente Deus — era o Deus-Homem. Na posição de Deus, Ele não precisava orar (exceto para manter aquela comunhão e companheirismo próprio da Deidade). Mas, na qualidade de homem, estando revestido de um corpo humano, sendo descendente legítimo de Abraão, a oração era tão essencial a Ele como o fora a Abraão e seus descendentes.

A oração destacou-se em cada aspecto e fase de sua vida e ministério. A Bíblia cita numerosos exemplos de oração durante o curto período de três anos e meio do ministério de Jesus. Há evidências de que a oração era a própria respiração da vida de Jesus, tal como acontecia com Moisés. Jesus vivia uma vida disciplinada. Os Evangelhos registraram determinados hábitos que Ele fazia questão de cultivar. Um deles era frequentar regularmente a sinagoga aos sábados, o que, naturalmente, incluía um período de oração (Mt 21.13). Não é errado pensar que Jesus tinha ido diariamente à sinagoga ou ao Templo — dependendo do lugar onde Ele estivesse — para dedicar-se à oração" (BRANDT, Robert L. Teologia Bíblica da Oração: O Espírito nos Ajuda a Orar. 6.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp. 166,167).

III - O PAI NOSSO

Jesus repetia os seus ensinos em ocasiões e locais diferentes. Esses discursos são registrados, às vezes, por mais de um evangelista, e assim surgem algumas modificações. Um exemplo disso é a oração do Pai Nosso, em Mateus e em Lucas. São duas situações e locais diferentes. Sua importância está no fato de ser uma oração modelo. Podemos dividi-la em três partes: sobre o Deus que adoramos, sobre as nossas necessidades e sobre os nossos perigos.

  1. O nosso Deus.

O Pai Nosso é uma oração modelo, e isso pode ser visto na linguagem usada por Jesus: "Vós orareis assim" (v.9), e não o que devemos orar. Ele continua: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome". Essa forma de se dirigir a Deus é peculiar ao Novo Testamento, pois os justos do Antigo Testamento nunca a usaram. Deus, o Criador, é o nosso Pai. A liberdade que temos de nos aproximar dEle e chamá-lo de "Pai" ou, de maneira mais íntima, de “Aba, Pai", expressão aramaica que significa "papai", é um dos grandes privilégios dos cristãos (Rm 8.15; Gl 4.4-6). Essa bênção foi mediada por Jesus. Santificar o nome não significa tornar seu nome santo, pois ele já é santo em sua essência e natureza, mas é o nosso dever reconhecê-lo como tal.

  1. As nossas necessidades.

O termo "pão" em " o pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (v.11) inclui tudo aquilo de que o nosso corpo necessita. Mas só hoje? E o futuro? Jesus nos ensina a sermos moderados em nossos desejos e pedidos (Pv 30.8,9). Isso remete também à confiança na provisão de Deus para a nossa vida (Mt 6.25-34). O perdão é outro ponto importante: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (v.12). Já não fomos perdoados e já não somos filhos de Deus? É verdade, mas estamos sempre expostos ao pecado (1 Jo 1.8,9). Todavia, precisamos também perdoar aos que nos fazem o mal (Mt 18.32-35).

  1. O livramento dos perigos.

Essa petição no Pai Nosso: “Não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal (v.13) se refere aos perigos diários a que estamos expostos num mundo sedutor e corrompido (Fp 2.15). É verdade que Deus não tenta as criaturas humanas (Tg 1.13), mas devemos pedir a Deus que não permita que voluntariamente venhamos a nos deparar com a tentação. A oração termina com a doxologia: "porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre" (v.13b), para ser um resumo de um trecho da oração de Davi (1 Cr 29.11-13). A expressão reflete o espírito das Escrituras Sagradas.

SÍNTESE DO TÓPICO III

O Pai-Nosso é a oração modelo ensinada por Jesus.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, concluímos que a oração deve ser uma prática contínua, e não ser recebida como um mandamento, mas como uma necessidade que temos da dependência de Deus. Note que Jesus não está mandando ninguém orar no discurso do Sermão do Monte. Ele disse: "quando orares" (v. 5); isso revela que a oração já era hábito do povo israelita, costume preservado desde o Antigo Testamento (Sl 55.17; Dn 6.10). Jesus estava corrigindo as distorções existentes.

PARA REFLETIR

A respeito de "Orando sem Cessar", responda:

  • Como a Declaração de Fé das Assembleias de Deus define a oração?

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define oração como "o ato consciente, pelo qual a pessoa dirige-se a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por meio de palavra ou pensamento".

  • Quem é o nosso maior exemplo de oração?

O Senhor Jesus Cristo.

  • Qual o modo de orar que Jesus condenou?

Jesus condenou as vãs repetições.

  • Qual a importância da oração do Pai Nosso?

Sua importância está no fato de ser uma oração modelo.

  • Quantas e quais são as partes do Pai Nosso em nossa lição?

Podemos dividi-la em três partes, sobre o Deus que adoramos, sobre as nossas necessidades e sobre os nossos perigos.

 

 1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 31/03/2019

Lição 11 – Discernimento de Espíritos – Um Dom Imprescindível




TEXTO ÁUREO

Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. (1 Co 2.15)

VERDADE PRÁTICA

O discernimento de espíritos é um dos dons espirituais concedidos aos crentes, em Jesus; ele nos capacita a distinguir o real do aparente e a verdade da mentira.

LEITURA DIÁRIA

SEG. At 5.1-5: O uso do discernimento no exercício do ministério    

TER. 1 Co 2.14: O homem natural não compreende as coisas espirituais   

QUA. 1 Co 12.10: O discernimento de espíritos é um dos dons do Espirito Santo

QUIHb 4.12: A Palavra de Deus é apta para discernir os pensamentos do coração

SEX. Hb 5.14: O discernimento distingue corretamente entre o bem e o mal

SÁB. 1 Jo 4.1: Deus nos deu as condições para o discernimento de espíritos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 16.16-22

16- E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.

17- Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.

18- E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E, na mesma hora, saiu

19- E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas e os levaram à praça, à presença dos magistrados.

20- E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade.

21- E nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos.

22- E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas.

HINOS SUGERIDOS: 167,326, 383 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Conscientizar sobre a imprescindibilidade do Discernimento de Espírito;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Discorrer sobre Discernir e Discernimento;

II- Explicitar as artimanhas da adivinhadora de Filipos;

III- Mostrar como desmascarar os ardis de Satanás.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta lição estudaremos um tema importante para vivermos a fé nestes últimos dias: o discernimento de espíritos. Quem conhece a Deus e deseja não ser enganado é importante rogar ao Senhor por essa capacidade. Há coisas na vida que não se discerne com bagagem intelectual, ou sabedoria humana, mas por uma ação sobrenatural de Deus. Discernimento espiritual é para a obra espiritual. Não se pode querer discernir o que é espiritual com instrumentalidade carnal. No mundo espiritual, o discernimento de espíritos é um dom imprescindível.

PONTO CENTRAL

O discernimento de espíritos nos capacita a verdade da mentira.

INTRODUÇÃO

O homem espiritual é a pessoa com o Espírito Santo e que, por isso, tem melhores condições para entender cada situação. Isso é diferente daquele que não conhece a Deus. Mas o relato da libertação da adivinhadora de Filipos, por ocasião da segunda viagem missionária do apóstolo Paulo, revela que o discernimento espiritual vai além, pois diz respeito ao "dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10).

I - DISCERNIR E DISCERNIMENTO

No seu uso geral, discernimento é, na vida cotidiana, a capacidade de compreender e avaliar as coisas com bom senso e clareza, de separar o certo do errado com sensatez. O termo aparece nessa acepção na Bíblia (2 Sm 19.35; Jn 4.11). Mas, no contexto teológico, o seu uso é muito mais amplo, como veremos a seguir.

  1. O verbo "discernir".

O Novo Testamento grego apresenta dois verbos traduzidos em nossas versões bíblicas por "discernir", anakrino e diakrino. O significado do primeiro é amplo, como "perguntar, interrogar, investigar, examinar" (Lc 23.14; At 17.11), e aparece também com o sentido de "discernimento" (1 Co 2.14,15). O segundo verbo apresenta grande variedade semântica e uma das variações é a de discernir (1 Co 11.29).

  1. O substantivo "discernimento".

O termo grego é diákrisis, que só aparece três vezes no Novo Testamento e, em cada uma delas, o significado é diferente: uma vez com o sentido de "briga" ou "julgamento" (Rm 14.1); outra, como "distinção" em que se julgam pelas evidências se os espíritos são malignos ou se provém de Deus (1 Co 12.10); e, finalmente, para discernir entre o bem e o mal (Hb 5.14).

  1. Atualidade.

Há manifestações sobrenaturais por meio de falsos profetas (Dt 13.1-3). Jesus disse que o Anticristo aparecerá fazendo sinais, prodígios e maravilhas de tal maneira que, se possível fora, enganaria até os escolhidos (Mt 24.24). Os agentes de Satanás transformam-se em anjos de luz, e seus mensageiros, em ministros de justiça (2 Co 11.13-15). Em todos os lugares e em todas as épocas, sempre existiram falsas imitações, e só com o discernimento do Espírito Santo é possível identificar a fonte de tais manifestações. Isso mostra a importância e a atualidade do dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10).

SÍNTESE DO TÓPICO I

Discernir pode significar "examinar" ou “investigar", bem como outras variantes. Discernimento, significa "julgamento" e “distinção".

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

Discernimento de espíritos. A expressão inteira, no grego, apresenta-se no plural. Este fato indica uma variedade de maneiras na manifestação desse dom. Por ser mencionado imediatamente, após a profecia, muitos estudiosos o entendem como um dom paralelo responsável por 'julgar’ as profecias (1 Co 14.29). Envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e dos espíritos malignos (1 Jo 4.1). O discernimento nos permite empregar a Palavra de Deus e todos os demais dons para liberar o campo à proclamação plena do Evangelho. Da mesma forma que os demais dons, este não eleva o indivíduo a um novo nível de capacidade. Tampouco concede a alguém a capacidade de sair olhando as pessoas e declarando do que espírito são. É um dom específico para ocasiões específicas (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática; Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.475).


II - A ADIVINHADORA DE FILIPOS

Quem realmente já experimentou o poder de Deus na vida não pode ser levado por impostores. Deus permite, às vezes, o sobrenatural vindo de fontes estranhas para provar a fé do crente e sua experiência espiritual.

  1. Uma avaliação sensata.

A jovem adivinha estava possessa, tomada pelo espírito das trevas; logo, a mensagem dela não vinha de si mesma, mas do espírito que a oprimia. Satanás é o pai da mentira (Jo 8.44) e o principal opositor da obra de Deus (At 13.10). Por que, então, o espírito adivinho elogiaria os dois mensageiros de Deus, Paulo e Silas, ao confirmá-los como anunciadores do caminho da salvação? É óbvio que havia algo de errado nisso.

  1. O espírito de adivinhação.

A jovem pitonisa "tinha espírito de adivinhação" (v. 16). O termo grego usado aqui épython, "Píton, espírito de adivinhação", de onde vem o termo "pitonisa", associado à feitiçaria. Píton era a serpente que guardava o oráculo em Delfos, na antiga Grécia, a qual, segundo a mitologia, Apolo matou. Com o tempo, python passou a ser usado para designar adivinhação ou ventríloquo, que em grego é engastrimythos, de gaster, “ventre", e mythos, "palavra, discurso", cuja ideia é dar oráculos ou predições desde o ventre, pois se imaginava alguém ter tal espírito em seu ventre. O vocábuloengastrimythos não aparece no Novo Testamento, mas está presente na Septuaginta (Lv 19.31; 20.6) e é aplicado à feiticeira de En-Dor (1 Sm 28.7,8).

  1. Adivinhações ontem e hoje.

Moisés enumerou algumas práticas divinatórias comuns entre os cananeus (Dt 18.14) e os egípcios (Is 19.3), as quais Israel deveria rejeitar. Isso vale também para os cristãos, pois essas práticas estão presentes ainda hoje na sociedade. Parece que essas coisas encantam o povo, como aconteceu em Samaria com Simão, o mágico (At 8.9-11). Tais práticas envolvem, direta ou indiretamente, magia, astrologia, alquimia, clarividência, tarô, búzios, quiromancia, necromancia, numerologia etc. São práticas repulsivas aos olhos de Deus porque trata-se de uma forma de idolatria (Ap 21.8; 22.15). Como parte da magia, a adivinhação é uma antiga arte de predizer o futuro por meios diversificados: intuição, explicação de sonhos, cartas, leitura de mão etc.

SÍNTESE DO TÓPICO II

A adivinhadora de Filipos estava possessa por demônios e não falava em nome de Deus.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para lição desta semana é importante você estudar o tema dos Dons Espirituais de um modo geral e especifico com relação ao dom de discernimento de espíritos. Para isso, sugerimos a obra "Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal", editada pela CPAD. Lembre que o planejamento e a organização são fundamentais para uma aula eficaz. Não deixe para se organizar em cima da hora. Antecipe-se!

III - DESMASCARANDO OS ARDIS DE SATANÁS

O Senhor Jesus colocou à disposição de cada crente as condições necessárias para discernir entre o falso e o verdadeiro, habilitando-o a fazer a obra de Deus. Ele disse: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos" (Mt 10.16) e para isso nos equipou com armas espirituais de defesa e de ataque ao reino das trevas (2 Co 10.1-5). 0 discernimento espiritual é importante arma do arsenal do Espírito Santo.

  1. O dom do Espírito Santo.

O dom de discernir os espíritos aparece logo após o dom de profecia (1 Co 12.10); por essa razão, muitos associam o referido dom como meio de "julgar" as profecias (1 Co 14.29). Mas o contexto do Novo Testamento mostra que essa não é a sua única função. Serve também para distinguir a manifestação do Espírito Santo das manifestações de profecias, línguas, visões, curas provenientes de fontes demoníacas, e para proteger-nos dos ataques satânicos. Manifesta-se em situações nas quais não é possível, com recursos humanos, identificar a origem da manifestação sobrenatural.

  1. Uma estratégia demoníaca para confundir o povo.

É muito estranho que o espírito maligno que atuava na vida da jovem viesse gritando publicamente por muitos dias e elogiando Paulo e Silas com as palavras: "Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo" (v.17). Essa não foi a única vez em que Satanás procedeu dessa maneira (Mc 5.7). Adam Clarke comenta que o "testemunho sobre os apóstolos, em essência, era verdadeiro, com o fim de destruir sua reputação e arruinar a sua utilidade". O propósito diabólico aqui era transmitir ao povo a falsa ideia de que a mensagem que Paulo e Silas pregavam seria a mesma da jovem adivinhadora.

  1. A libertação da jovem adivinhadora.

A moça era uma escrava que dava muito lucro aos seus senhores com essa prática ocultista (v. 16). Ao ser liberta pelo poder do nome de Jesus, os seus proprietários viram nisso um prejuízo econômico e foram denunciar os missionários às autoridades locais. A população não viu a maravilha da grande libertação da moça, e Paulo e Silas não foram denunciados por causa da expulsão do espírito maligno da jovem. Eles foram acusados de perturbar a ordem pública e nem sequer foram ouvidos, ou seja, não tiveram o direito de resposta. Foram açoitados e colocados na prisão (vv.19-22). Jesus tornou-se também persona non grata em Gadara por causa do prejuízo dos porqueiros (Mc 5.16-18). Infelizmente, o lucro fala mais alto ainda hoje.

  1. A necessidade do dom de discernir.

O discernimento do Espírito nos permite conhecer tudo aquilo que é impossível saber por meio de recursos humanos. O caso de Paulo e da adivinha de Filipos é emblemático, um exemplo clássico do uso desse dom na vida real. Reconhecer a origem maligna de uma manifestação contra a Igreja não é tão difícil, mas, no contexto de Paulo, diante dos elogios da adivinhadora, isso era praticamente impossível sem a atuação do Espírito Santo.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A partir do discernimento de espíritos, a jovem adivinhadora foi liberta das forças demoníacas.

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ

Dei uma conferência na África sobre os demônios. Sobre o assunto argumentei: 'Espanta-me constatar que durante todos esses anos em que houve missões nesta terra, as mãos de vocês estivessem amarradas por causa de médiuns feiticeiros. Por que vocês não saem e expulsam o Diabo das pessoas e as livram do poder que as escraviza?’

O segredo de nossa obra, a razão de Deus nos ter dado cem mil almas, o motivo por que temos mais mil e duzentos pregadores nativos em nossa obra na África, é devido ao fato de crermos na promessa: 'Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo’ (1 Jo 4.4).

Nós não apenas saímos para buscá-las, mas as desafiamos individual e coletivamente, e pelo poder de Deus libertamos as pessoas do poder que as acorrenta. Quando são libertas, elas se rejubilam pela libertação da escravidão na qual estavam presas. 'Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação’ (2 Timóteo 1.7)” (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.146-47).


CONCLUSÃO

Satanás é perito no engano e no disfarce, na mentira e na aparência: "porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz" (2 Co 11.14). Ele é um ser habilidoso e acima de qualquer ser humano na arte do engano e da mentira; os seus disfarces só são discerníveis pelo Espírito Santo: "porque não ignoramos os seus ardis" (2 Co 2.11). Às vezes, até mesmo os crentes, por falta de vigilância, terminam caindo no laço do Diabo.

PARA REFLETIR

A respeito de "Discernimento de Espíritos- um Dom Imprescindível" responda:

  • O que mostra a importância e a atualidade do dom de discernir os espíritos?

Em todos os lugares e em todas as épocas, sempre existiram falsas imita­ções, e só com o discernimento do Espírito Santo é possível identificar a fonte de tais manifestações.

  • Por que as práticas ocultistas são repulsivas aos olhos de Deus?

São práticas repulsivas aos olhos de Deus porque se trata de uma forma de idolatria (Ap 21.8; 22.15).

  • Qual o propósito diabólico, segundo a lição, com os elogios a Paulo e Silas?

O propósito diabólico aqui era transmitir ao povo a falsa ideia de que a mensagem que Paulo e Silas pregavam seria a mesma da jovem adivinhadora.

  • O que aconteceu aos missionários depois da libertação da jovem adivinhadora?

A população não viu a maravilha da grande libertação da moça, e Paulo e Silas não foram denunciados por causa da expulsão do espírito maligno da jovem.

  • O que era completamente impossível acontecer sem a atuação do Espírito Santo de acordo com o contexto de Paulo?

Reconhecer a origem maligna de uma manifestação contra a Igreja não é tão difícil, mas, no contexto de Paulo, diante dos elogios da adivinhadora, isso era praticamente impossível sem a atuação do Espírito Santo.

 

1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 17/03/2019