Lição 10 - OS CUIDADOS E DEVERES DA NOVA GERAÇÃO






TEXTO DO DIA “Dá ordem aos filhos de Israel e dize-lhes: Da minha oferta, do meu manjar para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para mas oferecer a seu tempo determinado.” (Nm 28.2)

SÍNTESE No deserto, Deus se relacionava intimamente com o seu povo e lhe concedeu leis, que o ajudara a ter relacionamentos saudáveis, e a oportunidade de adorá-lo.

AGENDA DE LEITURA 
SEGUNDA - Sl 44.3 Foi Deus quem concedeu vitória a Israel 
TERÇA - Js 1.7,8 Guardando a lei de Deus 
QUARTA - Sl 119.97 Amando a lei de Deus 
QUINTA – Rm 12.11 Cuidado redobrado 
SEXTA – 1 Tm 4.16 Cuidando da doutrina 
SÁBADO – 1 Tm 5.8 Cuidando da família

OBJETIVOS 
• MOSTRAR o propósito do censo que foi ordenado pelo Senhor; 
• EXPLICAR a importância das leis divinas para os hebreus; 
• RECONHECER a importância da adoração.

INTERAÇÃO 
Estimado(a) professor(a), estamos no último mês do trimestre e, diante disso, é possível que alguns alunos tenham perdido a empolgação inicial e, por isso, faltaram algumas aulas. Ante essa circunstância seja proativo e convoque os outros professores e alunos para que façam um jejum pelos discentes que estão afastados da Escola Dominical. Se possível, planeje com a turma ou parte dela, uma visita a cada um dos faltosos. Essa estratégia, sem dúvida, vai melhorar significativamente a frequência de sua classe. O professor(a) comprometido(a) com a obra para a qual foi vocacionado, jamais desiste de seus alunos!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 
Para apresentar o terceiro tópico da lição, faça alguns esquetes. Lembrando que o objetivo dessa atividade é aumentar a participação dos alunos nas aulas. Divida a turma em dois grupos e peça que representem, em cinco minutos, uma cena que simbolize a adoração no tabernáculo (apresentação de uma oferta). Escolha três jurados e ofereça um prêmio ao grupo vencedor, que poderá ser caixa de bombons. Parabenize a todos que participaram. Ao final, conclua dizendo que a adoração era o cerne da vida comunitária hebraica.

TEXTO BÍBLICO
Números 26.1,2,52-55,64,65 
1  Aconteceu, pois, que, depois daquela praga, falou o SENHOR a Moisés e a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, dizendo:  
2  Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, da idade de vinte anos para cima, segundo as casas de seus pais, todo que, em Israel, vai para o exército.  
52  E falou o SENHOR a Moisés, dizendo:  
53 A estes se repartirá a terra em herança, segundo o número dos nomes.  
54 Aos muitos, multiplicarás a sua herança; e, aos poucos, diminuirás a sua herança; a cada qual se dará a sua herança, segundo os que foram deles contados.  
55 Todavia, a terra se repartirá por sortes; segundo os nomes das tribos de seus pais, a herdarão. 
64 E entre estes nenhum houve dos que foram contados por Moisés e Arão, o sacerdote, quando contaram aos filhos de Israel no deserto do Sinai.  
65 Porque o SENHOR dissera deles que certamente morreriam no deserto; e nenhum deles ficou, senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.

 COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO 
Os capítulos 26 a 30 do livro de Números, seguem o mesmo padrão dos capítulos iniciais e o intervalo entre um evento e outro dista quase quatro décadas. As gerações são diferentes: A primeira foi escrava no Egito e morreu no deserto, restando apenas Moisés, Josué e Calebe (Nm 26.64,65). A segunda geração era formada por pessoas com, no máximo, 59 anos de idade. Diante de um novo grupo de indivíduos, o Senhor ordenou que fosse feito novamento um censo (Nm 26.1-51), relembrou a lei e estabeleceu algumas leis civis (Nm 26.52-56; 27.1-11; 30.1-16; 36.1-13). O Senhor também falou a respeito da importância da adoração (Nm 28,29), pois os novos hebreus precisavam conhecer sua identidade e força (censo), suas responsabilidades civis e familiares (leis) e o dever de adorar ao Senhor em todo o tempo.

I – A IMPORTÂNCIA DAS PESSOAS 
1. Um censo providencial. “Aconteceu, pois, que, depois daquela praga, falou o SENHOR a Moisés e a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, dizendo:  Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, da idade de vinte anos para cima, segundo as casas de seus pais, todo que, em Israel, vai para o exército” (Nm 26.1,2). As provações do deserto consumiram os últimos ex-escravos hebreus que saíram do Egito e, agora, o povo deveria ser numerado novamente pois, conforme Deus prometera, o caminho para Canaã estava liberado, mas ainda havia muitas terras a serem conquistadas.
Deus estava “cansado” da ingratidão e da rebelião dos hebreus. Por isso, Ele intentou ferir todo o povo, exterminando-os para fazer a partir de Moisés um novo povo (Nm 14.11,12). Mas Moisés, como um líder amoroso e humilde, intercedeu em favor dos seus irmãos. Então, o Senhor ouviu e aceitou a súplica do seu servo. Deus ouve e responde as nossas súplicas, por isso nunca desista de clamar.

2. Um exército poderoso. Segundo Números 26.2, “todos os filhos de Israel”, maiores de 20 anos, deveriam ser contabilizados em um novo censo. Deus estava tratando da nova geração do deserto. Eles precisavam aprender que, diante dos inimigos e das guerras vindouras, não deveriam se gloriar quanto ao número de guerreiros ou à força física dos jovens soldados. Precisavam aprender a confiar inteiramente no Deus que os tirou do Egito e que já havia prometido que eles possuiriam “a porta dos seus inimigos” (Gn 22.17). 
Quando Balaque tentou empreender um “ataque espiritual” em desfavor de Israel, por intermédio do suborno ao profeta Balaão, o rei dos moabitas afirmou que Israel era um grande e poderoso povo.
Deus fez dos hebreus um povo valente, guerreiro. Ele também fez cair um pavor, um respeito, nas nações circunvizinhas em relação a Israel.

3. Um povo abençoado. Depois que foi concluído o recenseamento, “falou o SENHOR a Moisés, dizendo: A estes se repartirá a terra em herança, segundo o número dos nomes” (Nm 26.52,53). O Senhor poderia ter dado essas instruções após a conquista da Terra, mas preferiu animar e fortalecer o coração e a fé de todos previamente. Israel deveria esperar, confiar e descansar nas promessas de Deus.
Sabemos que as pessoas só vão até onde a visão delas alcança. Assim, o Senhor estava internalizando naquela nova geração o sentimento de luta e conquista, mostrando, sobretudo, que eles eram mais que vencedores, pois havia a garantia, em Deus, de que tudo fluiria bem; tanto que o Altíssimo instruiu em como dividir a herança da Terra Prometida.

 Pense! 
O fato de Moisés ter “mudado a opinião” de Deus a respeito do extermínio dos hebreus incrédulos, demonstra que o Senhor não é imutável?

Ponto Importante 
Moisés não “mudou a opinião” de Deus acerca da morte dos hebreus incrédulos, mas apenas retardou o acontecimento; com isso, o próprio Moisés também não pôde entrar em Canaã. 


II – A IMPORTÂNCIA DAS LEIS 
1. Lei acerca da divisão da terra (Nm 26.52-65). O povo que fora criado no deserto precisava de regras e normas. Era um povo santo, separado e não poderia viver segundo os costumes adquiridos no Egito e nem segundo os hábitos das nações vizinhas. Por isso, no livro de Números, vamos encontrar várias leis civis e normas de condutas. Por exemplo, em Números 26.52-65, o Senhor determina regras para a divisão das terras que seriam conquistadas. O Altíssimo conhecia o seu povo, sabia da dureza de coração deles e que poderia haver brigas e discórdias na partilha das terras que haveriam de ser conquistadas.
2. Lei para proteger os relacionamentos (Nm 30.1-16). Deus estabeleceu leis acerca dos votos das mulheres e dos homens. O propósito do Senhor era evitar que os votos feitos viessem afetar os relacioamentos entre marido e mulher ou entre pai e filha. Sabemos que um povo forte e próspero é também o resultado de famílias fortes e unidas. Contudo, o objetivo não era apenas evitar os conflitos familiares, pois segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal “esse capítulo deixa claro que Deus requeria do seu povo o cumprimento das promessas feitas a Ele e ao próximo.” O Senhor desejava mostrar a seriedade de um voto ou promessa.

3. Lei a respeito da divisão da presa (Nm 31.25-47). O Senhor também estabeleceu critérios a respeito dos espólios de guerra. Eles deveriam ser divididos em duas partes iguais, sendo que uma parte seria dada aos guerreiros que lutaram na batalha e a outra seria distribuída entre os “que ficaram com a bagagem” (1 Sm 30.24,25). Uma parte também deveria ser entregue ao Senhor como uma oferta. Desta forma ninguém ficaria com tudo e nem ninguém ficaria sem nada.

Pense! 
Sendo Israel um povo santo, poderia aproveitar o ordenamento jurídico de outros povos?

Ponto Importante 
Deus sabia que as leis de outros povos eram injustas. Por isso, os hebreus deveriam ser um referencial para outras nações.

III – A IMPORTÂNCIA DA ADORAÇÃO 
1. Uma vida bem cuidada. A partir do capítulo 21, o livro de Números narra vários conflitos bélicos vencidos pelos hebreus, os quais trouxeram muitas riquezas das cidades despojadas. Em várias ocasiões, naquela jornada extenuante, faltou água, mas nunca faltou o cuidado divino. Sempre houve milagres. Quer seja a rocha proporcionando água em abundância, como rios caudalosos, para dessedentar a necessidade de milhões de pessoas e animais, quer fazendo brotar água de um poço seco (em Beer), depois de, juntos, os israelitas cantarem um louvor a Deus, “falando” ao poço.
O fornecimento milagroso de água e de maná ao longo da peregrinação demonstra de maneira inequívoca uma verdade que permeia todas as Escrituras: Deus provê as necessidades daqueles que o servem e o adoram em espírito e em verdade.

2. O dever de um povo agradecido. Em Números 28 e 29 o Senhor revela que o seu povo não deveria descuidar da adoração. Então Ele mostra, mediante o estabelecimento das ofertas, a primazia da adoração. Israel seria uma comunidade de adoradores, porisso deveriam aprender a serem agradecidos. Agratidão ao Senhor seria revelada mediante as ofertas.
A especificação de algumas regras para o recebimento de ofertas, na presença do Senhor, demonstrava que os hebreus não poderiam fazer o que bem quisessem. As regras eram de Deus e isso deveria ser cumprido reverentemente sob pena de danos terríveis aos adoradores. Vivemos debaixo de uma nova aliança, mas tal aliança não admite permissividade. As mortes de Ananias e Safira servem como exemplo disso, a fim de que se entenda o que pode acontecer com alguém que desobedece, voluntariamente, dentro de uma ambiência litúrgica e cultural divina.

3. Um Deus que merece ser adorado. Avida deve ser como um culto contínuo de adoração; esse era e é o propósito do Deus de Israel. O cerne da existência e das atividades do povo de Deus. Não era por acaso que o tabernáculo encontrava-se no centro do acampamento e tudo se movia ao seu redor.
Números 28 começa com uma grave advertência de Deus:“Dá ordem aos filhos de Israel e dize-lhes: Da minha oferta, do meu manjar para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para mas oferecer a seu tempo determinado”. Deus demonstrou o cumprimento da aliança com seu povo. Todavia, agora, o Senhor estava deixando claro que as falhas da jornada no deserto não deveriam se repetir e que a adoração dos hebreus, na Terra Prometida, deveria se transformar num estilo de vida.

Pense! 
A liturgia do culto ao Senhor pode ser compatível com os modismos sociais e culturais do nosso tempo? 

Ponto Importante 
O culto a Deus deve ser solene e reverente, calçado na simplicidade, santidade e obediência.

SUBSÍDIO
“Imediatamente após um ato de apostasia (capítulo 25), vem um censo mais detalhado, semelhante ao descrito no capítulo 1. Esse censo inclui os descendentes dos israelitas que saíram do Egito (v. 4b) e que eram da idade de vinte anos ou mais, a idade mínima para a inclusão no primeiro censo. A frase da NVI, ‘estes foram os israelitas que saíram do Egito’ não pode dizer respeito à primeira geração, pois os versículos 64,65 dizem expressamente que ninguém dessa geração, exceto Calebe e Josué, estavam entre eles. O propósito imediato desse levantamento é produzir dados estatísticos para a partilha da terra após a sua conquista (vv. 52-56). Isso, por si só, já é um fato curioso, considerando-se a formidável oposição que tinham pela frente. A visão de Deus para o futuro era diferente da visão dos espias. Os espias haviam dito: ‘Não somos capazes de tomar a terra’. Deus dizia: ‘Tomarão a terra’. Com esse intuito, Israel inicia confiantemente suas preparações sem sentir que está se precipitando. A primeira geração estava fadada a perecer no deserto, por causa de seus pecados. Deus havia levantado um segunda geração para pôr os pés na terra prometida” (HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, pp. 405,407).


CONCLUSÃO 
A partir da morte dos últimos representes da antiga geração, um novo grupo de israelitas, que conquistaria a terra dos cananeus, precisava entender alguns princípios acerca da vontade de Deus. Por isso, o Senhor determinou um novo censo, estabeleceu leis e fez um apelo incisivo sobre a necessidade de que Israel adorasse ao Senhor voluntariamente, de todo o coração. A conquista de Canaã exigiria muitos esforços dos israelitas.

HORA DA REVISÃO 
1. Qual referência bíblica demonstra que todos da geração de ex-escravos que saiu do Egito morreram no deserto? 
Números 26.64,65
2. Quais os nomes das duas pessoas que saíram do Egito e entraram em Canaã? 
Josué e Calebe. 
3. Cite dois tipos de assuntos versados nas leis mencionadas à segunda geração dos hebreus. 
Lei que trata de herança e de relacionamento familiar. 
4. Qual a referência na qual Deus exige que a oferta seja prestada com cuidado, no tempo certo? 
Números 28.2. 
5. Segundo a lição, o propósito de Deus era que a vida dos hebreus fosse como um culto contínuo de adoração? 
Sim. Esse era o real propósito divino.

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula:10/03/2019

Lição 9 - A PROTEÇÃO NO DESERTO





TEXTO DO DIA “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!” (Nm 23.23) 
SÍNTESE O povo de Deus passou por aflições no deserto, mas o Todo-Poderoso jamais os deixou sozinhos. Eles puderam contar sempre com a ajuda do Senhor. 
AGENDA DE LEITURA 
SEGUNDA - 1 Tm 6.9 Os que querem ficar ricos caem em tentação 
TERÇA – 1 Tm 6.10 A avareza é a raíz de todos os males 
QUARTA - 1 Co 10.12 Quem pensa estar em pé, tome cuidado 
QUINTA - Lc 10.19 O maligno não toca no povo de Deus 
SEXTA - Tg 1.15 O pecado tem poder mortal 
SÁBADO – Rm 3.23 O pecado sempre tem um custo
OBJETIVOS • SABER que os inimigos do povo de Deus podem se levantar de qualquer lugar; • COMPREENDER que o Senhor é o escudo do seu povo e, por isso, o maligno não lhe toca; • EXPOR a força destrutiva do pecado.
INTERAÇÃO Querido(a) professor(a), toda pessoa nascida de novo é um instrumento de Deus, por isso confie a seus discentes tarefas desafiadoras. Não se esqueça de que as pessoas trabalham com mais empenho, e de forma mais persistente, quando reconhecem a importância de sua contribuição individual. Assim, diga-lhes que a aula seguinte será muito melhor se houver visitantes não evangélicos e, após, estimule-os a lançar o convite aos amigos e vizinhos não cristãos. Eles se sentirão importantes com tal tarefa. Ofereça uma premiação (ainda que simbólica), que pode ser individual ou em grupo, para quem trouxer mais convidados para a aula. Você foi escolhido(a) por Deus para fazer a diferença na vida dos seus alunos, por isso invista incansavelmente neles.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), leia juntamente com seus alunos e comente o texto de 2 Pedro 2.15. Explique que o caminho de Balaão era mal, pois ele era o típico profeta profissional, mercenário, ansioso por obter lucro com o seu dom. Depois, leia Judas 1.11. Fale que o engano de Balaão foi o seu raciocínio, baseado numa moralidade desvirtuada, de que um Deus justo levaria em consideração o suborno recebido pelo profeta, a fim de cometer uma injustiça. Em seguida, leia Apocalipse 2.14 e explique que a doutrina de Balaão era maligna, pois seduziu os israelitas ao pecado, o mesmo que faz Satanás, e, com isso, garantiu que Israel se arruinaria. 
TEXTO BÍBLICO
Números 23.1-10, 19-21 
1  Então, Balaão disse a Balaque: Edifica-me aqui sete altares e prepara-me aqui sete bezerros e sete carneiros.  
2  Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; e Balaque e Balaão ofereceram um bezerro e um carneiro sobre cada altar.  
3  Então, Balaão disse a Balaque: Fica-te ao pé do teu holocausto, e eu irei; porventura, o SENHOR me sairá ao encontro, e o que me mostrar te notificarei. Então, foi a um alto.  
4  E, encontrando-se Deus com Balaão, lhe disse este: Preparei sete altares e ofereci um bezerro e um carneiro sobre cada altar.  
5  Então, o SENHOR pôs a palavra na boca de Balaão e disse: Torna para Balaque e fala assim.  
6  E, tornando para ele, eis que estava ao pé do seu holocausto, ele e todos os príncipes dos moabitas.  7  Então, alçou a sua parábola e disse: De Arã me mandou trazer Balaque, rei dos moabitas, das montanhas do oriente, dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacó; e vem, detesta a Israel.  
8 Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? E como detestarei, quando o SENHOR não detesta?  
9  Porque do cume das penhas o vejo e dos outeiros o contemplo: eis que este povo habitará só e entre as nações não será contado.  
10 Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? A minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu. 
19  Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?  
20 Eis que recebi mandado de abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.  
21 Não viu iniquidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó; o SENHOR, seu Deus, é com ele e nele, e entre eles se ouve o alarido de um rei.  
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Números capítulo 21 mostra-nos momentos de alegria e vitória para os hebreus. Deus lhes concedeu a vitória. A nova geração que nasceu no deserto (não tinha sido escrava no Egito) vivia, até então, seu melhor momento com Deus. As recentes conquistas contra o rei de Arade, Seom e Ogue, bem como o milagre acontecido em Beer (água brotar de um poço seco), eram provas cabais desse avanço espiritual. As notícias a respeito das vitórias esmagadoras sobre alguns reis, espalharam-se rapidamente por todas as nações vizinhas, motivo pelo qual os moabitas ficaram bastante preocupados. Acreditavam que seriam os próximos. No afã de conseguir deter a marcha triunfal do povo hebreu, Balaque, rei dos moabitas, enviou mensageiros para contratarem um profeta que morava na Mesopotâmia, Balaão, a fim de amaldiçoar o povo de Deus. É o que veremos na lição de hoje.


I – OS INIMIGOS
1. Inimigos que não conhecem a Deus. Toda vez que o povo de Deus cresce e prospera, o mal se levanta para detê-lo. Foi exatamente o que aconteceu nesse momento da travessia dos hebreus pelo deserto. Balaque, rei dos moabitas, compreendeu que a força deles era espiritual, vinda de Deus, por isso tencionou derrotá-los na vida espiritual. Porventura não é isso que, com frequência, acontece em nosso
cotidiano? O Inimigo sabe que Deus age em nosso favor, mas, mesmo assim, ele tenta arruinar nossas vidas e impedir a nossa caminhada até o céu.
2. Inimigo que conhece a Deus. No afã de destruir Israel, Balaque busca (e consegue) apoio de alguém que conhecia o Deus de Israel: o profeta Balaão. Ele aparece de forma misteriosa nas Escrituras (Nm 31.8; 2 Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.14). Ele era, sem dúvida, muito afamado, tanto que Balaque acreditava que suas palavras determinariam a bênção ou a maldição (Nm 22.6), por isso pagou caro para ele amaldiçoar Israel. O problema de Balaão era o seu caráter duvidoso. Ele teve a ousadia de orar perguntando a Deus se deveria aceitar suborno para amaldiçoar Israel. O Senhor lhe disse um não veemente (Nm 22.12). No entanto, quando viu que o valor do seu “cachê” havia aumentado, Balaão foi perguntar a Deus novamente se poderia almaldiçoar os hebreus.
3. Os Inimigos espirituais. Os principais inimigos de Israel não eram seres espirituais. Balaque estava ciente de que a guerra vindoura (Nm 22.3) seria travada, sobretudo, nas trincheiras da espiritualidade, por isso contratou um expert em assuntos espirituais para enganar o povo de Deus. Balaão, amando o prêmio da injustiça, negociou o que tinha recebido de Deus. As “hostes espirituais da maldade” (Ef 6.12) dominaram totalmente o coração dele, como aconteceu com o de Judas, por isso Jesus o chamou de filho da perdição (Jo 17.12), pelas inúmeras chances que ele teve de acertar, mas errou em todas elas. Precisamos começar bem e, com Deus, terminar melhor, mas Balaão, ao contrário, deixou o Diabo encher seu coração.
Pense
Será que Balaão teria argumentos para responder à pergunta: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” 
Ponto Importante 
Balaão perdeu-se na estrada da vida porque o seu coração era mau e ganancioso.


II – NÃO CABE ENCANTAMENTO CONTRA JACÓ
1. Deus se opõe a Balaão. Todos aqueles que se levantarem contra o povo de Deus, mais cedo ou mais tarde, vão sofrer oposição da parte do Senhor, como aconteceu com Balaão. A jumenta que transportava o profeta viu o anjo do Senhor no caminho, e salvou-lhe a vida. Diante disso, Balaão ainda questionou ao anjo se deveria seguir naquele mesmo
destino. Quanta loucura e ganância! Que caráter mesquinho! A jumenta tinha mais “visão de Deus” do que o próprio Balaão. Sem dúvida, quando se está no caminho errado, o mais correto a fazer é dar meia volta e retornar ao centro da vontade de Deus. Balaão, entretanto, buscava somente sua vontade, o aumento do seu patrimônio. Por isso o Senhor se opôs a ele. Na caminhada cristã, igualmente, o servo de Deus deve tomar cuidado para não lutar contra quem o Senhor abençoou! Isso é muito perigoso. 
2. Deus constrange Balaão. Caminhar para um lugar longe da vontade Senhor só produz vergonha e dissabor. Foi isso que aconteceu com Balaão; desagradou a Deus e a Balaque, o qual não lhe prestou nenhuma homenagem, mesmo tendo empreendido uma viagem tão longa. Todas as tentativas de “convencer” o Senhor da indignidade de Israel foram inúteis, o que fazia com que o contratante dos “serviços proféticos” ficasse cada vez mais irado com Balaão. Atualmente, algumas pessoas também recorrem a alguns “profetas” para que lhes digam as palavras que querem ouvir. 
3. Deus abençoa Israel. Foram três bênçãos proferidas por Balaão, além da última que tratou, inclusive, da vinda do Messias. Deus não ouviu Balaão e transformou a maldição em bênção (Dt 23.5), pois o Senhor amava o seu povo. Balaão teve de pronunciar as seguinte bênçãos: a) O crescimento de Israel (Nm 23.9,10); b) A fidelidade das promessas de Deus (Nm 23.19,20); c) A lealdade e a santidade de Israel (Nm 23.21); d) A força de Israel (Nm 23.22); e) Nenhum encantamento contra Jacó os alcançaria (Nm 23.23); f) Prosperidade, riqueza e vitória contra os
inimigos (Nm 24.5-9); g) Deus enviaria o Messias o qual daria a vitória completa ao povo (Nm 24.17-24). Todo o tempo em que Balaão tencionava amaldiçoar os hebreus, o Senhor os protegia e, certamente, nenhum deles sabia o que se passava nos arredores do acampamento. Isso acontece também conosco, pois todas as vezes em que o Inimigo vem para matar, roubar e destruir, Deus concede o livramento.
Pense! 
Se o coração de Balaão era corrompido, a ponto de aceitar a proposta de suborno de Balaque, por que Deus continuou falando com ele?
Ponto Importante 
Enquanto Deus frustrava a maldição de Balaão, mostrava a Israel sua proteção e anunciava sua soberania a Balaque. O Senhor precisava falar com alguém, e Balaão, ainda que desviado, era o único meio ideal.
III – A FORÇA DESTRUTIVA DO PECADO 
1. O caminho de Balaão. Balaão tinha o “coração exercitado na avareza”; essa era sua conduta, seu caminho (2 Pe 2.14, 15). Era um “profissional da religião”, que 
cobrava pelos prognósticos “proféticos”. Balaão ensinou seu mau caminho aos hebreus e o prejuízo para o povo de Deus foi enorme.
O Senhor convoca todos a experimentarem uma “mudança de mente”, do grego metánoia (Rm 12.2). Novos pensamentos que visem a glória de Deus, para que se compreenda toda a sua vontade. O caminho de Balaão continua, infelizmente, sendo palmilhado por muitos “profissionais da fé”, os quais intitulam o dom recebido de Deus como “ganha pão” e, com isso, cobram cachês astronômicos, comparando-se às celebridades do mundo artístico.
É importante ressaltar que dar uma oferta, compatível com a capacidade financeira da igreja, aum cantor ou pregador, o qual teve gastos diversos para chegar até a igreja,não é um cachê, trata-se de um compromisso moral e espiritual de quem convida. Entretanto, exigir vultosas quantias em dinheiro para realizar atividades inerentes à fé, não parece ser adequado ao crente
2. A doutrina de Balaão. Frustrado por não conseguir amaldiçoar o povo de Deus, Balaão ensinou “Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem” (Ap 2.14). Com isso, as filhas dos moabitas conquistaram o coração de milhares de hebreus. O que os ferozes inimigos não conseguiram
com as armas, foi alcançado pela força destrutiva do pecado. Flávio Josefo diz que “para agradar àquelas moças, que se tornaram suas esposas, não temeram violar os mandamentos do verdadeiro Deus”. As Escrituras ensinam o antídoto para a doutrina de Balaão: Assentar no coração a firme convicção de, como Daniel (Dn 1.8), oferecer o corpo em sacrificio vivo, santo e agradável a Deus, o nosso culto racional (Rm 12.1).
3. O castigo merecido. O pecado, sugerido por Balaão, foi consumado por muitos hebreus, o que gerou a morte de 24 mil pessoas (Nm 25.9) e só cessou por causa de um ato de bravura e fé do sacerdote Fineias.A mortandade foi encerrada imediatamente, mas um grande estrago já tinha acontecido.Ageração que fora criada no deserto seguia os mesmos passos daquela que havia saído do Egito. O futuro, porisso, parecia sombrio para o povo. Deus advertiu, com veemência, a condicionalidade das suas promessas para Israel à total obediência (Lv 26.14- 39). Se houvesse rebeldia, os castigos seriam rigorosos. Este episódio demonstra cabalmente isso. É preciso seguir com Deus de modo cuidadoso, “em santo trato e piedade” (2 Pe 3.11), “porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11).
Pense! 
O que representou, de fato a apostasia de Israel no caso em que estudamos?
Ponto Importante 
Os critérios da justiça divina não podem ser aquilatados por seres limitados e imperfeitos, como os homens, que não conhecem a real e profunda natureza do pecado.
SUBSÍDIO 1
“Balaque, muito irritado por ver-se desiludido em suas esperanças, despediu Balaão sem lhe prestar homenagem alguma. Tendo o profeta chegado próximo do Eufrates disse: ‘Não espereis que a raça dos israelitas pereça pelas armas, pela peste, pela carestia ou por qualquer outro acidente, pois Deus, que a tomou sob sua proteção, a preservará de todas as desgraças. Ainda que eles sofram algum desastre, levantar-se-ão com mais glória ainda, pois se tornarão mais sensatos pelo castigo. Mas se quereis triunfar sobre eles por algum tempo, dar-vos-ei o meio para tanto. Mandai ao seu acampamento as mais belas de vossas filhas, bem adornadas, e ordenai-lhes que de nada se esqueçam para suscitar amor aos mais jovens e os mais corajosos dentre eles. É o único meio que tendes para fazer com que Deus se encha de cólera contra eles.’ […] Os mídianitas não titubearam em executar logo o conselho, isto é, enviar as suas filhas e instruí-las conforme ele lhes havia dito. Os moços, enamorados, aceitaram as condições: abandonaram a fé de seus pais, adoraram vários deuses, ofereceram-lhes sacrifícios semelhantes aos dos mídianitas e comeram indiferentemente de todas as iguarias. Para agradar àquelas moças, que se tornaram suas esposas, não temeram violar os mandamentos do verdadeiro Deus” (JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 210,211).
SUBSÍDIO 2
“Foram levados pelo engano do prêmio de Balaão. Como em 2 Pedro, Judas usa os pecados de Balaão como exemplo do que esses homens são. Balaão foi um falso profeta e um paradigma de falso mestre, o que mostra o modus operandi dos sonhadores contemporâneos e dos falsos profetas. A referência explícita ao ‘prêmio de Balaão’ aqui em Judas, e ao ‘prêmio da injustiça’ em Pedro 2.15 (também em Ap 2.14) dá uma ideia de atos motivados por ganância. O pecado de Balaão foi tão grave quanto o daqueles homens — o sincretismo. Isso é o que o torna tão sedutor, e por essa razão, se introduziram sem serem notados. A ostensiva heresia poderia ter sido imediatamente detectada. Mas estes homens penetraram secretamente na comunhão, e, de modo sedutor, espalharam o sincretismo licencioso oferecendo um cristianismo que, na verdade, não é cristianismo. A referência a Balaão vem de Números 25, onde induziu os filhos de Israel ao sincretismo (isto é, à união da adoração a Jeová com a adoração a Baal). A porta de entrada ao sincretismo foi a ‘imoralidade sexual’ entre os homens de Israel e as mulheres moabitas (Nm 25.1). Desse modo, os falsos mestres, movidos pela ganância, inclinaram-se aos erros de Balaão, introduzindo uma negação moral do senhorio de Cristo, enquanto ainda mantinham uma aparente ortodoxia (Comentário Bíblico Pentecostal. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1813).



CONCLUSÃO
A experiência narrada em Números 25 deixou marcas profundas no povo hebreu, sendo tal fato relembrado posteriormente, durante séculos. Nunca devemos nos esquecer das consequências danosas do pecado. Os feitos de homens da estirpe de Balaão deveriam ficar registrados “para exemplo aos que vivessem impiamente” (2 Pe 2.6). “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.12).
HORA DA REVISÃO
1. Que rei moabita contratou Balaão para amaldiçoar Israel? 
Balaque. 
2. Em que lugar residia Balaão? 
Mesopotâmia (Dt 23.4). 
3. O que motivou Balaão a tentar amaldiçoar Israel? 
O prêmio da injustiça — dinheiro oferecido por Balaque. 
4. Quais os textos do Novo Testamento que falam do caminho e da doutrina de Balaão? 
2 Pedro 2.14,15 e Apocalipse 2.14. 
5. Quantas pessoas morreram em face do castigo pelo pecado do povo? 
Foram 24 mil pessoas.

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula:03/03/2019





Lição 8 - AS GUERRAS NO DESERTO



TEXTO DO DIA “Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, e nossos pais nos têm contado os feitos que realizaste em seus dias, nos tempos da antiguidade.” (Sl 44.1)

SÍNTESE Ainda que os inimigos sejam muitos, fortes e bem preparados para a guerra, se buscarmos a Deus em oração e lhe obedecermos, agindo com fé e coragem, eles serão derrotados.

  AGENDA DE LEITURA 
SEGUNDA - Js 5.4 Guerreiros mortos no deserto 
TERÇA - 1 Cr 12.8 Guerreiros refugiados no deserto   
QUARTA - 2 Cr 14.11,13 Deus concede vitória na guerra 
QUINTA - 2 Cr 20.17 Deus concede vitória sem ter que pelejar 
SEXTA - Ec 9.11 Não é dos fortes a batalha 
SÁBADO - Hb 11.34 Guerras vencidas pela fé

OBJETIVOS • 
MOSTRAR que as aflições do deserto são passageiras; • 
REFLETIR a respeito da vida no deserto; • SABER que é Deus quem nos concede a vitória.  

INTERAÇÃO
 Professor(a), a conexão entre os educadores e os alunos, deve ser plenamente cultivada. Numa escola secular isso acontece mediante os encontros diários e, assim, os laços de amizade têm mais possibilidades de florescerem. No caso da Escola Dominial, os professores devem agir proativamente para alcançar esse fim. Inúmeras estratégias podem e devem ser articuladas entre os docentes, de maneira que a classe se transforme em um lugar de aprendizado e comunhão. Este, sem dúvida, é o mais expressivo desafio dos docentes. Você pode propor que todos se reúnam na residência de um dos alunos, algum dia da semana, quando debaterão os aspectos mais interessantes da lição da semana. Se possível, inclua um lanche nessa programação.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 
Professor(a), inicie a aula lendo com os alunos Deuteronômio 3.11. Fale a respito das medidas da cama de Ogue, rei de Basã, a qual era de ferro e media aproximadamente 4 metros de comprimento por um metro e oitenta de largura, segundo as medidas daquele tempo. Explique que por essas dimensões, podemos afirmar que Ogue era bem mais alto que Golias. Ele foi um dos últimos reis da raça de gigantes. Depois, leia com a turma 1 Samuel 17.4 e compare as medidas de Ogue com Golias. Golias tinha quase três metros de altura. Depois peça aos alunos que com uma ou duas palavras, definam o sentimento que possivelmente invadiu o coração dos filhos de Israel ao saberem que iriam guerrear contra homens com o tamanho de Ogue. 

TEXTO BÍBLICO
Números 21.31-35 
31  Assim, Israel habitou na terrados amorreus.  
32  Depois, mandou Moisés espiar a Jazer, e tomaram as suas aldeias e daquela possessão lançaram os amorreus que estavam ali.  
33  Então, viraram-se e subiram o caminho de Basã; e Ogue, rei de Basã, saiu contra eles, e todo o seu povo, à peleja em Edrei.  
34  E disse o SENHOR a Moisés: Não o temas, porque eu to tenho dado na tua mão, a ele, e a todo o seu povo, e a sua terra, e far-lhe-ás como fizeste a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom.  35  E de tal maneira o feriram, a ele, e a seus filhos, e a todo o seu povo, que nenhum deles escapou; e tomaram a sua terra em possessão.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO 

O capítulo 20 do livro de Números começa com a morte de Miriã e termina com a morte de Arão, tendo o povo pranteado durante 30 dias. Agora, de forma súbita, o rei de Arade, com seu exército, ataca os israelitas, alcançando vitória na batalha. Algo emocionalmente devastador. Israel, então, buscou o Senhor e fez um voto, ao que o Altíssimo atendeu e deu-lhes a vitória. Em seguida, mais uma vez, faltou água pelo caminho e o povo murmurou, tendo Deus enviado serpentes que matavam as pessoas. Mas o Senhor, novamente, trouxe livramento e cura. Depois desse grave problema, surgiu uma guerra inesperada: uma forte nação vizinha quis destruir Israel, mas o Todo-Poderoso concedeu outro grande êxito ao seu povo. 

I – A VITÓRIA DEPOIS DO LUTO 
1. Perdas imprevisíveis. Depois da morte de Miriã e Arão, o rei de Arade entendeu que a intenção dos hebreus era de atacá-lo, pois eles seguiam pelo “caminho dos espias”, ou seja, estavam marchando para conquistar terras, o mesmo itinerário seguido quase quatro décadas antes. Para piorar a tristeza dos hebreus, alguns homens foram aprisionados. Isso nunca tinha acontecido antes.
Perdas imprevisíveis, injustas agressões, nalgumas vezes, servem para tirar os filhos de Deus do imobilismo, da inércia e do comodismo. Aquele era o momento de se tomar uma nova atitude, de se buscar um novo começo com Deus. Eles teriam forças para isso?

2. Compromisso com Deus. “Então, Israel fez um voto ao SENHOR, dizendo: Se totalmente entregares este povo na minha mão, destruirei totalmente as suas cidades” (Nm 21.2). Aquela nova geração que entraria em Canaã, talvez pela primeira vez tenha dado um salto de fé, resolveu confiar no Senhor. A partir desse momento, a desesperança, derrota e morte, tão patente em Números 20, desaparece completamente. Surge um novo compromisso com Deus. Eles não poupariam nenhuma das cidades desobedientes, por amor ao Senhor.
Ainda que não haja informações a respeito do poder bélico do rei de Arade, o relevante é que Israel decide, desde aquele momento, confiar no Senhor. Uma nova página na história daquela geração estava sendo escrita. Um capítulo no qual ainda seriam vistos erros horríveis, mas era um sinal de que o treinamento do deserto já estava surtindo efeitos positivos. Davi disse: “Antes de ser afligido, andava errado; mas agora guardo a tua palavra” (Sl 119.67).

3. Oração atendida. “O SENHOR, pois, ouvira a voz de Israel e entregou os cananeus, que foram destruídos totalmente, eles e as suas cidades [...]” (Nm 21.3). Enfim, surge o primeiro feito na história daquela geração trazendo alegria e regozijo, satisfação pessoal, alegria íntima, pois Deus ouviu a voz de Israel. Qualquer vitória, naquelas circunstâncias, seria muito celebrada, haja vista ser um grande feito, pelo simbolismo, pela mudança de trajetória espiritual.
O Senhor conhece bem o seu povo, e, certamente, caso Israel sofresse mais uma derrota naquele momento, consistiria em uma tragédia, com consequências emocionais inimagináveis. O povo (e sobretudo Moisés) não suportava mais tanta decepção.

II – UM POUCO DA VIDA NO DESERTO 
1. Uma murmuração cultural. Poucos dias antes, os israelitas tinham demonstrado uma grande fé e receberam uma grande vitória, mas agora, diante da escassez de água, voltam a murmurar contra o Senhor e Moisés. Nesse ponto do livro de Números, quase toda a geração que saiu do Egito havia falecido, entretanto os hebreus mantêm os mesmos argumentos, o mesmo tom das murmurações de seus pais (Nm 21.5).
Como repreensão, o Senhor enviou serpentes venenosas que matavam as pessoas e, mais uma vez, Israel procurou ajuda de Deus. Em resposta, o Altíssimo determinou que Moisés confeccionasse uma serpente de bronze; em seguida a colocasse no alto de uma haste e aqueles que olhassem para ela seriam curados. Deus, em sua longanimidade, mais uma vez, deu um grande livramento ao seu povo. A nova geração estava aprendendo como andar com Deus no deserto. O mesmo desafio se impõe aos cristãos, atualmente, em todo o mundo.

2. A dificuldade recorrente. Depois da solução do problema com as serpentes, o povo saiu a peregrinar por inúmeros lugares e, quando chegaram em Beer, ao que tudo indica, o povo teve sede. Não há nada mais comum no deserto do que a escassez de água, dificuldade essa que é potencializada se a necessidade é sentida por milhões de pessoas, como no caso de Israel.
Entre uma guerra e outra, além da murmuração e consequente envio das serpentes por Deus, mais uma vez, falta água; só que, desta vez, as pessoas não resmungam. Sentem a aflição, mas resolvem ficar caladas. Diante disso, o Senhor chamou Moisés e ensinou uma nova maneira para prover o que faltava: mandou o povo ficar junto e, em vez de murmurar, cantar. O Altíssimo estava apontando o caminho para uma vida de provisão na sua presença.

3. O poder do louvor. Deus ofereceu uma extraordinária experiência de provisão. Com as pessoas cantando juntas, em coro, Deus fez com que do poço seco brotasse água que dessedentou toda aquela multidão. O cântico era muito simples, e não possuía nenhum poder mágico, mas a fé do povo moveu o coração de Deus e o milagre aconteceu (Nm 21.17,18). O poder de Deus atuou por intermédio do louvor, como aconteceu em inúmeros episódios da história do povo de Deus.
A vida de cada cristão é permeada por pequenos milagres e livramentos, provisões, curas, diariamente. Afinal “o justo viverá da fé’ e os milagres acontecem de forma inesperada e de maneira perfeita em sua vida.

III – A VITÓRIA SOBRE O MAIS FORTE 
1. Seom, rei dos Amorreus. Números 21.21-32 narra a guerra contra Seom, rei dos amorreus. Foi uma batalha intensa e fora do comum, sempre mencionada em outros momentos, juntamente com o conflito seguinte (contra Ogue, rei de Basã), não como um feito heroico do povo, mas como um grande milagre realizado pelo Senhor, porque esses povos eram mais fortes e preparados do que Israel. As guerras enfrentadas pelos israelitas fizeram com que eles se tornassem mais confiantes no Senhor.

2. Ogue, rei de Basã. Com a mesma importância histórica nacional, encontra- -se também a guerra contra Ogue, rei de Basã. Deuteronômio 3.4,5 diz que foram conquistadas 60 cidades que eram protegidas por altos muros, portas e ferrolhos, além de muitas outras sem muros. Deus disse a Moisés que não temesse nessa batalha (Nm 21.34), porque, de fato, Ogue era um gigante (Dt 3.11) mas, está escrito: “Operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13).
Números 20 trouxe histórias de infortúnios para Israel e também para Moisés, mas no capítulo seguinte o quadro é diferente. O ambiente de triunfo e alegria, pelas proezas realizadas, tomou conta de todas as tribos de Israel, e ninguém falava noutro assunto, conforme relata Flávio Josefo.

3. Uma recompensa importante. As batalhas contra Seom e Ogue deixaram um legado, uma herança, um direito, para os israelitas. Eles agora tinham uma possessão, embora fosse aquém do rio Jordão. Toda bênção deve ser celebrada; se veio de Deus, enriquecerá e não acrescentará dores (Pv 10.22).
Deus traz bênçãos em meio às provações e, não poucas vezes, também acontece o contrário: permite surgir uma prova no meio da bênção. Neste caso, o povo estava sendo provado há aproximadamente 40 anos e o Senhor, depois de permitir muitas dores e lágrimas, propiciou conquistas que levantaram o ânimo e a fé do povo. Bom lembrar, porém, que tudo começou a mudar quando os hebreus, em Beer, não murmuraram pela falta de água mas, juntos, debaixo da orientação de Moisés, cantaram ao Senhor(Nm 21.17,18). 

SUBSÍDIO 1
“Embora os espias que Moisés tinha enviado 38 anos antes, tivessem passado e voltado a passar despercebidos, ainda assim a sua vinda e o seus afazeres, provavelmente, foram posteriormente de conhecimento dos cananeus, e os alarmaram, e os levaram a vigiar Israel e ter conhecimento de todos os seus movimentos. Agora, quando Israel pensava que estava dirigindo-se a Canaã, este Arade, pensando na sua política de manter a guerra a distância, lhes fez um ataque e lutou com eles. Mas ficou provado que ele se intrometeu para seu próprio prejuízo. Se tivesse ficado quieto, o seu povo poderia ser o último de todos os cananeus destruídos, mas agora eles seriam os primeiros. […] Seus primeiros soldados prenderam alguns israelitas desgarrados e os levaram prisioneiros (v. 1). Isto, sem dúvida, o deixou cheio de orgulho, e ele começou a pensar que teria a honra de esmagar este formidável exército, salvando o seu país da destruição que tal exército ameaçava. Isto foi, um teste para a fé dos israelitas e simultaneamente uma repreensão a eles, por suas desconfianças e descontentamentos” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento: Antigo Testamento, Gênesis a Deuteronômio. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 516).

SUBSÍDIO 2
“Siom, o seu rei, estava entre os mortos, e, como os mais valentes haviam morrido na batalha, os vitoriosos não encontraram mais resistência. Assim foram os amorreus castigados pela sua imprudência no proceder e pela covardia no combate. Os hebreus tornaram-se os senhores do país deles. Estavam as coisas nesse pé quando Ogue, rei de Galaade e Gaulanite, que vinha em socorro a Siom, seu amigo e aliado, soube que ele havia perdido a batalha. Como era muito ousado, não deixou de querer combater os israelitas e de se gabar da certeza de derrotá-los. Mas estes o desbarataram com todo o seu exército, e ele mesmo foi morto em combate. Era um gigante de enorme estatura, e o seu leito, que era de ferro e podia ser visto na cidade capital do seu reino, chamada Rabatha, tinha nove côvados de comprimento e quatro de largura. E Ogue não tinha menos coragem do que força. Moisés, depois dessa vitória, atravessou o rio Jaboque, entrou no reino de Ogue e apoderou-se de todas as suas cidades, fazendo matar os habitantes mais ricos. Tão grande êxito não trouxe aos hebreus apenas vantagem momentânea, mas lhes abriu caminho para outras conquistas, pois tomaram sessenta cidades fortes e bem municiadas” (JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 206,207).

CONCLUSÃO 
A caminhada com Deus será sempre cheia de aventuras, surpresas e sobressaltos. Nunca haverá monotonia em nossa caminhada até o céu, pois, o Senhor deseja nos levar a um patamar sempre mais alto. Israel aprendeu essa importante lição durante sua longa temporada no deserto. Deus permite em nossa caminhada guerras e conflitos com o propósito de nos moldar e nos preparar para adentrarmos na Terra Prometida, a Nova Jerusalém.

HORA DA REVISÃO 
1. Quais as três guerras mencionadas em Números 21? 
Guerras contra o cananeu rei de Arade; Seom, rei dos amorreus e Ogue, rei de Basã. 
2. Em quais lugares mencionados em Números 21 faltou água para o povo beber? 
Nos arredores da terra de Edom e em Beer. 
3. Qual a solução, a fim de ficar vivo,para quem fosse picado por uma serpente no deserto? 
Olhar para a serpente de bronze levantada por Moisés. 
4.Cite um personagem bíblico, mencionado em Números 21, que era gigante. Ogue, rei de Basã. 
5. Aponte duas outras passagens bíblicas que tratam sobre a guerra contra Seom, rei dos amorreus. Deuteronômio 2.34-37 e Juízes 11.19-26.

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula:24/02/2019


Lição 7 - OS PERIGOS DO DESERTO




TEXTO DO DIA

“O nosso socorro está em o nome do SENHOR, que fez o céu e a terra.” (Sl 124.8)

SÍNTESE

Em algum momento da nossa trajetória haverá desertos a serem transpostos; é preciso, ter muito cuidado para não sucumbirmos ante aos perigos que surgem nesses dias difíceis.       

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Gn 16.7 Encontrada por Deus no deserto

TERÇA - Gn 36.24 Encontrando fontes termais no deserto

QUARTA - Êx 3.1 Apascentando o rebanho no deserto

QUINTA - Sl 95.8 Corações endurecidos no deserto

SEXTA - Sl 106.14 Corações cobiçosos no deserto

SÁBADO - Mt 4.1-11 Deserto, lugar de tentação

OBJETIVOS

DEMONSTRAR que nos períodos de provações (desertos), habitualmente surgem críticas indevidas, como aconteceu com Moisés;

SABER que como aconteceu com Jesus, no deserto a obediência de cada um é testada;

RECONHECER que há instantes, na vida de um servo de Deus, que ocorrerão perdas pessoais irreparáveis, as quais podem contribuir para o surgimento da solidão.

INTERAÇÃO

Estimado (a) professor (a), a relação professor-aluno precisa ser o mais amigável possível, de forma a desenvolver um forte vínculo afetivo e de confiança com aqueles que Deus lhe confiou para ensinar e orientar. O contato pessoal que acontece semanalmente, aos domingos, não é suficiente para o estabelecimento de duradouros elos de amizade. Por isso, procure ter contato com os alunos fora do horário da Escola Dominical. Se os discentes

confiarem em você, receberão de bom grado o seu ensi­no, seguirão suas orientações e ouvirão seus conselhos. Por outro lado, a proximidade com eles proporcionará a você um melhor conhecimento a respeito de suas vidas,

e isso é algo que todo professor de Escola Dominical deve buscar com afinco.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Distinto (a) professor(a), para a aula de hoje convide, com antecedência, um membro de sua igreja que tenha passado por uma grande dificuldade durante um longo tempo. Ele deve narrar parte dos sofrimentos suportados, de forma sucinta, mencionando as críticas que sofreu, as perdas materiais, a eventual solidão nesse período e os dramas emocionais [se perdeu (ou quase) a paciência, o equilíbrio ou mesmo a fé]. O objetivo é fazer uma conexão entre o testemunho e o tema da lição. Tenha cuidado com o tempo destinado a essa atividade, para evitar que se prolongue em demasia. Ao final, agradeça ao convidado pela presença e peça que ele ore pela turma. Encerre a atividade explicando que na lição dehoje terão a oportunidade de entender alguns aspectos da experiência de caminhar no deserto com Deus.

TEXTO BÍBLICO

Números 20.1-13

  1. Chegando os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades; e Miriã morreu ali e ali foi sepultada.

  2. E não havia água para a congregação; então, se congregaram contra Moisés e contra Arão.

  3. E o povo contendeu com Moisés, e falaram, dizendo: Antes tivéssemos expirado quando expiraram nossos irmãos perante o SENHOR!

  4. E por que trouxestes a congregação do SENHOR a este deserto, para que morramos ali, nós e os nossos animais?

  5. E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? Lugar não de semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber.

  6. Então, Moisés e Arão se foram de diante da congregação, à porta da tenda da congregação e se lançaram sobre o seu rosto; e a glória do SENHOR lhes apareceu.

  7. E o SENHOR falou a Moisés, dizendo:

  8. Toma a vara e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, e dará a sua água; assim, lhes tirarás água da rocha e darás a beber à congregação e aos seus animais.

  9. Então, Moisés tomou a vara de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado.

  10. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes: porventura, ti­raremos água desta rocha para vós?

  11. Então, Moisés levantou a sua mão e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais.

  12. E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não me crestes a mim, para me santificar diante dos filhos de Israel, por isso não metereis esta congregação na terra que lhes tenho dado. Estas são as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o SENHOR; e o SENHOR se santificou neles.

INTRODUÇÃO

Números 20 narra episódios que aconteceram no quadragésimo ano da viagem do povo de Israel pelo deserto. Os fatos são sobremodo decisivos e menciona, por exemplo, o falecimento de duas pessoas muito queridas de Moisés: seus irmãos Miriã e Arão. Trata também da rejeição e repulsa de um povo coirmão: Edom, que impediu Israel de passar por seu território.

O longo período de caminhada naquele ambiente inóspito certamente propiciou a Moisés muita experiência, tornando-o apto para entender a natureza humana como poucos. Mesmo com todos os sinais miraculosos que aconteceram em seu ministério, ele foi censurado por sua espiritualidade, moralidade e integridade enquanto ser humano. Diante de tudo que ele enfrentou, ainda teve que lidar com a dificuldade em achar amigos verdadeiros. Diante desse emaranhado de emoções, ele, por um instante, fraquejou e perdeu a sua recompensa: entrar, juntamente com o seu povo, em Canaã. O deserto, sem dúvida, é um lugar perigoso.

I - NO DESERTO SURGEM CRÍTICAS

  1. Quanto à espiritualidade.

Em Números 16.3, Moisés foi acusado por Corá, Datã e Abirão de não possuir autoridade espiritual para conduzir o povo. Esse é um dos perigos do deserto. A mesma coisa aconteceu com Jesus, ao ser tentado por Satanás ao longo de 40 dias após seu batismo: o Inimigo colocou em questão se, de fato, Jesus era o Filho de Deus (Mt 4.1-11).

Ora, Moisés, desde os primeiros sinais no Egito, tinha apresentado autoridade espiritual. Mas, no deserto, até ela foi contestada. A espiritualidade de cada cristão é testada fortemente no período em que caminha no meio da escassez, por isso é necessário manter uma constante comunhão com Deus. A comunhão é importante para que não venha desfalecer. O segredo de Moisés é que ele conhecia os caminhos do Senhor (Sl 103.7).

  1. Quanto à moralidade.

Depois de tantos anos sendo cuidados por Deus, os israelitas ainda conseguiam murmurar a respeito das decisões de Moisés e com isso desestimulavam o povo a herdar a Terra Prometida, que manava leite e mel. Eles questionavam a moralidade de Moisés, acusando-o de agir com irresponsabilidade. Os hebreus não estavam com os olhos voltados para as coisas espirituais, eternas, mas se fixavam apenas nas transitórias, materiais.

Era uma grande ingratidão. Nenhum israelita morreu de fome ou de sede enquanto atravessava o deserto, nem suas roupas envelheceram ou seus sapatos estragaram (Dt 29.5). Os que morreram e foram sepultados no deserto foi por causa da desobediência. Deus, porém, manteve sua fidelidade e sua palavra empenhada.

  1. Quanto à sinceridade.

Em Números 20.14-21 encontramos registrado o pedido que Moisés fez aos edomitas, solicitando passagem. Mas eles não quiseram sequer dialogar. Duvidaram da honestidade, da boa fé de Moisés e, por isso, arregimentaram um grande exército para afugentar o povo. No deserto, a desconfiança sobre o líder se propaga, inclusive para além dos limites do povo de Deus; até os seus vizinhos desconfiavam das reais intenções de Moisés.

A honestidade, integridade, sinceridade e pureza de propósitos de um líder cristão apresentam-se, sem dúvida, como seu maior patrimônio. A índole de Moisés, nos 40 anos de caminhada, deveria ser suficiente para que os edomitas confiassem nele, entretanto, no deserto, as coisas acontecem sempre de maneira inesperada, pois num ambiente cheio de perigos espirituais, morais e físicos, as pessoas, em regra, desconfiam de tudo.

Pense!

Se o deserto é um lugar de tantos perigos, por que Deus habitualmente conduz seus filhos por esse ambiente?

Ponto Importante

A experiência do deserto é insubstituível para quem anda com o Senhor, o qual sempre se revela de um modo especial nos momentos mais difíceis da vida.

II - NO DESERTO A OBEDIÊNCIA É TESTADA

  1. Pode-se perder a paciência.

Moisés era considerado o homem mais manso da terra. Entretanto, no momento em que foi pressionado, sendo questionado sobre o porquê de, 40 anos antes, ter trazido Israel do Egito para sofrer no deserto (eles preferiam a morte), perdeu a paciência. Ao que tudo indica, o caminho do deserto traz consigo o perigo da desobediência. E a desobediência acarreta prejuízos para todas as áreas da nossa vida. A história de fé e obediência de Moisés se desfez mediante um único ato de insubmissão e arrogância, por isso todo cuidado é pouco.

  1. Pode-se perder o equilíbrio.

Moisés, em desobediência à Palavra do Senhor, feriu a rocha por duas vezes (Nm 20.11). O Senhor, porém, tinha determinado que Moisés falasse à rocha. A conduta imprudente dele, corroborada por Arão, desagradou muitíssimo ao Senhor.

Os filhos de Deus estão sujeitos, aqui ou acolá, a perder o equilíbrio emocional, como aconteceu com Moisés e Arão, e praticarem algo errado, embora não aparente ser um “grande” pecado. Esse triste episódio nos mostra que devemos vigiar para que não venhamos a transgredir contra o Senhor, principalmente no exercício de uma atividade eclesiástica, pois a presença de Deus exige de nós reverência, solenidade, santidade e um profundo senso de adoração. Moisés sabia disso tudo e, mesmo assim cometeu o desatino de desobedecer ao Senhor.

  1. Pode-se perder a promessa.

Não existe algo mais seguro na vida do que as promessas do Altíssimo. Ocorre que a maioria delas é condicional; ou seja, para a concretização carecem de que os beneficiários permaneçam obedientes a Deus (Lv 26.3-12). Esse era o caso da promessa a respeito da entrada em Canaã. Se o povo fosse rebelde, não entraria na boa terra. Moisés e Arão, porém, cometeram, aparentemente, um ato de pouca rebeldia, mas não para Deus. Por isso, ambos os irmãos perderam a promessa. Tal fato demonstra a existência de algumas situações que, às vezes, julgamos não terem muita importância, mas, na verdade, para Deus, são extremamente relevantes. Moisés perdeu a promessa só porque desobedeceu a Deus e feriu a rocha? Não! Foi muito mais. Ele usurpou, com o auxílio do sumo sacerdote Arão, o lugar da adoração, atraindo para si a glória quanto ao milagre, a qua deve ser dada exclusivamente a Deus, “porque dele, por ele e para ele são todas as coisas”.

Pense!

Por que Deus puniu Moisés e Arão pelo incidente em Meri-bá, mas nada fez contra os que murmuravam?

Ponto Importante

A conduta de quem recebe autoridade espiritual de Deus deve ser cuidadosa, pois “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12.48 - NVI).

III - NO DESERTO CHEGA A SOLIDÃO

  1. A morte de Miriã.

A morte de Miriã (Nm 20.1) foi uma grande perda para Moisés, pois ele perdia uma das colunas de sustentação do seu ministério. Alguém já afirmou que “todo líder é um solitário.”

No deserto, todavia, essa realidade é potencializada, como aconteceu com Moisés. A ausência de sua irmã, certamente, aumentou essa solidão. Miriã contribuiu para que o plano de Joquebede para salvar Moisés desse certo; ela profetizou e liderou o grupo de louvor que adorou a Deus após a travessia do mar Vermelho (Êx 15.20,21). É verdade que Miriã, em dado momento da história, por castigo de Deus, ficou leprosa por murmurar contra seu irmão caçula (Nm 12.16). Entretanto isso, não retirou o amor que Moisés nutria por ela. A morte de um ente querido é sempre difícil de ser superada.

  1. A morte de Arão.

Naquele mesmo ano, depois da morte de Miriã e da rejeição de Deus quanto a Moisés entrar em Canaã, mais um fato ruim surgiu: morreu o irmão e companheiro de Moisés, o sumo sacerdote de Israel há 40 anos: Arão.

Arão foi usado por Deus como porta-voz de Moisés diante de Faraó (Êx 7.1,2). Ele sustentou os braços de Moisés na guerra (Êx 17.12); viu a glória de Deus (Êx 24.1-10) e foi eleito por Deus como o patriarca de toda a linhagem sacerdotal (Êx 28). Seu pecado em Meribá antecipou sua morte, por isso, foi impedido de entrar na Terra Prometida (Nm 20.12). Depois de ser despido das vestes sacerdotais, o Senhor o recolheu, nos mostrando que todo ministério terreno é transitório. O povo pranteou por Arão durante um mês.

  1. Moisés, um líder com poucos amigos.

A Bíblia não registra o fato de que Moisés tivesse amigos. A pessoa que lhe era mais chegada, Josué, é citada como seu “servidor”. Moisés passou dois terços de sua vida no deserto, quer cuidando das ovelhas de Jetro, seu sogro, quer tentando conduzir os israelitas até o lugar dos seus sonhos, o que lhe possibilitou evitar as distrações naturais da vida, fazendo acender a necessidade de uma maior intimidade com Deus.

Talvez o Senhor tenha requerido esse isolamento para Moisés, a fim de que ele pudesse cultivar uma maior comunhão com Ele. Mas, certamente Moisés não se sentia solitário, pois ele podia contar com a presença do próprio Todo-Poderoso.

Pense!

Será que todo “líder cristão é um solitário”?

O Ponto Importante

O líder que procura agradar a Deus sempre sofrerá oposição e terá de experimentar a solidão.

SUBSÍDIO

“Depois de trinta e nove anos de tediosas peregrinações, ou melhor, tediosos descansos, no deserto, aproximando-se e afastando-se do Mar Vermelho, os exércitos de Israel agora, por fim, se voltaram outra vez para Canaã, e não tinham chegado muito longe do lugar onde estavam quando, pela justa sentença da justiça divina, foram forçados a dar início às suas peregrinações. Até aqui, eles tinham sido conduzidos por uma espécie de labirinto, enquanto se fazia a execução dos rebeldes que eram condenados. Mas agora foram trazidos ao caminho correto outra vez: eles ficaram em Cades (v.1), não Cades-Barneia, que estava perto das fronteiras de Canaã, mas outra Cades, nas fronteiras de Edom, mais afastada da Terra da Promessa, mas a caminho dela, a partir do Mar Vermelho, ao qual tinham sido forçados a voltar.

O capitulo teve início com o funeral de Miriã e termina com o funeral de seu irmão, Arão. Quando a morte se abate sobre uma família, em alguns casos ela ataca em dobro. [...] Moisés, cujas mãos tinham antes vestido Arão com suas vestes sacerdotais, agora o despe delas. [.] Nós veremos poucos motivos para nos orgulhar das nossas roupas, dos nossos ornamentos, ou sinais de honra, se considerarmos quão cedo a morte nos despirá de toda nossa glória” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1. ed. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp. 512,515).


CONCLUSÃO

Como pode tanta coisa ruim acontecer ao mesmo tempo? Moisés poderia ter feito esse questionamento. Em Números 20, algumas das maiores tragédias aconteceram com Moisés: morrem Miriã e Arão, seus irmãos; os vizinhos edomitas (descendentes de Esaú) demonstram aversão para com os hebreus e, por fim, Moisés é reprovado por Deus, o qual não lhe permite entrar na Terra Prometida. Os perigos do deserto são muitos. É preciso vigilância.

HORA DA REVISÃO

  1. Segundo a lição, qual o povo que não acreditava na sinceridade de Moisés e por isso lhe negou um pedido?

Edom.

  1. Qual referência bíblica menciona o pecado de Moisés e Arão, que os impediu de entrar em Canaã?

Números 20.10-12.

  1. A rocha ferida por Moisés representa quem?

Cristo Jesus.

  1. Quais os nomes dos irmãos de Moisés que faleceram no mesmo ano? Onde encontrar refúgio diante da perda de um ente querido?

Miriã e Arão. Encontramos refúgio em Jesus Cristo.

  1. O que você tem a dizer a respeito da afirmação: “Todo líder cristão genuíno é uma pessoa solitária?”

Resposta pessoal.

 

 

1° Trimestre de 2019/Revista: Professor/Data da Aula: 17/02/2019


Lição 12 - Vivendo em Constante Vigilância




 

TEXTO ÁUREO

Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. (1 Co 16.13)

VERDADE PRÁTICA

A vigilância na fé cristã significa permanecer acordado quanto à vinda de Cristo, atento no zelo de não se afastar de Jesus e perseverar na cautela contra os falsos profetas.

LEITURA DIÁRIA

SEG. Lc 12.37: Bem-aventurados os crentes vigilantes na vinda do Jesus

TER.  At 20.31: A vigilância diz respeito também contra os falsos profetas

QUA. Cl 4.2: A vigilância deve estar acompanhada de oração

QUI1 Ts 5.6,10: A vigilância escatológica é ensinada pelo apóstolo Paulo

SEX. 1 Pe 5.8: A vigilância contra a sedição de Satanás deve ser constante

SÁB. Ap 3.2,3: A exortação à vigilância aparece no último livro da Bíblia

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 26.36-41

36- Então, chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.

37- E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.

38- Então, lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.

39- E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

40- E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste vigiar comigo?

41- Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

HINOS SUGERIDOS: 98,129, 312 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Ressaltar a importância da vigilância para a vida cristã, pois a Segunda Vinda do Senhor está próxima.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I- Explicar o conceito de vigilância no contexto bíblico;

II- Apresentar detalhes da oração de Jesus no Getsêmani;

III- Destacar a vigilância como um aspecto fundamental no exercício da fé cristã.

  • INTERAGINDO COM O PROFESSOR

A lição desta semana destaca a importância da vigilância no que diz respeito ao exercido da fé cristã. Estamos vivendo os dias que antecedem o retorno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e, por esse motivo, os crentes devem estar em constante vigilância para que não sejam persuadidos a viverem o evangelho deforma negligente. Poucos dias antes da sua crucificação, durante a preleção do sermão profético, Jesus alertou seus discípulos acerca do avanço da imoralidade e que a corrupção seriam alguns dos sinais que precederiam a sua Vinda. Essa palavra está se cumprindo em nossos dias e a igreja deve estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus. O Mestre advertiu também a respeito da vigilância seguida da oração para que seus discípulos não entrassem em tentação. O crente enfrenta cotidianamente uma batalha entre o espírito e a carne. É imprescindível atentar para o fortalecimento da vida espiritual e comunhão com o Senhor para que as fraquezas da natureza humana não sobreponham a vontade de servir ao Senhor com alegria e santidade.

PONTO CENTRAL

A exortação à vigilância é a ideia central do sermão profético, pois não sabemos o dia nem a hora da Vinda de nosso Senhor.

INTRODUÇÃO

A exortação à vigilância na presente lição abrange dois aspectos da vida cristã. O primeiro diz respeito às palavras de Jesus na agonia em Getsêmani, na noite em que Ele foi preso. O outro aspecto refere-se ao contexto escatológico no sermão profético registrado nos Evangelhos Sinóticos. A presente lição mostra os aspectos da vigilância na fé cristã.

I - O SIGNIFICADO DE VIGILÂNCIA

A vigilância é o ato ou efeito de vigiar, o estado de quem permanece alerta, de quem procede com precaução para não correr risco. E isso nos mais diversos aspectos da vida humana. O verbo "vigiar" aparece na Bíblia no sentido de estarmos atentos em todos os aspectos da vida cristã.

  1. Vigiar, estar alerta.

A palavra que mais aparece no Novo Testamento grego para "vigiar" é o verbogregoréo, "vigiar, estar alerta, ser vigilante", que aparece 22 vezes. A ideia principal dessa vigilância é escatológica (Mt 24.42,43; 25.13), e isso se mostra nas passagens paralelas de Marcos e Lucas. Mas, quando Jesus disse a Pedro, Tiago e João: "ficai aqui e vigiai comigo" (v.38), isso significa que Ele queria que seus discípulos ficassem acordados e continuassem a orar ou, talvez, se protegessem de alguma intromissão enquanto oravam. Mas gregoréo é usado para denotar uma vigilância mais geral (1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Pe 5.8).

  1. Vigiar, guardar, cuidar.

É o verbo grego agrypnéo, "manter-se acordado, vigiar, guardar, cuidar", e só aparece quatro vezes no Novo Testamento, duas delas no sentido escatológico no sermão profético (Mc 1333; Lc 2136). O vocábulo é usado para indicar a vigilância nas orações e súplicas (Ef 6.18) e apresenta ainda a ideia de cuidar ou velar: "Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma" (Hb 13.17).

  1. Vigiar, ser sóbrio.

É o verbo nepho, literalmente "ser sóbrio", mas que aparece no sentido figurado de vigilância combinado com gregoréo (1 Ts 5.6; 1 Pe 5.8). Seu uso no sentido próprio pode ser visto em outras partes do Novo Testamento (1 Ts 5.8; 2 Tm 4.5; 1 Pe 1.13). Existe ainda o verbo eknepho, que só aparece uma vez no Novo Testamento (1 Co 15.34), traduzido por "vigiar", na ARC; por "tornar à sobriedade", na ARA e na Nova Almeida Atualizada; e por "despertar" na TB.

SÍNTESE DO TÓPICO I

A vigilância é o ato de estarmos atentos em todos os aspectos da vida cristã.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Prezado (a) professor (a), a aula desta semana trata a respeito da importância da vigilância no viver diário do cristão. É relevante explicar aos seus alunos que devemos estar alerta quanto à Segunda Vinda do Senhor Jesus, pois não sabemos o dia e nem a hora que Ele há de retornar para buscar a Sua igreja. Para auxiliá-lo (a) na compreensão deste aspecto, leia para a classe o significado do conceito abaixo:

"Escatologia - O termo escatotogia (gr. eschatos, 'últimos'; logos, 'raciocínio'), significando 'a teologia das últimas coisas', tem sido usado desde o século XIX para designar a divisão da teologia sistemática que lida com tudo o que era profeticamente futuro na época em que foi escrito, isto é, profecias que já se cumpriram, como também profecias que ainda não se cumpriram, importantes assuntos de profecia incluem predições com relação a Jesus Cristo, tanto em sua primeira vinda como na segunda, Israel, os gentios, Satanás, cristianismo, os santos de todas as eras, a futura Grande Tribulação, o estado intermediário, a ressurreição dos mortos, o reino milenial, o juízo final e o estado eterno. Estes temas podem ser classificados como a revelação divina do programa quádruplo de Deus para:

(1) Israel,

(2) os gentios,

(3) a igreja e

(4) Satanás e seus anjos caídos (Dicionário Bíblico Wyeliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 662).


II - JESUS NO GETSÊMANI

Depois que Jesus instituiu a Ceia do Senhor, Ele seguiu com os seus discípulos para o jardim de Getsêmani. Em oração, o Senhor Jesus rogou ao Pai, três vezes, para que passasse dEle "esse cálice".

  1. Getsêmani.

O lugar é assim identificado em Mateus (v.36) e Marcos (1432). Lucas se refere ao local como "àquele lugar" (22.40) e João registrou: "o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim" (18.1, Nova Almeida Atualizada). O nome "Getsêmani" vem de um termo aramaico que parece significar "prensa de azeite". Era uma área localizada no sopé do monte das Oliveiras, onde o Senhor Jesus costumava se reunir com os discípulos e para onde se retirou na noite em que foi preso (Lc 22.39; Jo 18.2).

  1. A angústia de Jesus.

O Senhor Jesus, durante todo o tempo do seu ministério, encarava a sua morte de maneira serena (Mt 16.21; 17.22,23; 20.17-19; 26.1,2 e passagens paralelas em Marcos e Lucas). Alguns estudiosos do Novo Testamento se perguntam por que só agora "começou a entristecer-se e a angustiar-se muito" (v. 37) a ponto de dizer: "A minha alma está cheia de iristeza até à morte" (v.38)? 0 seu pavor não era a morte, mas o ser separado do Pai ao assumir os pecados de toda a humanidade na cruz (2 Co 5.21), pois Ele já estava decidido quanto a isso (Mc 10.33,34) e tinha consciência de que a sua morte era a vontade do Pai (Jo 12.27). Esse era o momento mais crucial para a humanidade, pois estava em jogo a salvação dos pecadores.

  1. O cálice.

A expressão usada por Jesus: "Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice" (v.39) deve ser entendida à luz do Antigo Testamento. O cálice ou copo aparece com frequência na Bíblia e mui especialmente na sua aplicação metafórica. É usada para indicar uma situação miserável (Sl 11.6) e também de felicidade (Sl 16.5; 23.5). Da mesma forma, indica a manifestação da ira de Deus (Sl 75.8; Is 51.17). Essa linguagem aparece no Novo Testamento (Ap 14.10; 1 Co 10.16). O Senhor Jesus se referia ao cálice da ira de Deus como castigo da separação do Pai no momento da cruz (Mt 27.46; Mc 15.34). Estava chegando a hora de ser submerso na maldição, por nós, pecadores (Gl 3.13).

SÍNTESE DO TÓPICO II

A angústia de Jesus no Getsêmani expressava que a aproximação de sua hora de ser submerso na maldição, tornando-se pecado por nós, pecadores.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

"[...] é importante observar o uso de uma condicional de primeiro tipo na expressão 'se é possível' (Mt 26.39). Isto normalmente sugere que se supõe que a condição é cumprida — isto é, que era possível evitar o 'cálice' que Jesus tinha em mente. Esta interpretação recebe o apoio de Hebreus 5.7, que observa que quando Jesus 'oferecendo com grandes lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia', A morte biológica não causava terror a Jesus. Ela não causa terror em nós. Como Jesus carregou nossos pecados e sentiu a ira de Deus em nosso lugar, nós também fomos libertados. Nem a morte biológica nem a espiritual têm qualquer influência sobre aqueles que, por meio de Cristo, receberam a vida eterna" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 83,84).

III - EXORTAÇÃO À VIGILÂNCIA

Depois de uma breve explicação sobre Jesus no Getsêmani, retornamos ao tema da lição. Entendemos que o ponto central dessa seção do Evangelho de Mateus (26.36-41) é a exortação à vigilância, apesar de outros temas serem importantes aqui.

  1. No contexto escatológico.

A exortação à vigilância é um dos pontos centrais do sermão profético porque não se sabe o dia e a hora da vinda de Jesus (Mt 24.36; Mc 13.32). O ensino do Senhor nas diversas parábolas desse discurso escatológico dá muita ênfase à necessidade de os crentes estarem atentos. Apesar de ser vedada aos humanos a data da segunda vinda de Jesus, a Bíblia indica os sinais que precederão a vinda de Cristo em Mateus 24 e Lucas 21. Os acontecimentos de hoje nos mostram o cumprimento das profecias bíblicas, sinalizando que essa vinda está próxima. Se os cristãos da primeira hora deviam estar vigilantes quanto ao grande evento, o que não diremos nós, que somos a Igreja da última hora? Por isso devemos estar ainda mais firmes e atentos, continuamente.

  1. Na vida cristã.

É o estado de alerta para não cairmos em pecado, para nos abstermos de tudo aquilo que desagrada a Deus (1 Co 16.13; 1 Ts 5.6; 1 Pe 5.8). Mas essa vigilância não deixa de ser um exercício contínuo da fé até que Jesus venha. Ele pode voltar a qualquer momento; os sinais de sua vinda estão aí, como o avanço da imoralidade e da corrupção (Ap 9.21), a evangelização mundial por meio de recursos das redes sociais (Mt 24.14) e a posição de Israel no Oriente Médio (Lc 21.29-31).

  1. "Vigiai e orai" (v.41a).

O sentido da vigilância aqui difere daquele mencionado no v.38, em que "vigiar" indica ficar despertado, acordado. Mas aqui significa estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus e nunca se apartar dEle. Isso fica claro pelas palavras seguintes: "para que não entreis em tentação". É uma advertência solene a todos os crentes em todos lugares e em todas as épocas para viverem atentos em todos os momentos da vida (Ef 6.18). O Comentário Bíblico Beacon diz: "A eterna vigilância é o preço da liberdade".

  1. O espírito e a carne (v.41b).

Temos aqui o contraste entre o espírito e a carne, muito comum no Novo Testamento (Rm 8.5-9; Gl 5.17). Seria esse o sentido aqui? A "carne" é um termo frequentemente usado nas Escrituras, com variação semântica tão ampla que não é possível descrever todos os seus significados neste espaço. Aqui essa palavra pode indicar a fragilidade da nossa natureza física (Sl 78.39), visto que os discípulos estavam cansados, exaustos e entristecidos; mas também pode ser uma referência à fraqueza da natureza humana decaída (Ef 2.3), por causa da associação com a palavra "tentação". A expressão pode indicar as coisas simultâneas ou qualquer uma dessas interpretações.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Os acontecimentos dos últimos dias nos mostram o cumprimento das profecias bíblicas, razão pela qual, devemos estar vigilantes, pois a Vinda do Senhor está próxima.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Iniquidade e esfriamento do amor.

Em Mateus 24.12, Jesus mencionou mais dois alarmantes sinais, um decorrente do outro: 'E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará'. E o que assusta, neste duplo sinal, é mais uma vez a palavra 'muitos', cujo significado é 'quase todos'. Não foi por acaso que Jesus ensinou: 'Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela' (Mt 7.13). A cada dia, a aceitação da verdade da Palavra de Deus torna-se mais difícil. Doutrinas que outrora, ao serem ensinadas, geravam temor, têm levado muitos crentes a fazerem questionamentos. Vemos que os mensageiros mais conservadores — mas conservadores do ponto de vista bíblico (2 Tm 1.13,14) — são vistos por muitos como extremistas, descontextualizados ou politicamente incorretos. Isso, com certeza, é reflexo do dúplice sinal em questão. 0 amor ao mundo faz-nos perder o amor a Deus (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). E muitos líderes, à semelhança de Demas (2 Tm 4.10), perderão a visão espiritual, nesses últimos dias.

Os cultos, que deveriam ter como objetivos o louvor a Deus e a exposição da Palavra (1 Co 14.27), se transforma-no — como já vem ocorrendo — em programas de auditório, shows, com muito entretenimento e pouco ou nenhum quebrantamento de espirito nu presença do Senhor. Esse sinal indica que, nos últimos dias, o mundo se o tornará tão religioso, e a igreja — quer dizer, uma boa parte dela — tão mundana, que não saberá onde começa um e termina o outro. Sabendo que tudo isso aconteceria, Jesus alertou: 'Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar... (Lc 21.36, ARA). E, como escapar? O caminho é dar ouvidos à Palavra de Deus e se arrepender, a fim de que o nosso amor não se esfrie (Ap 2.4,5) (ZIBORDI, Ciro 5, Etal. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de janeiro: CPAD, 2008, pp. 493-94).


CONCLUSÃO

O enfoque no relato do Cetsêmani é a vigilância e por essa razão não entramos em outros pontos do texto. Finalizamos dizendo que, na tentação do deserto, o Senhor Jesus recusou o domínio do mundo sem o Pai, mas aqui Ele aceita sofrer e morrer por nós com Deus. A experiência de Jesus e dos seus discípulos no jardim nos ensina que cada cristão tem o seu Getsêmani e cada um de nós deve-se submeter à vontade do Pai.

PARA REFLETIR

A respeito de "Vivendo em Constante Vigilância" responda:

  • Qual o sentido do verbo "vigiar"?

Significa estar alerta, ser vigilante. No contexto bíblico tem o sentido de estarmos atentos em todos os aspectos da vida cristã.

  • O que Jesus estava dizendo com as palavras: "ficai aqui e vigiai comigo"?

Significa que Jesus queria que seus discípulos ficassem acordados e continuas­sem a orar ou, talvez, se protegessem de alguma intromissão enquanto orava.

  • Por que a vigilância é um dos pontos centrais do sermão profético?

Porque não se sabe o dia nem a hora da vinda de Jesus (Mt 24.36; Mc 13.32).

  • Qual o significado da vigilância em "vigiai e orai, para que não entreis em tentação"?

Significa estar vigilante para manter a fidelidade ao Senhor Jesus e nunca se apartar dEle.

  • O que nos ensina a experiência de Jesus e seus discípulos no jar­dim de Getsêmani?

Ensina que cada cristão tem o seu Getsêmani e cada um de nós deve se submeter à vontade do Pai.

 

1° trimestre de 2019/Classe: Adultos/Data da Aula: 24/03/2019